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Brasil As
boas relações de Marcos Valério
O empresário Marcos Valério, acusado de ser o encarregado do
PT de distribuir o mensalão a deputados, teve seis encontros com
o tesoureiro Delúbio Soares em um ano. Está na sua agenda  Thaís
Oyama e André Rizek
Paulo
Filgueiras/Ag. Globo
 | Pedro
Vilela/AE
 | AS
ANOTAÇÕES A agenda da ex-secretária de Valério,
entregue à Polícia Federal: viagens em avião do Banco Rural, presentes para amigos
no PT e reuniões com a cúpula do partido |
VEJA teve acesso à agenda que Fernanda Karina Somaggio, a ex-secretária
do empresário Marcos Valério, entregou na semana passada à
Polícia Federal. Nela estão listados compromissos do seu ex-chefe
em 2003. Valério, um dos proprietários da agência SMP&B,
de Belo Horizonte, é acusado por Roberto Jefferson de ser o encarregado
do PT de distribuir o mensalão a deputados da base aliada do governo. As
anotações contidas no documento, feitas entre os dias 20 de maio
e 15 de dezembro de 2003, comprovam a intimidade do empresário com figuras-chave
do PT, mostram sua estreita relação com o Banco Rural e confirmam
a generosidade do dono da SMP&B Valério costumava presentear
membros do governo com canetas Montblanc, um mimo caro.
O tesoureiro do PT, Delúbio Soares, é citado doze vezes na agenda.
Segundo as anotações de Fernanda, ele teve pelo menos seis reuniões
com Valério entre junho e dezembro de 2003. Uma delas contou com a presença
do diretor do banco Opportunity Carlos Rodenburg (que, por sua vez, teve outras
duas reuniões com Valério). O secretário-geral do partido,
Silvio Pereira, comparece com sete citações e, de acordo com os
registros, reuniu-se em quatro ocasiões com o dono da SMP&B em 2003.
Outro petista que aparece com freqüência no documento é o deputado
José Mentor. Há quatro menções ao seu nome, duas delas
relacionadas ao Banco Rural. A agenda entregue pela ex-secretária Fernanda
Karina à PF traz ainda o registro de dois depósitos bancários
efetuados pela SMP&B naquele ano: um em benefício de um certo José
Alves de Oliveira, no valor de 100 000 reais, e outro na conta do ex-ministro
das Comunicações do governo Fernando Henrique, Pimenta da Veiga.
Segundo o ex-ministro, o depósito se refere a "honorários advocatícios".
O depósito para Pimenta da Veiga, no valor de 50 000 reais, foi feito na
conta-corrente do Banco Rural. O Rural era, segundo
afirma Roberto Jefferson, o banco que os petistas usavam para pagar os deputados
do mensalão. A agenda entregue à PF faz cinco referências
à instituição. Numa delas, Fernanda anota que "Marcos, Cristiano,
Paulinho, Dr. Rogério" vão para lugar não mencionado
em "avião do Banco Rural". Em outra, a secretária anota o
adiamento de uma reunião de Valério, e outras três pessoas
não identificadas, com o deputado José Mentor, registrando: "Assunto
rural". O deputado Mentor, que foi relator da CPI do Banestado, é acusado
de ter "aliviado" a situação do Banco Rural no relatório
final da CPI. A anotação da reunião com Mentor é acompanhada
da seguinte observação: "Ideal para pessoa do banco".
Os registros indicam ainda que o empresário Valério é do
tipo que se esforça para agradar aos amigos em particular, os do
PT. Uma das anotações de Fernanda, por exemplo, se destina a lembrar
o chefe de que 27 de novembro é o dia de aniversário da secretária
de Silvio Pereira, Viviane. Outra, do dia 10 de junho logo abaixo do registro
de uma das reuniões do empresário com o tesoureiro Delúbio
, é um lembrete para a compra de duas canetas da marca Montblanc:
uma para Marcus Flora e outra para o deputado João Paulo Cunha. Marcus
Flora é o segundo homem na hierarquia da Secretaria de Comunicação
de Governo e Gestão Estratégica, pasta do ministro Luiz Gushiken,
que trata, entre outras coisas, da relação do governo com agências
de publicidade. João Paulo Cunha foi presidente da Câmara dos Deputados,
cuja conta publicitária pertence à SMP&B. No ano passado, a
Câmara baixou uma portaria transferindo de um departamento para uma pessoa
no caso, um petista de sua confiança a fiscalização
do contrato entre a SMP&B e a Casa. Ouvido por VEJA, o deputado disse não
se lembrar se, de fato, ganhou uma Montblanc de presente de Valério, mas
afirmou ser "muito amigo" do empresário. Segundo João Paulo, a caneta
"pode ter sido um presente de aniversário".
Agenda poderosa Nomes
ligados ao escândalo do mensalão que aparecem na agenda da ex-secretária
de Marcos Valério e as suspeitas que eles suscitam ou reforçam
DELÚBIO
SOARES Suspeita As agências de Marcos
Valério, acusado de ser o distribuidor do mensalão, não prestam
serviços ao PT, mas as seis reuniões do tesoureiro do partido com
Valério mostram que ambos tinham muito a conversar SILVIO
PEREIRA Suspeita Jefferson acusa Silvio
de ser, com Delúbio, responsável pela administração
do mensalão. Silvio confirma ter estado com Valério, mas para tratar
de "peças de publicidade para a campanha municipal de 2004". Diz que não
gostou do material apresentado BANCO
RURAL Suspeita O uso de um avião
do banco e as diversas menções a ele na agenda da secretária
de Valério reforçam a acusação de Jefferson de que
era por meio da instituição que saía o dinheiro com que o
empresário pagava aos deputados da base aliada
JOSÉ MENTOR Suspeita A observação
de que uma das reuniões de Valério com o deputado, que foi relator
da CPI do Banestado, é "ideal para pessoa do banco" reforça suspeitas
contra o parlamentar. Mentor é acusado de ter favorecido o Rural ao excluí-lo
do relatório final da CPI do Banestado
 | AGRADOS
O deputado João Paulo, que teria ganho uma Montblanc de Valério: "muito amigos"
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JOÃO PAULO CUNHA
Suspeita Portaria baixada na administração
do ex-presidente da Câmara transferiu de um departamento para uma pessoa
no caso, um petista a fiscalização do contrato entre
a SMP&B e a Casa. O fato de Valério encomendar uma Montblanc para presentear
o deputado pode ser prova de amizade ou de gratidão | |
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