Edição 1910 . 22 de junho de 2005

Índice
Stephen Kanitz
Millôr
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Auto-retrato
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 
"A estrela vermelha que eu carregava cheio de orgulho no lado esquerdo do peito desde a primeira candidatura do Lula joguei fora."
Ronaldo Assis de Oliveira
Rio das Ostras, RJ

 

Corrupção

Completas e esclarecedoras as reportagens sobre corrupção. Será impossível provar que o presidente Lula desconhecia a cobrança do mensalão ("O PT assombra o Planalto", 15 de junho). Alguém, em sã consciência, vai acreditar que quem já comandou o PT por um bom tempo, amigo e companheiro de José Dirceu desde os primeiros movimentos políticos, ignorava o fato? Nem a velhinha de Taubaté!
Benedito Pessioni
São Paulo, SP

O PT inaugura na política nacional a ética, a moral e a coerência relativas. Só nos resta decifrar se nosso presidente esteve conivente com isso tudo, durante todo o tempo, ou não.
Altino José Machado Brant
Brasília, DF  

É! Parece que o pileque que o PT tomou quando da vitória de Lula nas eleições à Presidência está passando agora, e os líderes do partido estão tentando entender as confusões em que se meteram, as mentiras que contaram, o orgulho que sentiram, o poder que lhes chegou como vinho enquanto estavam de fogo. É triste ver o partido largado na sarjeta.
Elizabeth M. Gomes de Oliveira
Barueri, SP  

A estrela vermelha que eu carregava cheio de orgulho no lado esquerdo do peito desde a primeira candidatura do Lula joguei fora e, com ela, idéias e convicções que não faziam mais sentido. O que ficou foi um grande vazio. De uma hora para outra eu me sinto meio órfão.
Ronaldo Assis de Oliveira
Rio das Ostras, RJ  

Presidente, sua casa está suja, desorganizada, exalando um cheiro fétido tão devastador quanto os efeitos atômicos. Reeleição? Parta para uma faxina radical. Investigue. Puna. Quem sabe, alguns voltem a acreditar. Não obstante, não conte com meu voto. Perdão? Traição.
Inês Dall'Alba de Medeiros
Barra Velha, SC

Após ler a reportagem, tive a convicção de que não se trata simplesmente de um partido político, e sim de uma quadrilha que tem os passos friamente calculados para burlar as leis das quais outrora eram os grandes guardiões. É com imenso pesar que constato que o PT não é igual aos outros, mas pior, pois nos fez sonhar com um Brasil melhor, com mais igualdade, e o que vemos é essa roubalheira que aí se instalou.
Elvis Borges Alve
São Sebastião da Boa Vista, Marajó, PA  

Na edição 1 842 (25 de fevereiro de 2004), a matéria de capa de VEJA era "O vale-tudo do PT". Na reportagem, José Vicente Brizola, filho de Leonel Brizola, contava como foi pressionado a intermediar encontros de empresários do jogo com políticos do PT em busca de dinheiro. Na época, ele foi rotulado de maluco. Como rotular hoje o senhor Roberto Jefferson, que foi chamado de amigo pelo presidente Lula, que assegurou que daria a ele um cheque em branco assinado? Fica difícil desqualificá-lo, como foi feito com José Vicente.
Kleber Pereira Gonçalves
Belo Horizonte, MG  

Logo ao assumir a Presidência da República, Lula costumava desfilar com a estrela do PT em seu paletó. Advertido de que era o presidente de todos os brasileiros, substituiu a estrelinha pelo broche da bandeira nacional. Agora toda a nação espera do presidente que mantenha a prudente e necessária distância de seu partido, deixando que o próprio Congresso Nacional resolva a crise política, sem interferências palacianas. Também seria extremamente salutar que, além disso, Lula implementasse uma profunda reforma administrativa, enxugando cargos e retomando a privatização de estatais. Agora se sabe muito bem por que muitos petistas fogem das privatizações como o diabo da cruz.
Jackson Torres de Oliveira
São Paulo, SP

Informamos aos leitores de VEJA que o presidente do Ibama, Marcus Barros, determinou a apuração das supostas irregularidades com o transporte de madeira no Pará e também encaminhou ofício à Polícia Federal solicitando investigação criminal. Fiscalizações em Anapu, neste ano, resultaram na apreensão de 37 875 metros cúbicos de madeira (aproximadamente 1 900 caminhões), aplicação de multas no total de 8 milhões de reais e fechamento de nove madeireiras. Esclarecemos ainda que o Selo de Origem Florestal não foi rejeitado. Não foi adotado porque não estava pronto. Havia atraso no desenvolvimento do módulo de controle, na normatização dos procedimentos e no treinamento de técnicos, fiscais e pessoal da polícia ambiental.
Gilberto Costa
Coordenador de comunicação do Ibama
Brasília, DF  

O PT assumiu o poder por ter prometido reformas e moralidade. No entanto, passados dois anos e meio, ele não está igual aos governos passados. Está pior. Por menos que isso Getúlio Vargas se suicidou e Collor foi deposto.
Edson Ferreira de Oliveira
Belo Horizonte, MG

 

Carta ao leitor

Realmente, o jornalismo tem de ser os olhos dos cidadãos, mostrando toda a verdade por trás das portas que nós não conseguimos adentrar. Parabéns por todas as reportagens e por vigiar o poder para nós ("Uma nova chance", Carta ao leitor, 15 de junho).
Sandra P. Manfrin
Catanduva, SP

VEJA vem presenteando seus leitores com um show de jornalismo. Bem colocada a frase do jornalista Policarpo Junior ("O jornalismo não pode deixar de vigiar o poder"). A revista cumpre seu papel, que é levar a seus leitores a notícia isenta e apartidária, mostrando as deficiências do sistema político falido que ultimamente vem exibindo sua cor vermelha, que, se antes significava a esperança, agora vem em forma de sangue e vergonha. Com denúncias cada vez mais avassaladoras, VEJA está mostrando aos congressistas e a todos nós, brasileiros, como é fácil fazer a faxina ética neste país, pois munição não falta. Basta coragem para ir a fundo nas investigações.
Izabel Avallone
São Paulo, SP

 

Fernando Gabeira

Em boa hora a entrevista com o deputado Fernando Gabeira (Amarelas, 15 de junho). Ela mostra as marcas de desgosto deixadas pelo fisiologismo petista e pelo clientelismo na vida de um brasileiro íntegro e de ideais nobres, como, aliás, a maioria de nós. Quantas bandeiras sacudi defronte a palácios de governo, na frente de quantos ônibus me deitei reivindicando, em quantas manifestações políticas me envolvi por acreditar que o PT era diferente? Estamos órfãos! Fomos traídos!
Abel de Castro
Goiânia, GO  

Muito lúcida e consciente a postura de Fernando Gabeira em sua entrevista às páginas amarelas da edição 1 909. Realmente, não há nada de mais em um operário chegar à Presidência de seu país, mas a verdade é que a classe operária chegou mesmo ao paraíso e se lambuza com o poder. Nunca na história política do Brasil espoucaram tantos escândalos e indícios de corrupção num espaço de tempo tão curto.
Breno Carley Santos
Deerfield Beach, Flórida, EUA  

Infelizmente sou obrigada a concordar com o Gabeira. O deslumbramento do Lula e o autoritarismo implícito e explícito do Dirceu são realidades contundentes e amargas para quem sempre acreditou nos ideais petistas. Infelizmente, é isso aí, companheiro: o PT ideológico acabou. E com ele as nossas esperanças de um Brasil mais digno e mais ético. Parabéns a VEJA pela entrevista bastante oportuna.
Marly Demoner
Rio de Janeiro, RJ

Gabeira conseguiu sintetizar todo o meu sentimento – e certamente o de muitos brasileiros – quanto à posição surpreendentemente equivocada assumida pelo "finado" Partido dos Trabalhadores. Brilhante entrevista.
Silvio R.R. Reis
Vila Velha, ES  

Gabeira iniciou sua entrevista de maneira brilhante, dando uma verdadeira aula de ética e cidadania ao presidente, mas no final... se diz usuário de maconha de maneira debochada. Esse "nobre" deputado pede coerência e indiretamente financia Fernandinhos e Naldinhos, que desencaminham menores, matam oponentes, jogam na sarjeta milhares de adolescentes que, por uma série de dificuldades, procuram na droga a solução para seus problemas.
Claudio O. Fúlfaro
Fortaleza, CE

 

Conselho de Segurança da ONU

O artigo "O recuo do Brasil" (15 de junho) deixou de salientar aspectos importantes: a) a ampliação do número de membros permanentes e não-permanentes do Conselho de Segurança, como defende o G-4, conta com o apoio da grande maioria dos países da ONU, entre os quais a maior parte dos atuais membros permanentes; b) a proposta de reforma do G-4 visa fortalecer o multilateralismo, dando maior eficiência, legitimidade e representatividade ao Conselho; c) a despeito das mudanças no cenário internacional, o número de membros permanentes é o mesmo há sessenta anos, anacronismo que o "clube do café" (hoje autodenominado "unindo para o consenso") não procura corrigir; d) a proposta do G-4 baseia-se em modelo apresentado pelo secretário-geral das Nações Unidas, o qual não contempla o veto; e) o Brasil – país que mais vezes foi eleito para o Conselho, em virtude das posições que defende e de sua capacidade de articulação e promoção de consensos – sempre deixou claro não desejar ser membro permanente por causa do veto; f) a escolha dos novos membros permanentes não se fundamenta em dados como o PIB – ainda que o Brasil continue a ser uma das maiores economias do mundo; e g) ao contrário do que acreditam integrantes do "clube do café", permanência e eternidade são conceitos muito distintos: o primeiro faz parte da política, o segundo pertence ao domínio da teologia.
Ricardo Neiva Tavares
Chefe da assessoria de imprensa do gabinete do ministro das Relações Exteriores
Brasília, DF

 

Roberto Pompeu de Toledo

O texto "Discurso da esperança contra o medo" (Ensaio, 15 de junho) está simplesmente encantador, maravilhoso. Como gostaria que nosso presidente fizesse exatamente o que está escrito. O Brasil tem jeito, só está faltando tomada de decisões corretas. Vamos fazer com que esse texto chegue ao conhecimento do nosso presidente.
Huda Oliveira Elias
Brasília, DF  

O texto ofertado ao presidente Lula sem ônus, se bem aproveitado, seria a redenção do Congresso Nacional.
Josenias Pontes
Fortaleza, CE

 

Diogo Mainardi

Diogo foi meu único aliado contra o governo Lula desde o princípio. Quando todo mundo falava bem do governo, só ele falava mal. Ele me fez sentir que não estava sozinha. Senhor "Oráculo de Ipanema", se eu morasse no Rio seria a primeira pessoa a colocar oferendas na porta do seu prédio. Parabéns pelo nascimento de seu segundo filho.
Maria Barella
Basiléia, Suíça  

Diogo Mainardi deveria analisar com cautela a relação dos maiores corruptos do país. Eles não são do Nordeste ou, como o senhor os intitula, "sertanizados". A vasta maioria deles vem do Sul e do Sudeste do país, a começar pela época da chamada "política do café-com-leite" ("Sou o oráculo de Ipanema", 15 de junho).
Solange Lopes
Londres, Inglaterra

 

Primeiro filho

A reportagem "Um é pouco, dois é bom, três pode ser demais" (15 de junho) toca muito profundamente as pessoas que vivem a situação. Em minha opinião, o que falta é vergonha na cara desses indivíduos que não querem assumir tarefa tão doce e engrandecedora, que é orientar e amar uma criança. Eu e meu marido voltamos no tempo para praticamente assumir junto de nossa valorosa filha a tarefa de criar nossa neta.
Vera Godoy
Bragança Paulista, SP

 

Radar

Sobre as notas "Para maiores 1" e "Para maiores 2" (8 de junho), esclareço que o Ministério da Justiça é contra a classificação de programas jornalísticos. O documento enviado pelo Ministério da Justiça ao Conselho de Comunicação Social do Senado sobre classificação de programas jornalísticos ao vivo na TV era uma consulta ao órgão sobre o tema, e não uma proposta normativa.
José Eduardo Elias Romão
Diretor do Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça
Brasília, DF

 

CORREÇÃO: Na reportagem "Obras do acaso" (15 de junho), o que foi descoberto é uma ária, e não uma cantata, de Johann Sebastian Bach.

 

Atendimento especial a disléxicos

A reportagem "Neurônios à deriva" (1º de junho) informou que no Brasil uma lei federal determina que pessoas com algum distúrbio de aprendizagem têm o direito de receber avaliação personalizada. "Com a divulgação dessa lei, poderemos reivindicar às instituições nossos direitos como responsáveis por crianças portadoras de distúrbio de atenção", escreveu Celso José de Campos, do Rio de Janeiro. O artigo 4º, inciso III, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf), determina que é dever do Estado garantir "atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino". A procuradora da República Eugênia Augusta Gonzaga Fávero, autora do livro Direitos das Pessoas com Deficiência (Editora WVA), informa que essa lei se baseia no artigo 208 da Constituição Federal, que garante "o acesso e a permanência do aluno na escola". Estudantes de psicologia da Universidade de Ribeirão Preto (www.unaerp.br/) realizam desde 2003 atendimento gratuito a crianças que apresentam problemas de aprendizagem. As atividades são abertas a todos, mas a maioria das crianças participantes tem entre 7 e 12 anos. Mais informações na clínica de psicologia da universidade: (16) 603-7000 e 0800-7718388. Para conhecer os sintomas da dislexia, leia a reportagem "Tropeçando em textos" (VEJA, 21 de novembro de 2001).

 
 
 
 
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