Edição 1910 . 22 de junho de 2005

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Carta ao leitor
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Victor Civita na capa de VEJA: democracia e iniciativa privada

Ao depor no Conselho de Ética da Câmara, na semana passada, o deputado petebista Roberto Jefferson tentou desqualificar vários órgãos de imprensa. A VEJA ele fez duas acusações. Na primeira, contou que, sentindo-se acuado pelo noticiário da revista, pediu ajuda ao então ministro da Casa Civil, José Dirceu, que lhe teria respondido que nada poderia fazer porque "VEJA é tucana". Em outra passagem de seu depoimento, Jefferson disse que VEJA é petista. Para ele, a publicação da primeira reportagem de VEJA que revelou o esquema de corrupção do PTB na máquina pública e deflagrou a atual crise política teve o "dedo do governo".

As acusações de partidarismo feitas a VEJA pelo deputado são uma contradição em termo. Obviamente, uma revista não pode ser ao mesmo tempo governista e oposicionista, tucana e petista. Cabe aqui dizer o que VEJA é. Em primeiro lugar, ressalte-se que nossas convicções se firmaram muito antes que aquelas duas correntes políticas tivessem se organizado como partidos. Gerações de jornalistas passaram pela redação de VEJA e a diversidade de pensamento dos mais brilhantes sempre se espelhou nas reportagens publicadas pela revista. Mas é notável que desde seu primeiro número, lançado em setembro de 1968, VEJA tenha tido uma linha indelével de conduta reafirmada ao longo dos seus quase quarenta anos.

A edição de 29 de agosto de 1990 teve sua reportagem de capa dedicada a Victor Civita, fundador da Abril, que edita VEJA. Ele morrera naquela semana, aos 83 anos. A Carta ao leitor daquele número destacava que "seu Victor", como era chamado, "era fanático pela livre iniciativa esclarecida e convencido de que não há caminho melhor para desenvolver um país. E intransigente defensor da democracia sem adjetivos, da sagrada liberdade do indivíduo e da necessidade permanente de contar somente a verdade". A imagem da capa é uma foto de Victor Civita sob os letreiros que dominam o saguão da Abril onde se lê: "A Abril está empenhada em contribuir para a difusão de informação, cultura e entretenimento, para o progresso da educação, a melhoria da qualidade de vida, o desenvolvimento da livre iniciativa e o fortalecimento das instituições democráticas do país". São princípios que sempre orientaram a nossa conduta e é curioso que, com certa freqüência, eles incomodem tanto.

 
 
 
 
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