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Carta ao leitor Princípios
imutáveis
 | | Victor
Civita na capa de VEJA: democracia e iniciativa privada |
Ao
depor no Conselho de Ética da Câmara, na semana passada, o deputado
petebista Roberto Jefferson tentou desqualificar vários órgãos
de imprensa. A VEJA ele fez duas acusações. Na primeira, contou
que, sentindo-se acuado pelo noticiário da revista, pediu ajuda ao então
ministro da Casa Civil, José Dirceu, que lhe teria respondido que nada
poderia fazer porque "VEJA é tucana". Em outra passagem de seu depoimento,
Jefferson disse que VEJA é petista. Para ele, a publicação
da primeira reportagem de VEJA que revelou o esquema de corrupção
do PTB na máquina pública e deflagrou a atual crise política
teve o "dedo do governo". As acusações
de partidarismo feitas a VEJA pelo deputado são uma contradição
em termo. Obviamente, uma revista não pode ser ao mesmo tempo governista
e oposicionista, tucana e petista. Cabe aqui dizer o que VEJA é. Em primeiro
lugar, ressalte-se que nossas convicções se firmaram muito antes
que aquelas duas correntes políticas tivessem se organizado como partidos.
Gerações de jornalistas passaram pela redação de VEJA
e a diversidade de pensamento dos mais brilhantes sempre se espelhou nas reportagens
publicadas pela revista. Mas é notável que desde seu primeiro número,
lançado em setembro de 1968, VEJA tenha tido uma linha indelével
de conduta reafirmada ao longo dos seus quase quarenta anos.
A edição de 29 de agosto de 1990 teve sua reportagem de capa dedicada
a Victor Civita, fundador da Abril, que edita VEJA. Ele morrera naquela semana,
aos 83 anos. A Carta ao leitor daquele número destacava que "seu Victor",
como era chamado, "era fanático pela livre iniciativa esclarecida e convencido
de que não há caminho melhor para desenvolver um país. E
intransigente defensor da democracia sem adjetivos, da sagrada liberdade do indivíduo
e da necessidade permanente de contar somente a verdade". A imagem da capa é
uma foto de Victor Civita sob os letreiros que dominam o saguão da Abril
onde se lê: "A Abril está empenhada em contribuir para a difusão
de informação, cultura e entretenimento, para o progresso da educação,
a melhoria da qualidade de vida, o desenvolvimento da livre iniciativa e o fortalecimento
das instituições democráticas do país". São
princípios que sempre orientaram a nossa conduta e é curioso que,
com certa freqüência, eles incomodem tanto. |