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Edição 1 752 - 22 de maio de 2002
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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br]

SUCESSÃO

A Previ e as doações de campanha 1

Os representantes da Previ nos conselhos de administração das 93 empresas em que ela é sócia receberam uma cartinha inédita. O remetente é o petista Sérgio Rosa, diretor do bilionário fundo de previdência do Banco do Brasil. O tema diz respeito às sempre controvertidas doações de campanha eleitoral.

A Previ e as doações 2

Sérgio Rosa quer que os conselheiros da Previ informem como o assunto das doações de campanha está sendo tratado nas companhias. Resumindo, o PT está de olho no processo.

Pólos (muito) opostos

Nizan Guanaes já criou setenta comerciais de trinta segundos para a campanha de José Serra. Desses, quinze serão efetivamente produzidos, depois de uma exaustiva rodada de pesquisas qualitativas. O ponto em comum entre eles são os dois recados que interessa a Nizan passar. Um é que esta eleição terá caráter plebiscitário. O outro é que o jogo está polarizado entre Serra e Lula, tentando expulsar a sombra de Ciro Gomes e Garotinho do cangote do candidato tucano. A ofensiva vai ao ar ainda neste mês.

Ao ataque

O novo diapasão da caravana tucana, com a chegada de Nizan Guanaes, pode ser medido pela frase dita pelo marqueteiro a um interlocutor na sexta-feira passada: "Chega de campanha autista".

 

.ECONOMIA

O temor da banca

Pelo menos um grande banco de investimentos está neste momento agindo preventivamente em relação ao favoritismo de Lula. Está trocando – com tanta discrição quanto possível nesses casos – os títulos do governo que possui por papéis de empresas privadas.

Terra da aviação

A gigante britânica BAE Systems deve anunciar até o fim do mês a instalação no Brasil de uma fábrica de peças de aviões comerciais destinadas à exportação. Serão peças sofisticadas, usadas por empresas como a Boeing e a francesa Aerospatiale. O Brasil, que já tem a Embraer (hoje a maior exportadora do país), quem diria, está consolidando um poderoso pólo de fabricação de aeronaves comerciais.

Concentração de forças

O banco BBM e a UBS (União de Bancos Suíços) estão estudando um acordo operacional, que não envolve associação.

Brasil ilegal

Os adulteradores de gasolina estão atacando de todos os lados. A Receita Federal acaba de apreender setenta carretas de solvente, o principal ingrediente da mistura à gasolina. Foi, como sempre, na fronteira com o Uruguai. É solvente à beça, mas o mais curioso é que a empresa capixaba que importava tanto material pagará espantosos 13 reais de conta de luz referente ao mês passado. Não é preciso ser muito sagaz para perceber que a importadora da muamba era uma empresa de fachada. De quebra, seu proprietário está com a prisão preventiva decretada pela Justiça do Rio de Janeiro.

A montanha-russa do poder

Quem transita pelos altos escalões da Petrobras percebe uma alteração nas relações de poder na maior empresa do país. Quando Philippe Reichstul presidia a estatal, o diretor de exploração e produção José Coutinho era o tal. Agora, na gestão de Francisco Gros, a estrela é o diretor de gás e energia, Antônio Menezes.

 

EDUCAÇÃO

Qualificação superior

O Ministério da Educação está fechando um extenso levantamento sobre o ensino médio do país que traz algumas boas surpresas. Uma delas: desde 1998, houve um acréscimo de 47.000 professores com curso superior lecionando no ensino fundamental das escolas públicas brasileiras.

Um degrau acima

Outra novidade que o estudo do MEC revela é a melhora do fluxo escolar nas escolas públicas. Há quatro anos, para cada 100 alunos matriculados na 1ª série do ensino fundamental, havia 23 cursando o 3º ano do ensino médio. Agora, esse número subiu para 35.

 

.AGROPECUÁRIA

A boa prosa

"Prosa de Brasília" foi a grande campeã deste ano. Não se trata aqui dos discursos no plenário do Congresso, porque estes tiveram pouquíssimo efeito prático. Prosa é uma vaca da raça gir, campeã leiteira da última Expozebu, encerrada na semana passada. Produziu, num só dia, 44 litros, o suficiente para alimentar 130 pessoas. Isso é dezesseis vezes mais do que se conseguia há dez anos. No silêncio do campo, deu-se uma revolução que o burburinho que vem da capital federal nem sempre deixa ouvir.

 

PRIVATIZAÇÃO

Um rolo sem fim

Jair Bilachi e João Bosco Madeiro, ex-presidente e ex-diretor de investimentos da Previ, são os próximos a ser ouvidos pela Polícia Federal no inquérito que apura o suposto pagamento de 90 milhões de reais em propinas na privatização da Telebrás. Ambos ligadíssimos ao notório ex-diretor do BB Ricardo Sérgio, ex-arrecadador de dinheiro de campanha para José Serra. Ricardo Sérgio é acusado por ACM de ser o principal envolvido na história. O inquérito, que nos últimos meses estava em ponto morto, anda agora em ritmo ligeiro.

 

Ele, finalmente, falou... de futebol

Egberto Nogueira

Steinbruch: mudo sobre a Vale, mas afiado no futebol


Desde que foi publicada a história do pedido de pagamento de propina na privatização da Vale do Rio Doce, Benjamin Steinbruch tem mantido um silêncio sepulcral diante da turbulência provocada pela revelação. Recusou dar entrevistas. Não abriu a boca. Na terça-feira passada, publicou um artigo na Folha de S.Paulo intitulado "Tristes madrugadas foram aquelas...". Com um título desses parecia que, enfim, Steinbruch daria sua versão da história. Que nada. O texto era sobre um assunto que todo mundo estava ansioso por saber sua opinião: o futebol brasileiro e as chances do país na Copa. Ele acha que não dá para acreditar num futebol em que "seus dirigentes não prestam contas de seus atos administrativos e financeiros" e "os clubes fazem transações fantasmas". Ah, bom.

 

Jogo de cena nos bastidores

Marlos Baker

Huck: negociação com a Globo e sondagem do SBT


Quando seus contratos estão prestes a terminar, os artistas costumam ciscar aqui e ali em conversas mais ou menos sigilosas com a concorrência. É do jogo. Agora, é a vez de Luciano Huck exercitar a prática. Seu contrato com a Globo termina no fim do ano. E ele já iniciou negociações com a emissora para renová-lo. No começo de maio, porém, Huck almoçou duas vezes na mesma semana com Guilherme Stoliar, superintendente do SBT.

 

Colaboraram Luiz Henrique Amaral e Marcelo Carneiro



 
 

 


 

   
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