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Alta
fidelidade
MTV faz Jorge Ben Jor voltar
ao
violão e ajuda a entender
por que ele foi tão influente
Sérgio
Martins
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| Ben
Jor: "Eu fui acústico antes de todo mundo" |

Veja também
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Jorge
Ben Jor tem 29 discos lançados, é um dos compositores mais
influentes da história da MPB, mas, nos anos 90, ficou conhecido
por muita gente como autor de uma música só W/Brasil.
Isso porque ele está há mais de seis anos sem lançar
material inédito. Mas, nesta sexta-feira, às 22h30, vai
ao ar um Acústico MTV que reafirma seu talento. Para as
gravações do programa (e do álbum duplo que também
está chegando às lojas), Ben Jor retomou o violão,
instrumento que lhe garantiu reconhecimento como músico e que ele
se recusava a tocar desde o fim dos anos 70. "Para mim isso é um
retrocesso. Fui acústico antes de todo mundo", resmunga. O projeto
recupera instrumentistas da principal banda de Ben Jor e canções
que não eram interpretadas por ele havia décadas. É
o melhor trabalho de Ben Jor em muito tempo.
O cantor e compositor carioca é um caso especial na música
brasileira. Construiu seu estilo a partir da mistura de MPB com gêneros
importados. Nos anos 60, interpretava sambas ao violão como se
estivesse tocando rock pauleira. "Quando ouvi Samba Esquema Novo,
disco de estréia de Jorge Ben Jor, passei meses sem pegar no violão.
Só queria ouvi-lo", lembra Gilberto Gil. O namoro com o rock foi
estreitado em discos como O Bidú, de 1967, em que se fez
acompanhar pelo grupo de iê-iê-iê The Fevers. No início
dos anos 70, o cantor exaltou a negritude e a vida dos subúrbios
cariocas nos trabalhos Força Bruta (1970), Negro É
Lindo (1971) e Ben (1972). "Ben Jor falou da periferia com
orgulho", diz Marcelo Yuka, líder do grupo O Rappa. A década
de 70 assistiu também às fusões do cantor com o funk,
o reggae e até a música africana. Os álbuns dessa
fase ajudaram a definir a cara do pop nacional dos anos 80 e 90.
Saudado como o grande retorno de Ben Jor ao violão, Acústico
MTV tem alguns truques. O músico trocou o violão de
cordas de náilon pelo de cordas de aço e plugado
na tomada. Ou seja, não é assim tão acústico.
"É muito mais difícil tocar esse tipo de violão.
Fiquei com os dedos cheios de bolhas", reclama Ben Jor. A caixa traz dois
CDs bem distintos. No primeiro, Ben Jor se faz acompanhar pelo Admiral
Jorge V, com o qual tocou nos anos 70. A falta de entrosamento é
evidente (o grupo teve pouco tempo para ensaiar), mas é o álbum
que traz as faixas que mais irão agradar aos nostálgicos.
Estão ali a versão acelerada da oração Jorge
da Capadócia, uma interpretação pauleira de Ponta
de Lança Africano (Umbabarauma) e a releitura honesta de Take
It Easy My Brother Charles. Outras canções estão
aquém da gravação original, caso de O Circo Chegou
(em que Ben Jor rima "Deise" com "raio lêisi"). O disco dois traz
o artista ao lado da Banda do Zé Pretinho. Menina Mulher da
Pele Preta, Que Maravilha e Por Causa de Você, Menina
estão no ponto certo para animar qualquer baile.
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