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Edição 1 752 - 22 de maio de 2002
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O Brasil no contra-ataque

Empresas brasileiras abrem filiais
no exterior, conquistam mercados
e driblam barreiras

Murilo Ramos

Divulgação
Cortesia BPC
Fábrica da Gerdau nos Estados Unidos: operações externas somam 30% da receita da empresa Estação de metrô em Portugal: uma das obras da construtora Odebrecht no exterior

Os brasileiros já se acostumaram a conviver com a presença de multinacionais das mais variadas origens que há muito fixaram endereço no país. Agora, os estrangeiros começam a se familiarizar com processos tipicamente brasileiros de tocar uma fábrica ou uma obra. Vem aumentando o número de empresas nacionais que abrem fábricas no exterior. Hoje, elas são mais de 300. Essas investidas fora das fronteiras já produzem anualmente 900 milhões de dólares em receitas. É uma gota no oceano quando se compara com o valor obtido fora do país de origem por empresas americanas, inglesas, italianas ou alemãs. Mas o que se nota é um esforço notável dos brasileiros para conquistar mercados no exterior. Essa é uma maneira de contornar parte de um grave subproduto da globalização econômica, o crescente protecionismo dos países ricos. "Uma das formas de driblar as barreiras é operar no próprio país discriminador", diz Michel Alaby, presidente da Associação de Empresas Brasileiras para a Integração do Mercosul.

Uma das pioneiras nesse campo foi a construtora Odebrecht, que atua fora do Brasil desde 1978. Do total de sua receita do ano passado, mais de 60% veio do exterior. Tem escritórios nos Estados Unidos, em Angola e em Portugal e atua em mais dez países. Suas principais obras hoje são a ampliação do aeroporto de Miami, construção orçada em 657 milhões de dólares, uma hidrelétrica em Angola e linhas de metrô em Portugal e na Venezuela. O projeto mais famoso foi a ponte do Rio Tejo, em Portugal.

 
Edison Vara
Renato Pizzutto
Jorge Gerdau: salto para o mercado externo Quilmes na camisa: sabor brasileiro

Além de abrir novos mercados, as multinacionais brasileiras vêm fazendo vital exercício de internacionalização. No Brasil, as empresas estão acostumadas a pensar no curto prazo e a olhar apenas para o consumidor interno. Os grupos internacionais são obrigados a pensar mais a longo prazo e suas estratégias raramente visam ao retorno imediato. Essa é a primeira lição que os desbravadores brasileiros estão aprendendo. Outro ensinamento é enfrentar de peito aberto as mais aguerridas e bem-sucedidas multinacionais do planeta no próprio país delas. Há muito tempo essas gigantes perceberam as vantagens de espalhar plantas pelo mundo e aproveitar o que existe de mais competitivo em cada região. A Gerdau, que tem usinas nos Estados Unidos e no Canadá, utiliza com inteligência essa doutrina. Um fator é o mais decisivo: o custo do dinheiro. Estabelecida no Primeiro Mundo, a empresa capta recursos pagando juros bem menores – da ordem de um terço a um quarto – do que teria de pagar aos bancos se operasse do Brasil. "Os custos maiores com mão-de-obra são compensados com vantagens financeiras", diz Jorge Gerdau Johannpeter, presidente da Gerdau, um dos maiores grupos siderúrgicos do país. Atualmente, 30% de seu faturamento total vem de fora.

Outra empresa brasileira que já está consolidada no mercado internacional é a gaúcha Marcopolo, fabricante de ônibus. Iniciou suas operações no início da década de 70, e hoje mais de 50% de seu faturamento vem de terras estrangeiras. Está presente na Colômbia, no México, na Argentina, na África do Sul e na China. Com plantas espalhadas em tantos lugares, a Marcopolo aprendeu a conhecer um pouco mais as diferentes culturas de seus clientes e a adaptar os produtos ao gosto do freguês. Para os países muçulmanos, por exemplo, ela fabrica ônibus com duas entradas e compartimentos separados para homens e mulheres. Já vendeu mais de 5.000 unidades como essas. Na onda de internacionalização das empresas, a AmBev, a quarta maior cervejaria do mundo, está investindo pesado na América Latina. Recentemente, ampliou ainda mais sua força na região com a compra de 37% da participação da tradicional fabricante de cerveja Quilmes, da Argentina. Com a transação, já concentra a preferência de 17% da população argentina, além de ter se fortalecido nos demais países latino-americanos.

 



 
 
   
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