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O Brasil no contra-ataque
Empresas
brasileiras abrem filiais
no exterior, conquistam mercados
e driblam barreiras

Murilo Ramos
Divulgação
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Cortesia BPC
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| Fábrica
da Gerdau nos Estados Unidos: operações externas somam
30% da receita da empresa |
Estação
de metrô em Portugal: uma das obras da construtora Odebrecht
no exterior |
Os brasileiros
já se acostumaram a conviver com a presença de multinacionais
das mais variadas origens que há muito fixaram endereço
no país. Agora, os estrangeiros começam a se familiarizar
com processos tipicamente brasileiros de tocar uma fábrica ou uma
obra. Vem aumentando o número de empresas nacionais que abrem fábricas
no exterior. Hoje, elas são mais de 300. Essas investidas fora
das fronteiras já produzem anualmente 900 milhões de dólares
em receitas. É uma gota no oceano quando se compara com o valor
obtido fora do país de origem por empresas americanas, inglesas,
italianas ou alemãs. Mas o que se nota é um esforço
notável dos brasileiros para conquistar mercados no exterior. Essa
é uma maneira de contornar parte de um grave subproduto da globalização
econômica, o crescente protecionismo dos países ricos. "Uma
das formas de driblar as barreiras é operar no próprio país
discriminador", diz Michel Alaby, presidente da Associação
de Empresas Brasileiras para a Integração do Mercosul.
Uma das
pioneiras nesse campo foi a construtora Odebrecht, que atua fora do Brasil
desde 1978. Do total de sua receita do ano passado, mais de 60% veio do
exterior. Tem escritórios nos Estados Unidos, em Angola e em Portugal
e atua em mais dez países. Suas principais obras hoje são
a ampliação do aeroporto de Miami, construção
orçada em 657 milhões de dólares, uma hidrelétrica
em Angola e linhas de metrô em Portugal e na Venezuela. O projeto
mais famoso foi a ponte do Rio Tejo, em Portugal.
Edison Vara
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Renato Pizzutto
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| Jorge
Gerdau: salto para o mercado externo |
Quilmes
na camisa: sabor brasileiro |
Além
de abrir novos mercados, as multinacionais brasileiras vêm fazendo
vital exercício de internacionalização. No Brasil,
as empresas estão acostumadas a pensar no curto prazo e a olhar
apenas para o consumidor interno. Os grupos internacionais são
obrigados a pensar mais a longo prazo e suas estratégias raramente
visam ao retorno imediato. Essa é a primeira lição
que os desbravadores brasileiros estão aprendendo. Outro ensinamento
é enfrentar de peito aberto as mais aguerridas e bem-sucedidas
multinacionais do planeta no próprio país delas. Há
muito tempo essas gigantes perceberam as vantagens de espalhar plantas
pelo mundo e aproveitar o que existe de mais competitivo em cada região.
A Gerdau, que tem usinas nos Estados Unidos e no Canadá, utiliza
com inteligência essa doutrina. Um fator é o mais decisivo:
o custo do dinheiro. Estabelecida no Primeiro Mundo, a empresa capta recursos
pagando juros bem menores da ordem de um terço a um quarto
do que teria de pagar aos bancos se operasse do Brasil. "Os custos
maiores com mão-de-obra são compensados com vantagens financeiras",
diz Jorge Gerdau Johannpeter, presidente da Gerdau, um dos maiores grupos
siderúrgicos do país. Atualmente, 30% de seu faturamento
total vem de fora.
Outra empresa
brasileira que já está consolidada no mercado internacional
é a gaúcha Marcopolo, fabricante de ônibus. Iniciou
suas operações no início da década de 70,
e hoje mais de 50% de seu faturamento vem de terras estrangeiras. Está
presente na Colômbia, no México, na Argentina, na África
do Sul e na China. Com plantas espalhadas em tantos lugares, a Marcopolo
aprendeu a conhecer um pouco mais as diferentes culturas de seus clientes
e a adaptar os produtos ao gosto do freguês. Para os países
muçulmanos, por exemplo, ela fabrica ônibus com duas entradas
e compartimentos separados para homens e mulheres. Já vendeu mais
de 5.000 unidades como essas. Na onda de internacionalização
das empresas, a AmBev, a quarta maior cervejaria do mundo, está
investindo pesado na América Latina. Recentemente, ampliou ainda
mais sua força na região com a compra de 37% da participação
da tradicional fabricante de cerveja Quilmes, da Argentina. Com a transação,
já concentra a preferência de 17% da população
argentina, além de ter se fortalecido nos demais países
latino-americanos.
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