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Candidaturas
de alto risco
Campanha presidencial na Colômbia
chega ao fim em meio a atentados,
ameaças, seqüestros e combates
Reuters
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Álvaro
Uribe
47%
das
intenções de voto.
Sobreviveu a dois atentados.
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Para
ser candidato a presidente na Colômbia não basta ter boas
propostas, carisma e apoio popular é preciso ter muita coragem.
No próximo domingo, os colombianos vão às urnas para
o primeiro turno das eleições presidenciais. Em qualquer
país do mundo, os candidatos aproveitam os últimos dias
de campanha para fazer comícios e visitar cidades. Na Colômbia,
mergulhada há quatro décadas numa guerra civil que já
matou 60.000 pessoas desde 1985, está ocorrendo o inverso. O próprio
governo aconselhou os candidatos a evitar aparições públicas
na reta final de campanha e, em troca, ofereceu espaço na TV estatal.
O temor não é exagerado. Dos cinco candidatos, três
foram alvo de atentados. A escritora Ingrid Betancourt, que concorre por
um pequeno partido ecologista, foi seqüestrada em fevereiro pelos
guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia
(Farc) e continua no cativeiro. Grupos paramilitares de direita e cartéis
do narcotráfico também usam o terror para intimidar políticos
e eleitores.
O candidato favorito nas pesquisas, o independente Álvaro Uribe,
com 47% das intenções de voto, já escapou ileso de
dois atentados. No mais violento, há um mês, três pessoas
morreram com a explosão de uma bomba quando o carro de Uribe passava,
num ataque atribuído aos guerrilheiros das Farc. Ex-governador
e advogado com doutorado em Oxford, ele é alvo fácil
defende o recrudescimento do combate à guerrilha. A violência
também ronda as demais candidaturas. A polícia descobriu
a tempo um complô dos grupos paramilitares para assassinar o esquerdista
Luis Eduardo Garzón, terceiro nas pesquisas (7% das intenções
de voto). O candidato do governo, Horacio Serpa, com 27% nas sondagens,
não foi ameaçado, mas seu vice também escapou de
um atentado abortado a tempo pela polícia.
Reuters
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Horacio
Serpa
27%
das intenções de voto.
A
polícia impediu atentado
contra seu vice.
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A
campanha colombiana reflete o caos em que o país está mergulhado.
Guerrilha, paramilitares e narcotráfico dominam vastas regiões
do interior e vetam a presença de candidatos em seus redutos. O
Exército limita-se a controlar as áreas urbanas, onde vivem
70% da população. No mês passado, 117 civis de um
vilarejo no norte do país morreram dentro de uma igreja atingida
por uma bomba das Farc, que lutavam com os paramilitares pelo controle
da área. O Exército levou uma semana para chegar ao local.
Fatos como esse acabam sendo usados para ganhar votos. A candidatura de
Uribe subiu à custa de críticas ao presidente Andrés
Pastrana que gastou três anos de seu mandato tentando fechar,
sem conseguir, um acordo com as Farc. Como consolo, vale lembrar que a
campanha atual não é a mais violenta. Em 1990, quando os
cartéis do narcotráfico declararam guerra ao governo, três
candidatos presidenciais foram assassinados.
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