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Edição 1 752 - 22 de maio de 2002
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Candidaturas de alto risco

Campanha presidencial na Colômbia
chega ao fim em meio a atentados,
ameaças, seqüestros e combates

 
Reuters

Álvaro Uribe
47% das intenções de voto.
Sobreviveu a dois atentados.

Para ser candidato a presidente na Colômbia não basta ter boas propostas, carisma e apoio popular – é preciso ter muita coragem. No próximo domingo, os colombianos vão às urnas para o primeiro turno das eleições presidenciais. Em qualquer país do mundo, os candidatos aproveitam os últimos dias de campanha para fazer comícios e visitar cidades. Na Colômbia, mergulhada há quatro décadas numa guerra civil que já matou 60.000 pessoas desde 1985, está ocorrendo o inverso. O próprio governo aconselhou os candidatos a evitar aparições públicas na reta final de campanha e, em troca, ofereceu espaço na TV estatal. O temor não é exagerado. Dos cinco candidatos, três foram alvo de atentados. A escritora Ingrid Betancourt, que concorre por um pequeno partido ecologista, foi seqüestrada em fevereiro pelos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e continua no cativeiro. Grupos paramilitares de direita e cartéis do narcotráfico também usam o terror para intimidar políticos e eleitores.

O candidato favorito nas pesquisas, o independente Álvaro Uribe, com 47% das intenções de voto, já escapou ileso de dois atentados. No mais violento, há um mês, três pessoas morreram com a explosão de uma bomba quando o carro de Uribe passava, num ataque atribuído aos guerrilheiros das Farc. Ex-governador e advogado com doutorado em Oxford, ele é alvo fácil – defende o recrudescimento do combate à guerrilha. A violência também ronda as demais candidaturas. A polícia descobriu a tempo um complô dos grupos paramilitares para assassinar o esquerdista Luis Eduardo Garzón, terceiro nas pesquisas (7% das intenções de voto). O candidato do governo, Horacio Serpa, com 27% nas sondagens, não foi ameaçado, mas seu vice também escapou de um atentado abortado a tempo pela polícia.

 
Reuters

Horacio Serpa
27% das intenções de voto.
A polícia impediu atentado contra seu vice.

A campanha colombiana reflete o caos em que o país está mergulhado. Guerrilha, paramilitares e narcotráfico dominam vastas regiões do interior e vetam a presença de candidatos em seus redutos. O Exército limita-se a controlar as áreas urbanas, onde vivem 70% da população. No mês passado, 117 civis de um vilarejo no norte do país morreram dentro de uma igreja atingida por uma bomba das Farc, que lutavam com os paramilitares pelo controle da área. O Exército levou uma semana para chegar ao local. Fatos como esse acabam sendo usados para ganhar votos. A candidatura de Uribe subiu à custa de críticas ao presidente Andrés Pastrana – que gastou três anos de seu mandato tentando fechar, sem conseguir, um acordo com as Farc. Como consolo, vale lembrar que a campanha atual não é a mais violenta. Em 1990, quando os cartéis do narcotráfico declararam guerra ao governo, três candidatos presidenciais foram assassinados.

 
 
   
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