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Edição 1 752 - 22 de maio de 2002
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Os gatunos dão
o tom do mercado

Metade da venda de CDs já está
nas mãos dos piratas. A indústria
sofre com a concorrência desleal
e pede socorro

Até alguns anos atrás, Hong Kong era conhecida como um dos maiores centros de fabricação e exportação de CDs piratas do planeta. A pressão internacional da indústria fonográfica, combinada com uma ação eficiente do governo local no campo da legislação e da fiscalização, entretanto, conseguiu desbaratar a máfia da falsificação, e os criminosos tiveram de se mudar para outra freguesia. Na Polônia, a história foi semelhante. A pirataria controlava quase 100% do mercado há cinco anos. Depois que o governo se mobilizou para fechar fábricas e apreender os produtos ilegais, esse número caiu para 40%. "O índice ainda é alto, mas a melhora foi significativa", diz Raul Vazquez, diretor para a América Latina da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI).

Esses exemplos são a prova de que é possível combater a falsificação de CDs, negócio que movimenta quase 2 bilhões de dólares em todo o mundo. Para isso, é preciso promover uma guerra que ataque todos os segmentos da indústria clandestina. O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial da pirataria. Em 2001, a venda ilegal de CDs fez girar 450 milhões de dólares no país, 50% mais que em 2000. Em março do ano passado, o governo criou uma comissão especial para cuidar do assunto. Mas, até agora, o que se viu de ação concreta foi uma única operação, realizada em janeiro deste ano, com resultados bastante modestos: apreensão de 38.000 CDs, prisão em flagrante de cinco pessoas e indiciamento de outras 58. "Em Goiânia, um único delegado decidido a resolver o problema já conseguiu bem mais que isso. A iniciativa dele deveria ser reproduzida no resto do país", afirma Márcio Gonçalves, diretor-geral da Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD).

No comando da Delegacia de Defesa do Consumidor de Goiás há cinco meses, Antônio Carlos de Lima adotou uma estratégia para quebrar financeiramente a cadeia produtiva do CD pirata. "O que é mais caro para os piratas é o encarte dos discos. Já fechamos cinco gráficas que faziam impressões para essa máfia e, com isso, dificultamos seu trabalho", conta Lima, que também já desativou doze estúdios de gravação, trinta distribuidoras e apreendeu 200.000 CDs falsificados. "Prender o pirata só não adianta, já que muitas vezes com 50 reais ele paga a fiança e volta para as ruas", afirma o delegado.

O mercado consumidor de produtos falsos é estimulado pela diferença de preço entre o artigo original e o falsificado. Enquanto um CD produzido legalmente custa em média 25 reais, uma cópia pirata pode ser adquirida por 5 reais. Os artistas pirateados são todos os que fazem sucesso no momento, sem distinção de estilo ou qualidade musical. De 1997 para cá, a pirataria provocou uma queda de 27% no faturamento das gravadoras. "No Nordeste do país, por exemplo, a falsificação é tão forte que as gravadoras não mantêm mais divulgadores nem vendedores", lamenta Marcos Maynard, presidente da Abril Music.

 



   
 
   
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