Os gatunos dão
o tom do mercado
Metade
da venda de CDs já está
nas mãos dos piratas. A indústria
sofre com a concorrência desleal
e pede socorro
Até
alguns anos atrás, Hong Kong era conhecida como um dos maiores
centros de fabricação e exportação de CDs
piratas do planeta. A pressão internacional da indústria
fonográfica, combinada com uma ação eficiente do
governo local no campo da legislação e da fiscalização,
entretanto, conseguiu desbaratar a máfia da falsificação,
e os criminosos tiveram de se mudar para outra freguesia. Na Polônia,
a história foi semelhante. A pirataria controlava quase 100% do
mercado há cinco anos. Depois que o governo se mobilizou para fechar
fábricas e apreender os produtos ilegais, esse número caiu
para 40%. "O índice ainda é alto, mas a melhora foi
significativa", diz Raul Vazquez, diretor para a América Latina
da Federação Internacional da Indústria Fonográfica
(IFPI).
Esses exemplos
são a prova de que é possível combater a falsificação
de CDs, negócio que movimenta quase 2 bilhões de dólares
em todo o mundo. Para isso, é preciso promover uma guerra que ataque
todos os segmentos da indústria clandestina. O Brasil ocupa o segundo
lugar no ranking mundial da pirataria. Em 2001, a venda ilegal de CDs
fez girar 450 milhões de dólares no país, 50% mais
que em 2000. Em março do ano passado, o governo criou uma comissão
especial para cuidar do assunto. Mas, até agora, o que se viu de
ação concreta foi uma única operação,
realizada em janeiro deste ano, com resultados bastante modestos: apreensão
de 38.000 CDs, prisão em flagrante de cinco pessoas e indiciamento
de outras 58. "Em Goiânia, um único delegado decidido
a resolver o problema já conseguiu bem mais que isso. A iniciativa
dele deveria ser reproduzida no resto do país", afirma Márcio
Gonçalves, diretor-geral da Associação Brasileira
dos Produtores de Discos (ABPD).
No comando
da Delegacia de Defesa do Consumidor de Goiás há cinco meses,
Antônio Carlos de Lima adotou uma estratégia para quebrar
financeiramente a cadeia produtiva do CD pirata. "O que é
mais caro para os piratas é o encarte dos discos. Já fechamos
cinco gráficas que faziam impressões para essa máfia
e, com isso, dificultamos seu trabalho", conta Lima, que também
já desativou doze estúdios de gravação, trinta
distribuidoras e apreendeu 200.000 CDs falsificados. "Prender o pirata
só não adianta, já que muitas vezes com 50 reais
ele paga a fiança e volta para as ruas", afirma o delegado.
O mercado
consumidor de produtos falsos é estimulado pela diferença
de preço entre o artigo original e o falsificado. Enquanto um CD
produzido legalmente custa em média 25 reais, uma cópia
pirata pode ser adquirida por 5 reais. Os artistas pirateados são
todos os que fazem sucesso no momento, sem distinção de
estilo ou qualidade musical. De 1997 para cá, a pirataria provocou
uma queda de 27% no faturamento das gravadoras. "No Nordeste do país,
por exemplo, a falsificação é tão forte que
as gravadoras não mantêm mais divulgadores nem vendedores",
lamenta Marcos Maynard, presidente da Abril Music.

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