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Edição 1 752 - 22 de maio de 2002
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A nau de Colombo

Encontrados na costa do Panamá
os destroços de uma caravela
do descobridor da América


Fotos AP
AFP
Réplica de barco de Colombo (acima), mergulhadores resgatam canhão e outras peças do Vizcaina: 500 anos sob o mar

Cristóvão Colombo fez quatro viagens à América, mas são raras as evidências arqueológicas dessas incursões no continente. Nem sequer se sabe exatamente onde ele instalou a primeira guarnição espanhola. Por isso, justifica-se o entusiasmo de historiadores e arqueólogos com a identificação dos destroços de um de seus navios, anunciada na semana passada no Panamá. Trata-se da Vizcaina, caravela abandonada em 1503 com o casco corroído por um molusco marinho que ataca a madeira. Os destroços foram achados há quatro anos, a 800 metros da costa de Colón, no Panamá. Só em outubro do ano passado mergulhadores começaram a retirar a camada de lama que escondia o casco. O que se encontrou foi surpreendente: 80% do barco está em bom estado de preservação e mais de 1.000 objetos já foram recuperados. A identificação se deu com base em indícios convincentes. O tipo de construção e as dimensões da embarcação – feita de carvalho e pesando 100 toneladas, tinha 20 metros de comprimento por 5 de largura – ajustam-se com a descrição das caravelas do navegador. O casco era vedado com uma camada de piche, método usado até 1508, quando foi substituído por chumbo. Os três canhões, os potes de cerâmica e as garrafas de vidro encontradas a bordo são do século XVI. "Não mais de vinte navios afundaram entre 1500 e 1819 nessa região", diz Rafael Ruiloba, diretor do Instituto Nacional de Cultura do Panamá, responsável pela identificação. "Só pode ser a Vizcaina."

A descoberta coincide com os 500 anos do início da quarta e última viagem de Colombo à América. O almirante era então um homem doente e amargurado, com o prestígio em baixa na corte dos reis Fernando e Isabel. Convicto de ter descoberto o caminho para a China, ele esperava encontrar Vasco da Gama no Oriente. Temeroso de seu temperamento irascível, o rei Fernando até recomendou que fosse cordial com o navegante português. Colombo chegou em junho a Santo Domingo, no Caribe, mas o governador espanhol, um de seus rivais, proibiu sua entrada no porto. Colombo então navegou para o sul com seus quatro navios, explorando a costa. A resistência dos índios, que destruíram um de seus barcos, e doenças dizimaram a tripulação. Foi então que abandonou a Vizcaina, com o porão inundado. As duas últimas embarcações encalharam na Jamaica e o navegador só foi resgatado um ano mais tarde, por canoas. Morreu dois anos depois, em 1506, na Espanha.



   
 
   
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