| Fale conosco |
| Ajuda |
| Mapa do site |
![]() |
|
|
Crie seu grupo |
Até que enfim O governo
vai lançar uma
Karina Pastore
O rapaz toca a campainha. Dentro de casa, a mulher avisa o marido: É ele. O homem abre a porta e o jovem diz: Preciso muito... Enérgico, quase autoritário, o outro interrompe: Ele não vai falar com você. E não volte mais aqui! A porta se fecha. Marido e mulher vão até o quarto do filho. E aí? Ele já foi embora? quer saber o moço. Não se preocupe, não. Você ainda vai encontrar alguém que te merece consola o pai. Alguém que use camisinha arremata a mãe. Uma voz masculina faz, então, a advertência: "Respeitar as diferenças é tão importante quanto usar preservativo". Até o fim do mês, o drama do jovem infectado com o HIV pelo namorado será exibido na televisão. São trinta segundos de filme, um marco na história das campanhas de prevenção à Aids no Brasil. Pela primeira vez, em quase duas décadas de epidemia, o Ministério da Saúde lança uma propaganda destinada especificamente aos homossexuais. Ainda que chegue com alguns anos de atraso, a campanha representa um grande passo. E não apenas porque está dirigida aos gays, mas pela forma como trata a homossexualidade. "Ao trazer a realidade homossexual à tona, sem estereótipos nem preconceitos, a campanha cria um ambiente favorável à prevenção", analisa o sanitarista Mario Scheffer, representante do Movimento de Luta contra a Aids no Conselho Nacional de Saúde.
Além do filme para a TV, a campanha inclui uma propaganda a ser veiculada nas principais revistas do país. Ela traz a foto de um homem mais velho abraçando um jovem, e seus dizeres incentivam as famílias e a sociedade em geral a tratar abertamente da homossexualidade. Propõe, enfim, uma "saída do armário" geral, como forma de combater a epidemia de Aids. Também serão distribuídos folhetos em saunas, boates e bares de freqüência predominantemente gay. Um deles traz o slogan "Camisinha e gel: parceiros inseparáveis", para lembrar que o lubrificante evita que o preservativo se rompa durante o ato sexual. Outro terá como objetivo o público das dark rooms, as salas escuras de algumas boates que servem única e exclusivamente à prática do sexo anônimo entre homossexuais. O slogan, nesse caso, é "Camisinha tem de aparecer no escuro".
|
|
|