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Engordar aqui, emagrecer (um pouco menos) ali, só para engordar de novo mais adiante. Sentir dor na consciência cada vez que atacar uma fatia de bolo de chocolate na festinha de aniversário do amiguinho do filho. À noite, sonhar com outra fatia. Inscrever-se na academia, comprar tênis e acessórios, começar no maior pique e parar "por falta de tempo". Falar de regime no trabalho, no lazer, com os amigos, com a família, até com os outros convidados da festinha com bolo de chocolate do amiguinho do filho. Reconheceu-se, caro leitor que vive de dieta? Pois saiba que quase metade do Brasil lhe faz companhia na legião de preocupados com o que comem, em geral por causa do peso. Segundo uma pesquisa realizada pelo Ibope em nove capitais e ainda nas principais cidades da Região Sudeste, 45,8% da população presta atenção no que põe no prato. Mais: uma em cada dez pessoas está disposta a tomar qualquer coisa e seguir qualquer regime que prometa emagrecimento rápido e, de preferência, com pouco esforço o mercado dos sonhos para uma indústria de aparelhos, pílulas, chás, cintas, cremes e manuais em franca expansão num país em que o índice de sobrepeso e obesidade bate hoje nos 40% da população.
Produtos
para perder peso são atualmente o xodó dos laboratórios
farmacêuticos. "A obesidade representa sem dúvida o maior
mercado de remédios do futuro", diz John Maraganore, vice-presidente
da Millennium Pharmaceuticals, empresa americana que desenvolve drogas
antiobesidade para o laboratório Abbott. Um levantamento recente
indica que nos Estados Unidos onde vivem 54 milhões de pessoas
efetivamente obesas, ou seja, com de mais de 10 quilos acima do peso ideal
estão sendo desenvolvidos neste momento entre cinqüenta
e 100 remédios para emagrecer. Infelizmente, os aprovados só
começarão a chegar à farmácia dentro de no
mínimo dois anos. Compradores não faltarão: segundo
a pesquisa do Ibope, 15% da população brasileira declara
ingerir algum tipo de medicamento ou de produto para controlar o peso.
Sem acompanhamento, o uso indiscriminado de remédios pode extrapolar
para a patologia. "Constatamos que 90% das pessoas que nos procuram usam
medicamentos para emagrecer. É um índice muito alto", alerta
o psiquiatra Táki Cordás, coordenador do Ambulatório
de Bulimia e Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital
das Clínicas de São Paulo (Ambulim).
Regime, seja ele de líquidos, de tipo sanguíneo, de proteínas, de verdura-fruta-carne magra, sempre emagrece. O problema vem depois. "Existem estudos mostrando que engordar e emagrecer seguidamente é pior que ficar gordo", diz Alfredo Halpern, o endocrinologista da chamada dieta dos pontos, que ensina a combinar a quantidade certa de nutrientes com o número de calorias necessário para emagrecer e continuar magro. Há uma cota admissível, segundo o critério dos médicos mais rigorosos, para ganhar e perder peso sem prejuízo ao organismo: 2 a 3 quilos de cada vez. É pouco, especialmente para homens que têm um volume corporal considerável. Mais que isso, porém, alertam os médicos, instaura-se o deletério efeito sanfona, potencial causador de problemas cardiovasculares e grande estimulador de resistência metabólica a novos regimes (o corpo aprende a se resguardar da falta de alimentos e, a cada vez, fica mais difícil perder peso).
Nas movimentadas salas de espera dos endocrinologistas, boa parte dos pacientes já tentou regimes sem resultados e tem pressa de emagrecer. "Quando chegam ao consultório, muitos já foram enganados por fórmulas mágicas e vêm em busca de um tratamento sério que surta efeito. Só que boa parte não tem paciência de emagrecer devagar e acaba abandonando a dieta prescrita", lamenta Halpern. Quem consegue chegar lá, em geral, enfrenta um problema tão ou mais difícil, a malfadada fase de manutenção. As pesquisas indicam que 90% dos magros à custa de regime engordam de novo, um número que praticamente condena os com-gordura ao ciclo eterno de repetição das dietas. "É na etapa da manutenção que o pessoal abandona o tratamento", constata o endocrinologista Marcio Mancini, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso). "Depois de chegar ao peso desejado, as pessoas começam a cometer excessos e acabam retomando os hábitos antigos de alimentação."
Qualquer um que tenha sequer pensado em perder peso já sabe a esta altura que o método ideal é a propalada reeducação alimentar ou seja, privar-se para todo o sempre das coisas gostosas. Viver de regime é chato, antinatural, mesmo para quem tem uma disciplina de fuzileiro naval de filme americano. A necessidade e o prazer de comer estão entranhados no patamar dos desejos humanos mais elementares. Daí tantos abandonarem; daí tantos recomeçarem, testando um milagre novo. Nessa luta interminável contra a balança, os ansiosos estão em desvantagem, visto que comer é uma das formas mais comuns de aplacar a aflição. "Uma das maneiras de lidar com isso é identificar as maiores fontes de ansiedade e tomar providências adequadas. Por exemplo, se reuniões de trabalho são motivo de nervosismo, jamais tenha um pacote de biscoitos na gaveta", orienta a psicóloga paulista Beatriz Coimbra de Araújo, especializada em transtornos alimentares. Outro truque é, na hora do impulso na direção da geladeira, distrair-se com alguma atividade. "Faça uma caminhada. Vá ao cinema. Tome um banho", exemplifica Beatriz.
De truque em truque, a vida de quem vive no vaivém das dietas pode ficar um pouco, pouquinho, menos sacrificada. Ponha na salada alimentos que têm de ser bem mastigados e comidos devagar. Jogue fora a balança de casa e pese-se na da farmácia, no máximo uma vez por semana. E, importantíssimo, permita-se de vez em quando extravagâncias, cuidadosamente espaçadas (uma das melhores sugestões: carne de churrascaria. Peça meia porção, de um tipo sem gordura, e acompanhe com salada. Nada se compara à sensação de saciedade e ao sabor do churrasco na brasa). "Dieta não pode ser sofrimento constante e a pessoa não pode se sentir culpada quando come uma coisa de que gosta muito", diz o nutricionista Leonardo Haus, do Rio de Janeiro. Nos "fins de semana de equilíbrio alimentar" que Haus organiza na região da serra fluminense, o momento mais delicioso é aquele em que advoga uma pausa semanal na dieta, quando a pessoa pode comer o que quiser. Já sua receita para o "day after" é controvertida. Haus sugere um famélico cardápio de suco e frutas no café da manhã, água-de-coco no lanche, legumes e verduras no almoço, fruta à tarde, sopa de hortaliças no jantar e outra fruta antes de dormir. "A gordura e o álcool ingeridos fazem com que a pessoa retenha líquidos e inche, o que dá a impressão de engordar e desencoraja. O dia de limpeza serve para eliminar esse excesso", afirma. Outros especialistas discordam da tal limpeza consideram que ela não tem nenhum efeito prático, a não ser configurar um ser morto de fome à noite. "Quem dá uma escorregada e abusa um dia deve, na seqüência, retomar o programa estabelecido. Não deve tentar compensar pulando refeições, ou só tomando líquidos. Se isso se transforma em hábito, pode até levar a um distúrbio alimentar", avisa Iara Cecília Pasqua, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Ou seja, o regime regulado, ordenado e disciplinado é a única saída enquanto não chega o portentoso dia em que se poderá comer de tudo, tomar um remedinho e pronto: adeus, gordura dispensável.
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Auto-ajuda dos famintos "Dieta é disciplina, moderação e persistência", ensina Adela Ramos Martin, orientadora nutricional dos Vigilantes do Peso, programa freqüentado por milhões de pessoas em todo o mundo. Algumas de suas sugestões para suportar o pratinho de regime:
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Os truques dos famosos
Veja as saídas de alguns notórios desafetos da balança
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Com reportagem de Bel Moherdaui e Silvia Rogar
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