Amor no quartel
Ingleses
permitem visita
íntima para atrair recrutas
O Exército
inglês é considerado um dos mais profissionais e bem treinados
que existem seu problema é encontrar recrutas. Está
difícil manter o quadro permanente de 108.000
integrantes. Para piorar a situação, o número de
militares que desistem da profissão é alto anualmente,
4,5% dos oficiais e 6% dos soldados rasos pedem dispensa. No momento,
o alto comando luta para encontrar candidatos para um vazio de 6.500
homens nas fileiras de Sua Majestade. A estratégia do Exército
para atrair interessados é, digamos, tornar menos marcial a vida
da soldadesca. A mais surpreendente novidade foi a permissão para
que os solteiros de ambos os sexos recebam visitas íntimas dentro
dos quartéis. A regalia vale também para homossexuais, que
são aceitos na vida militar inglesa desde 2000, e já começou
a ser implantada na forma de projeto piloto num quartel ao norte de Londres.
Não
é bem um vale-tudo. Parte da ala residencial dos militares casados
foi desocupada e os solteiros que desejam passar a noite com a namorada
precisam reservar uma das residências. "O que acontece lá
dentro é uma questão pessoal. Esperamos apenas que se portem
como se estivessem na própria casa", disse a VEJA Harry Scott,
porta-voz do Exército inglês. Salário não é
um problema nas casernas um oficial tem padrão de vida de
classe média. Tampouco se revela problemática a imagem pública
da carreira militar, que continua prestigiada pelos jovens. A encrenca
parece estar no rigor do cotidiano da tropa. Há várias outras
medidas em estudo com o objetivo de torná-lo mais parecido com
o dos civis. Os soldados casados que vivem em dependências militares
já podem perambular trajando roupas civis no quartel, desde que
fora do horário de serviço. A permissão será
estendida aos solteiros nos próximos meses. Como parte da estratégia
de tornar a vida na caserna mais atraente, os sargentos são instruídos
a não gritar com os recrutas já no primeiro dia.
Uma das
maiores preocupações dos generais é reformar a vida
no quartel sem afetar o moral e a eficiência das tropas. Por isso,
outra modernização, a presença de mulheres na frente
de batalha, não prosperou. O Ministério da Defesa estudou
o assunto durante quatro anos e, no começo deste mês, saiu
a conclusão: as moças vão continuar longe dos combates.
Isso se deve, em boa parte, à menor força física.
Elas não conseguem, por exemplo, carregar os feridos nas costas.
A deputada do Partido Trabalhista Claire Ward tentou provar o contrário
em um teste de campo. Passou um ano treinando com os fuzileiros navais
de Sua Majestade e voltou convencida de que combate é mesmo coisa
de homem.
|