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Edição 1 752 - 22 de maio de 2002
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Amor no quartel

Ingleses permitem visita
íntima para atrair recrutas

O Exército inglês é considerado um dos mais profissionais e bem treinados que existem – seu problema é encontrar recrutas. Está difícil manter o quadro permanente de 108.000 integrantes. Para piorar a situação, o número de militares que desistem da profissão é alto – anualmente, 4,5% dos oficiais e 6% dos soldados rasos pedem dispensa. No momento, o alto comando luta para encontrar candidatos para um vazio de 6.500 homens nas fileiras de Sua Majestade. A estratégia do Exército para atrair interessados é, digamos, tornar menos marcial a vida da soldadesca. A mais surpreendente novidade foi a permissão para que os solteiros de ambos os sexos recebam visitas íntimas dentro dos quartéis. A regalia vale também para homossexuais, que são aceitos na vida militar inglesa desde 2000, e já começou a ser implantada na forma de projeto piloto num quartel ao norte de Londres.

Não é bem um vale-tudo. Parte da ala residencial dos militares casados foi desocupada e os solteiros que desejam passar a noite com a namorada precisam reservar uma das residências. "O que acontece lá dentro é uma questão pessoal. Esperamos apenas que se portem como se estivessem na própria casa", disse a VEJA Harry Scott, porta-voz do Exército inglês. Salário não é um problema nas casernas – um oficial tem padrão de vida de classe média. Tampouco se revela problemática a imagem pública da carreira militar, que continua prestigiada pelos jovens. A encrenca parece estar no rigor do cotidiano da tropa. Há várias outras medidas em estudo com o objetivo de torná-lo mais parecido com o dos civis. Os soldados casados que vivem em dependências militares já podem perambular trajando roupas civis no quartel, desde que fora do horário de serviço. A permissão será estendida aos solteiros nos próximos meses. Como parte da estratégia de tornar a vida na caserna mais atraente, os sargentos são instruídos a não gritar com os recrutas já no primeiro dia.

Uma das maiores preocupações dos generais é reformar a vida no quartel sem afetar o moral e a eficiência das tropas. Por isso, outra modernização, a presença de mulheres na frente de batalha, não prosperou. O Ministério da Defesa estudou o assunto durante quatro anos e, no começo deste mês, saiu a conclusão: as moças vão continuar longe dos combates. Isso se deve, em boa parte, à menor força física. Elas não conseguem, por exemplo, carregar os feridos nas costas. A deputada do Partido Trabalhista Claire Ward tentou provar o contrário em um teste de campo. Passou um ano treinando com os fuzileiros navais de Sua Majestade e voltou convencida de que combate é mesmo coisa de homem.

   
 
   
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