Segunda língua
Em busca
do bom inglês,
coreanos fazem até operação
AFP

Coréia
x EUA: drible na pronúncia |
Na Coréia
do Sul, falar inglês é questão de honra e só
subirá na vida quem for fluente no idioma. Até aí,
tudo bem: o coreano é, por determinação cultural,
aluno dedicadíssimo, que aprende bem o que lhe é ensinado.
O problema está na articulação das palavras, diversa
da ocidental. Não há distinção, por exemplo,
entre "r" e "l", o que faz com que "rice" (arroz, a base da culinária
nacional) muitas vezes vire "lice" (piolhos). A solução
cada vez mais adotada no país nos últimos tempos é
drástica: fazer um pequeno corte na língua, ou melhor, na
membrana embaixo dela (o chamado freio lingual), para, supostamente, facilitar
a pronúncia das palavras inglesas.
A prática
é conduzida em crianças abaixo de 5 anos. Dura dez minutos,
requer anestesia local e custa o equivalente a algo entre 600 e 1 000
reais. "Não se trata de cirurgia cosmética. Em alguns casos,
é essencial falar inglês com perfeição", justifica
o cirurgião Nam Il Woo, que corta cerca de dez linguazinhas por
mês. Adianta? Muitos duvidam, mas ninguém tem certeza. Só
a partir dos 9 anos a criança consegue pronunciar bem as palavras,
e nenhum dos pacientes da cirurgia já chegou a essa idade.
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