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Edição 1 752 - 22 de maio de 2002
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Segunda língua

Em busca do bom inglês,
coreanos fazem até operação

 
AFP

Coréia x EUA: drible na pronúncia

Na Coréia do Sul, falar inglês é questão de honra e só subirá na vida quem for fluente no idioma. Até aí, tudo bem: o coreano é, por determinação cultural, aluno dedicadíssimo, que aprende bem o que lhe é ensinado. O problema está na articulação das palavras, diversa da ocidental. Não há distinção, por exemplo, entre "r" e "l", o que faz com que "rice" (arroz, a base da culinária nacional) muitas vezes vire "lice" (piolhos). A solução cada vez mais adotada no país nos últimos tempos é drástica: fazer um pequeno corte na língua, ou melhor, na membrana embaixo dela (o chamado freio lingual), para, supostamente, facilitar a pronúncia das palavras inglesas.

A prática é conduzida em crianças abaixo de 5 anos. Dura dez minutos, requer anestesia local e custa o equivalente a algo entre 600 e 1 000 reais. "Não se trata de cirurgia cosmética. Em alguns casos, é essencial falar inglês com perfeição", justifica o cirurgião Nam Il Woo, que corta cerca de dez linguazinhas por mês. Adianta? Muitos duvidam, mas ninguém tem certeza. Só a partir dos 9 anos a criança consegue pronunciar bem as palavras, e nenhum dos pacientes da cirurgia já chegou a essa idade.

   
 
   
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