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A grande procura dos brasileiros por condomínios fechados é
fruto da falta de segurança que assola nosso país e faz
do brasileiro um refém dentro de sua própria cidade ("Viver
em condomínio", 15 de maio). Optar
pela vida em cidade entre muros e afastar o Estado por desacreditar em
sua capacidade de regular a convivência humana em sociedade me faz
refletir: será que estamos voltando à Idade Média? Já
que somos forçados a viver cercados de muros altos, grades nas
janelas e sistemas de segurança, temos de fazer dessa "prisão"
o local mais agradável possível. O
fato de a classe média buscar cada vez mais segurança longe
dos grandes centros cria uma nova classe social, que não contribui
para o fortalecimento e a organização da sociedade de um
modo geral.
Mais uma vez VEJA esbanja competência ao nos brindar com a edição
O Brasil que já é Primeiro Mundo (maio de 2002).
Pelo conteúdo, essa edição deveria ter lugar obrigatório
em muitas mesas de Brasília. Fiquei
emocionada e eternamente grata a essa equipe que topou o desafio de explicar
o Brasil. Parabéns a VEJA, que de forma brilhante, verdadeira e
imparcial apresentou a realidade positiva do Brasil nestes tempos em que
as desgraças dão mais ibope. Só
tenho ouvido falar de coisas que não deram certo ou que ainda estão
por fazer. E olha que a campanha eleitoral está apenas começando.
E, quem diria, muito disso foi feito na "era" FHC. O
conteúdo da edição especial é fantástico.
Gostaria apenas de acrescentar que o problema do crescimento populacional
ainda não foi resolvido. No Brasil, a classe média e rica
cresce a níveis europeus. Enquanto isso, a classe pobre, por falta
de orientação e assistência em planejamento familiar,
acrescenta 2 milhões de carentes a cada ano. Sugiro um mutirão
entre ONGs e governo para dar mais eficácia ao planejamento familiar. Acabei
de ler (inteira) a edição especial O Brasil que já
é Primeiro Mundo e estou emocionada com as lindas, expressivas
e brasileiríssimas fotos e com os eloqüentes textos. É
emocionante ver nosso país retratado dessa forma realista,
mas esperançosa e bela.
Parabéns pela entrevista com o dono da JetBlue (Amarelas, 15 de
maio). Gostaria de chamar a atenção para o fato de que nos
Estados Unidos o poder aquisitivo da população é
bem maior que o nosso. Em contrapartida, não pagar impostos dá
cadeia mesmo. Aqui no Brasil, além de "pagarem" um ICMS bem baixinho,
as empresas aéreas acumulam dívidas astronômicas e
ficam na expectativa de um possível salvamento por parte do governo
federal, como já ocorreu em outras oportunidades.
Excelente o artigo do senhor Kanitz ("O candidato perfeito", Ponto de
vista, 15 de maio). Embora nas entrelinhas tenha ficado claro que, além
de presidente, ministros, prefeitos, vereadores e burocratas perfeitos,
precisamos também de 174 milhões de brasileiros perfeitos.
Simplesmente brilhante o artigo do economista Gustavo Franco intitulado
"A segunda revolta" (Em foco, 8 de maio), tratando da carga tributária
existente hoje no Brasil. Deveria ser lido atentamente por todos os presidenciáveis.
Foi correto o diagnóstico do trabalho pedagógico do professor
em sala de aula, onde são propostas inúmeras atividades
meramente mecânicas, sem a preocupação de envolver
o aluno em trabalhos voltados para o cognitivo (Ponto de vista, 8 de maio).
Mas muitas vezes eu, como educadora e dirigente de uma escola (até
"calma" pelos padrões atuais), percebo que alguns professores tentam
mudar seu cotidiano e não conseguem, pois um contingente grande
de alunos não vê na escola uma condição para
seu crescimento social e a ela só comparecem por força da
lei. São verdadeiras gangues de alunos que, quando juntos, se sentem
fortalecidos. É a baderna total! É a violência banalizada!
Então, o professor, por mais bem-intencionado que seja, não
consegue realizar nada. Os professores precisam estar preparados para
lidar com a violência dentro das salas de aula. Como? É a
pergunta que faço.
Além de cumprimentar VEJA pela reportagem "Músculos precoces"
(15 de maio) e concordar integralmente com seu conteúdo, gostaria
de acrescentar que em várias academias os jovens não estão
apenas malhando mais precocemente, mas se expondo a riscos variados
como o uso de anabolizantes e afins. Apresentados como naturais e seguros,
não raramente com aspecto de refrigerantes energéticos,
na verdade são solventes industriais. O primeiro caso de uso do
butanodiol em jovem freqüentador de academia foi por mim atendido
em fevereiro deste ano o rapaz entrou em coma e não morreu
porque chegou logo ao hospital. Provavelmente a droga foi dada a ele na
academia e o controle de seu uso é praticamente impossível,
pois a principal forma de venda é pela internet. Que esta carta
sirva como um alerta.
É
por isso que este país não vai para a frente. Bandido ri
na cara da polícia e ainda desafia as autoridades. E o pior é
que ninguém faz nada. O presídio Bangu 1 deve ser ótimo.
Sombra e água fresca, visitas secretas e celular na mão.
Olha só o sorriso de felicidade ("Rumo a Bangu 1", Datas, 15 de
maio)!
Já
fui vítima de um seqüestro-relâmpago e me apavora a
possibilidade de um de meus filhos vir a passar por isso. A única
coisa que pensei em receber de meu marido e de meus filhos quando cheguei
em casa foi um caloroso abraço ("Diário de um seqüestro",
15 de maio).
Moro nos
Estados Unidos desde 1991 e sempre comentava com os amigos que aqui não
havia terrorismo até 11 de setembro do ano passado. Fiquei
com ódio do islamismo. Mas com a novela O Clone pude aprender
um pouco mais sobre o Corão e a não discriminar todos
os adeptos da religião. A novela é boa e divertida. Quanto
a Guilherme de Pádua e à senhora Paula Thomaz, não
se preocupem, pois vão "arder no mármore do inferno" ("A
mãe do clone", 15 de maio). O Clone
arrasa com a cultura árabe da mesma maneira que o Brasil é
ridicularizado em filmes e desenhos estrangeiros. Para eles, somos um
país selvagem. Para O Clone, os árabes não
passam de um bando de odaliscas interesseiras e homens idiotas. A audiência
é a mesma de programas como o do Ratinho, Big Brother, Casa
dos Artistas: quem curte lixo descerebrado.
O ensaio
de Roberto Pompeu de Toledo ("Copa do Mundo: prós e contras", 15
de maio), brilhante como todos que escreve, aborda de forma espirituosa
um tema que, no fundo, revela também outra realidade: o homem ainda
precisa de coliseus. Sua natureza hostil, apesar de atenuada pelo passar
dos séculos, continua viva. Assim, o futebol, praticado nas modernas
arenas espalhadas por este planeta, é a disputa que mais dá
vazão ao instinto primitivo. A bola, ao penetrar o gol, substitui,
de certa forma, a lâmina que degola.
Sob o título
"Assombração bancária" (Radar, 15 de maio), VEJA
afirmou que "o STJ confirmou que o vice-governador de Minas Gerais, Newton
Cardoso, terá de responder a processo pela polêmica venda
do Banco Agrimisa, treze anos depois da privatização", o
que se choca com a afirmação seguinte de que ele terá
de ressarcir os cofres do Estado em 50 milhões de reais. A mais
alta corte de Justiça ordinária do país condenou
o ex-governador a pagar perdas e danos, a ser apurados, por ter agido
imoral e lesivamente contra o Estado de Minas Gerais no episódio
de venda do Banco Agrimisa.
A respeito
da reportagem "Batatinha frita pode causar câncer?" (15 de maio),
a batata tem, sim, vitamina C, mas quando crua. Ela tem ferro, 0,8 miligrama
por 100 gramas, mas isso não representa nem 10% da necessidade/dia
(que num homem adulto é de 10 miligramas). Trata-se, ainda, de
um ferro não-heme, que é muito mal absorvido.
CORREÇÕES:
A escultura A Esfera, que estava exposta na frente das torres
gêmeas, em Nova York, pesava 45.000 libras,
e não 45.000 toneladas, como foi informado
em "Acabou
a limpeza" (15 de maio).
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