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Edição 2109

22 de abril de 2009
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Autorretrato
Simon Collins

Gilberto Tadday

"A crise ajudará a tirar do circuito
gente que faz moda cara e ruim"

O inglês Simon Collins, 41 anos, ex-diretor de criação da Nike, em Hong Kong, tornou-se, em 2008, reitor da faculdade Parsons, em Nova York. É uma das melhores do mundo em moda. Há duas semanas, ele esteve no Brasil com o objetivo de firmar uma parceria para atrair estudantes para suas salas de aula, de onde saíram estilistas como Marc Jacobs e Donna Karan. Collins falou à repórter Renata Betti.

Por que o senhor decidiu recrutar estudantes brasileiros para a Parsons? Virou moda nas universidades buscar a diversidade entre os estudantes. Parece retórica, mas na área em que atuo isso tem um propósito claro. Um ambiente em que diferentes culturas e estilos estão em contato é sempre mais favorável à criação de uma roupa. A moda vive dessa diversidade. No caso dos brasileiros, eles são mestres nas cores vibrantes e em motivos de inspiração carnavalesca. Funciona bem quando não vira folclore.

O senhor admira algum estilista brasileiro? Gosto muito do Francisco Costa, da Calvin Klein. É um bom exemplo de como é possível absorver o melhor da moda de um país sem ficar limitado a ela. Costa faz sucesso justamente porque conseguiu manter a distância necessária de suas origens. Ele não é conhecido como "o brasileiro" – mas, sim, como um bom estilista. Tem a mente globalizada, quesito em que, é bom lembrar, os japoneses são Ph.Ds.

O que o senhor quer dizer com isso? Os japoneses conseguiram absorver quase todas as influências globais na sua própria moda. Às vezes dá certo – noutras, não. Conhecendo bem o mercado internacional, posso dizer que poucas tarefas são tão desafiantes quanto vender roupas no Japão. Ali prevalece a tradição de poupar dinheiro, nunca esbanjar. Muitos japoneses preferem inventar novas combinações com velhas roupas a ir às compras e gastar.

Como a atual crise financeira afeta a moda? Nos Estados Unidos, a crise está varrendo do mapa aquelas butiques que só tinham êxito num cenário de muita gastança. Com menos dinheiro, as pessoas estão mais seletivas. Acho que o saldo da crise pode ser positivo. Ajudará a tirar do circuito gente que faz moda cara e ruim. Só vai sobreviver quem for realmente eficiente – e conseguir captar, antes dos outros, as novas tendências.

O que vocês ensinam aos alunos num cenário de crise? A crise obriga esses jovens, ainda muito idealistas, a ter uma visão mais realista da indústria da moda. Num momento como este, não adianta criar roupas que só funcionam em desfile – e às vezes nem isso. Esta é a hora de pensar em produzir roupas mais para o dia a dia e em grande escala. Vai-se um pouco do glamour, mas resta alguma esperança de lucro.

Estudar na Parsons custa tanto quanto em Harvard ou Yale. Qual é o perfil dos alunos? Basicamente, são jovens egressos de famílias com dinheiro, que gostam de se vestir bem e apreciam a moda. Sei que posso cobrar tão caro porque viramos uma grife. Já passaram pela universidade celebridades como Marc Jacobs, Donna Karan, Tom Ford. Isso tem seu valor. O fato de estarmos em Nova York, lugar de preços exorbitantes, também encarece a mensalidade.

Quais são as aspirações dos alunos? O objetivo da maioria é abrir um negócio e tornar-se um estilista renomado. Há boa dose de glamourização nesse meio. Enquanto sonham com as passarelas de Paris, eu digo: antes, é preciso entender o mínimo sobre o mundo dos negócios e aprender a fazer conta. Enfim, meu esforço é para manter os futuros estilistas no planeta Terra.



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