As gaúchas são demais
Gisele, Alessandra,
Jeísa e Shirley...
Como o Rio Grande do Sul se tornou
uma máquina de produzir top models
Rodrigo
Vieira da Cunha
Priscila Prade
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Alessandra
Ambrósio:
gauchinha na campanha
da Guess |
Gisele Bündchen, 19 anos, seios perfeitos e modelo
do ano escolhida pela revista Vogue. Shirley Mallmann,
22 anos, olhos azuis de tirar o fôlego e modelo do
costureiro Jean-Paul Gaultier. Alessandra Ambrósio,
18 anos, cabelos castanhos que brilharam na campanha internacional
da loja Guess. Jeísa Chiminazzo, 14 anos, rosto de
menina da campanha da grife Philosophy. Além da beleza
indiscutível, todas essas feras das passarelas internacionais
têm outra característica em comum: nasceram
no Rio Grande do Sul, o Estado que se tornou o maior celeiro
de beldades do país. O Brasil tem cerca de 4.000
modelos em atividade. Aproximadamente 20% desse total nasceu
no Rio Grande do Sul. Considerada apenas a lista das seis
maiores agências do país, a chamada elite do
mercado da moda, 29% das profissionais são gaúchas
–
mais do que qualquer outro Estado. "As modelos gaúchas
realmente estão num momento espetacular", diz Rose
Daguano, gerente-geral da Associação Brasileira
de Agências de Manequins e Modelos.
Antonio Milena
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| Jeísa
Chiminazzo, 14
anos: a mais jovem entre as revelações
do Sul |
Seria injusto afirmar que as mais belas mulheres do Brasil
são do Rio Grande do Sul. É uma questão
de gosto e isso, como já é sabido, não
se discute. Mas existem algumas razões para que as
modelos gaúchas sejam maioria no mercado. A primeira
é que o padrão internacional de beleza mais
aceito hoje se encaixa como uma luva nas características
físicas das mulheres dos pampas. Nos editoriais de
moda e nas passarelas domina o estilo europeu, de mulheres
com quase 1,80 metro de altura, pele clara e olhos azuis
ou verdes. E isso não falta no Rio Grande do Sul,
Estado onde a população é formada por
descendentes de imigrantes alemães, italianos e poloneses.
Outro fator que explica a proliferação de
modelos do Rio Grande do Sul é a determinação.
Geralmente vindas de famílias humildes e sem muitas
perspectivas de crescimento na vida, elas se inspiram nos
exemplos de sucesso e tomam a carreira de modelo como um
norte para o sucesso profissional. E levam o assunto a sério.
Muitas vezes com sacrifício. Deixam para trás
a família e se mudam para cidades e até países
estranhos e quase sempre vivem em repúblicas, com
o dinheiro contado. E, diferentemente do que acontece com
certas modelos, elas não fazem frescura, biquinhos.
Acordam cedo e evitam festas estafantes. "As gaúchas
vêm para vencer", diz Eli Hadid Wahbe, dono da agência
Mega. "Elas têm muita raça e mostram um profissionalismo
acima da média."
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| Fontes:
Ford, Mega, Next, Marilyn, L'Equipe e Success
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As chances de uma gaúcha decolar
nas passarelas são tão boas –
e lucrativas –
que as agências e os
escritórios caça-talentos montaram um esquema
de ataque às moçoilas no Estado. A filial
gaúcha da Elite mobiliza regularmente um pequeno
exército de 25 pessoas para vasculhar o interior
do Rio Grande do Sul em busca do rosto novo. Zeca de Abreu,
diretor da agência paulista Marilyn, costuma voar
até Porto Alegre quatro vezes por ano (o dobro das
visitas que faz a outras regiões) para conferir de
perto algumas promessas. Eli Hadid Wahbe, da Mega, viaja
duas vezes por ano, somente para o Sul. Além do interesse
especial dos brasileiros pelas gaúchas, agentes internacionais
já descobriram o filão. Há dois anos,
enviados de agências de Paris, Milão, Nova
York, Londres e Tóquio costumavam parar em São
Paulo nas visitas periódicas de garimpagem. Agora,
eles esticam a viagem até o Rio Grande do Sul. Em
dezembro, os japoneses fizeram três seleções
só com modelos gaúchas e os chilenos estão
hoje com três modelos da Elite de Porto Alegre.
Liane Neves
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| O olheiro
Dílson Stein:
orgulho de ter descoberto 100 talentos, entre eles,
Gisele Bündchen |
O esquema das agências conta com uma série
de anônimos trabalhando na busca por uma menina mais
bonita. Há uma extensa rede formada por pessoas que
atuam como olheiros, escolas que dão cursos de modelos
e incontáveis concursos de beleza. Há uma
verdadeira linha de produção com sede no Rio
Grande do Sul. Essa estrutura chega a despejar no mercado
cerca de oitenta novas modelos gaúchas a cada ano,
segundo dados da Associação Brasileira de
Agências de Manequins e Modelos. O fotógrafo
Eduardo Carneiro, há seis anos clicando moda, faz
em média três books por dia para aspirantes
a modelo. Depois de acabar o trabalho, ele pode indicar
ou não a moça para uma das agências
gaúchas. Quem tem sorte já chega ao estúdio
com a recomendação. Nesse caso, é só
ter o book na mão para começar a trabalhar.
Liane Neves
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| O
fotógrafo Eduardo Carneiro: três books
por dia |
Os olheiros são
parte importante nesse esquema. O mais famoso deles é
Dílson Stein. Ex-modelo, ele dá palestras
para que as jovens aprendam alguns ensinamentos básicos
sobre a profissão. Na platéia, observa os
rostos mais bonitos e as convida para uma segunda etapa:
uma viagem a São Paulo com direito a conhecer as
grandes agências do ramo. O processo de seleção
é altamente rigoroso, pior do que o vestibular. De
acordo com seus números, Stein deu palestras a 15.000
"alunas". Dessas, 100 meninas foram encaminhadas às
grandes agências –
uma em 150. Uma de suas descobertas chama-se Alessandra
Ambrósio, 18 anos, estrela mundial da nova campanha
da Guess. Seu maior orgulho é ter detectado numa
dessas palestras a presença de Gisele Bündchen.
Convidada a viajar para São Paulo, Gisele acabou
apresentada à fama e à fortuna. Para Stein,
o estouro da top model rendeu dividendos. Mais valorizado
no mercado, passou a dar cursos em Salvador e São
Paulo e sua agenda vive lotada.
O prestígio
das mulheres gaúchas não vem de hoje. Em 1963,
a miss Universo, Ieda Maria Vargas, saiu do Brasil. Na década
de 80, uma loirinha chamada Xuxa Meneghel conquistou o país.
Na década passada, Shirley Mallmann tornou-se a primeira
brasileira a entrar no seleto grupo das supermodels internacionais.
Todas lá da terrinha, tchê. Mas foi no embalo
do sucesso da top das tops Gisele Bündchen que as bonitinhas
dos pampas se animaram para valer. Elas querem alcançar
o estrelato e, quem sabe um dia, poder faturar 7.500 dólares
por uma simples voltinha na passarela.
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