Edição 1 641 - 22/3/2000

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Fotos AP

Jagger, em Londres, e Luciana, em Nova York: pensão

Assumiu: oficialmente a paternidade de Lucas, filho da modelo Luciana Gimenez, 30 anos, o roqueiro inglês Mick Jagger, 56 anos. De Londres, por telefone, o vocalista dos Rolling Stones admitiu à Justiça americana ter se submetido a um exame de DNA. A quase 6.000 quilômetros de distância, na corte nova-iorquina, Luciana acompanhou o testemunho de Jagger pelo viva-voz. O objetivo da audiência, solicitada pela modelo, era definir o valor da pensão a ser paga pelo roqueiro. Para ela, os 5.500 dólares mensais que vinha recebendo eram insuficientes para manter o filho, de 10 meses. Luciana reclama 35.000 dólares por mês. É do que precisa, de acordo com seus cálculos, para cobrir os gastos com o aluguel do apartamento em Nova York, a babá e os seguranças de Lucas. Jagger contesta o valor, sob o argumento de que aceita arcar com as despesas do menino, mas não com as da mãe. Até que o valor definitivo da pensão seja estabelecido, o que só deve ocorrer em maio, o juiz David Kirshblum determinou que Jagger pague mensalmente 10.000 dólares. Dia 15, em Nova York.

 

Roubadas: as 55 estatuetas do Oscar 2000. A nove dias da festa da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, as peças desapareceram entre as cidades de Chicago, onde são fabricadas, e Los Angeles. O FBI, a polícia federal americana, está investigando o roubo. Os diretores da academia garantem que a cerimônia de entrega dos prêmios não será adiada. Dia 16, em Los Angeles.

 

Recebeu alta: o economista Roberto Campos, 82 anos. O ex-ministro e ex-deputado estava internado desde 26 de fevereiro, vítima de isquemia cerebral. Com dificuldade de fala, uma seqüela do distúrbio, Campos continuará com acompanhamento médico, ainda por tempo indeterminado. Dia 13, no Rio de Janeiro.

 

Fernando Vivas
Sá: pena de quatro anos


Condenado:
o ex-dono do extinto Banco Econômico Ângelo Calmon de Sá, 64 anos, a quatro anos de prisão, em regime semi-aberto. Ele foi considerado culpado pela concessão de empréstimos no valor de 300 milhões de dólares, entre 1992 e 1994, do Econômico à Cajuba (Caju da Bahia S.A.), empresa controlada pelo Econômico Empreendimentos, holding do banco. A legislação proíbe aos bancos emprestar dinheiro a empresas coligadas ou pertencentes a seus sócios majoritários. Dia 14, em Salvador.

 

Morreram: o advogado Samuel Malamud. Nascido na Ucrânia em 1908, ele chegou ao Rio de Janeiro em dezembro de 1923. A partir dos anos 30, transformou-se em um dos mais influentes representantes da comunidade judaica no Brasil. Em 1948, Malamud foi o primeiro cônsul de Israel no país. Fundou e presidiu, entre outras entidades, a Federação Israelita do Brasil e o Clube Hebraica. Dia 11, aos 91 anos, de infarto, no Rio de Janeiro.

Maria Werneck de Castro, uma pioneira do desenho científico no Brasil. Extremamente minuciosa, especializou-se no desenho de plantas, sobretudo das espécies em extinção na flora do planalto brasileiro. Além de ser usados em estudos acadêmicos, seus trabalhos foram reproduzidos em selos postais. Dia 11, aos 95 anos, de insuficiência respiratória, no Rio de Janeiro.

Thomas Wilson Ferebee, artilheiro do Enola Gay, o avião que lançou a bomba atômica sobre a cidade japonesa de Hiroshima, em 6 de agosto de 1945. Ferebee lamentava as vítimas civis, mas dizia jamais ter sentido culpa. Dia 16, aos 81 anos, nos Estados Unidos.

 

Nelio Rodrigues
Senador Luiz Estevão: defesa


Apresentou:
defesa no processo por quebra de decoro parlamentar o senador Luiz Estevão, 49 anos, do PMDB-DF. A representação contra Estevão, que pode ter o mandato cassado, foi apresentada ao Senado por sete partidos de oposição com base no relatório final da CPI do Judiciário. A comissão de inquérito constatou que o Grupo OK, de propriedade do senador, recebeu 34 milhões de dólares do Grupo Monteiro de Barros, responsável pela obra superfaturada do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. O dossiê de quase 1 000 páginas inclui laudos periciais, para demonstrar que Estevão não apresentou documentos falsos à CPI, e pareceres assinados por Aristides Junqueira, procurador-geral da República no governo Collor, e Osiris Lopes Filho, ex-secretário da Receita Federal, contestando a acusação de crime fiscal. Sustenta, por fim, que não pode ser cassado, porque todos os fatos citados na representação dos partidos de oposição são anteriores a sua posse como senador. Ele pediu que testemunhas de defesa sejam ouvidas pelo Conselho de Ética do Senado. Dia 16, em Brasília.

 

 
AP
Porcos clonados: transplantes

Anunciada: a clonagem de cinco porcos. Nascidos em 5 de março, os porquinhos, todos fêmeas, foram batizados Millie, Christa, Alexis, Carrel e Dotcom. A experiência foi realizada pelos mesmos cientistas da empresa PPL Therapeutics, do Instituto Roslin, na Escócia, que criaram a ovelha Dolly, em 1996. Essa foi a primeira clonagem a partir de células adultas desde o nascimento de Dolly. Os cientistas acreditam que, em quatro anos, terão condições de transplantar para seres humanos órgãos de porcos clonados. Dia 14, em Londres.

 

Exonerado: do cargo de coordenador de segurança pública do Estado do Rio o sociólogo Luiz Eduardo Soares. Um dos principais assessores do governador Anthony Garotinho, ele tinha declarado que a cúpula da polícia do Rio é uma "banda podre". Garotinho decidiu demiti-lo ao saber que Soares já tinha levado suas denúncias ao Ministério Público. Dia 17, no Rio de Janeiro.

 
Olho por olho, dente por dente

Javed Iqbal: crimes cruéis

O paquistanês Javed Iqbal, de 42 anos, que confessou ter violentado, matado e dissolvido em ácido 100 crianças, foi condenado à morte na quinta-feira passada. O que chama a atenção é o ineditismo da sentença: o juiz determinou que fosse da mesma forma cruel com que matou suas vítimas. Ele será estrangulado 100 vezes, retalhado em 100 pedaços e dissolvido em ácido. Tudo isso em Minar-e-Pakistan, a principal praça da cidade paquistanesa de Lahore, diante dos pais das crianças assassinadas. Por garantia, caso a pena seja revertida no futuro, o juiz ainda o condenou a 700 anos de prisão. Engenheiro químico, Iqbal está preso desde dezembro, quando a polícia encontrou as roupas das 100 vítimas, além de fotografias e anotações detalhadas das mortes. Ele ainda pode recorrer da sentença.


O monge e a czarina

Em 1908, o monge Grigori Efimovich Novykh, mais conhecido como Rasputin, foi apresentado à família real russa. Com fama de vidente e curandeiro, caiu nas graças da czarina Alexandra. Sobretudo porque parecia ter o poder sobrenatural de curar a hemofilia do príncipe Alexei, o herdeiro do trono. Lançado na quarta-feira passada em Londres, Rasputin: a Última Palavra, do historiador russo Edvard Radzinski, tenta provar com documentos inéditos que o monge não conquistou apenas poder político mas também o coração e a cama da czarina. "Por ti sacrifico meu marido e o meu coração. Reza por mim e benze-me. Beijos, amor meu", escreveu-lhe ela. O livro contesta ainda a versão corrente da morte do monge, em 1916. Diz-se que resistiu de forma sobrenatural ao envenenamento no atentado organizado pelo príncipe Felix Yusupov. Radzinski sustenta que o monge sobreviveu porque nem sequer chegou a provar o vinho e os pastéis preparados com cianureto. Morreu afogado no Rio Niva, onde seu corpo foi jogado depois de ser alvejado por três tiros.