Edição 1944 . 22 de fevereiro de 2006

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Millôr
Lya Luft
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
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Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
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Datas
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VEJA Recomenda

CINEMA

Bambi 2 (Estados Unidos, 2006. Em cartaz no país) – Essa seqüência de Bambi, de 1942, parte da cena mais pungente daquele clássico da animação da Disney – a morte da mãe do pequeno cervo. Abandonado à companhia de um pai muito rígido, Bambi tenta a todo custo conquistar o seu afeto. A relação entre os dois é o centro da história, mas alguns coadjuvantes que já apareciam no desenho animado original às vezes roubam a cena. É o caso do gambá Flor e do coelho Tambor, que agora aparece acompanhado de quatro irmãs engraçadas. Os adultos que assistiram ao primeiro desenho certamente vão sentir falta do primor artístico da velha Disney. Mas as crianças vão se divertir com Bambi 2. Veja cenas.

Divulgação
Uma Mulher contra Hitler: candidato ao Oscar


Uma Mulher contra Hitler
(Sophie Scholl – Die Letzten Tage,
Alemanha, 2005. Estréia nesta sexta-feira no país) – Está-se em 1943 e no auge da opressão nazista. Sophie e seu irmão Hans, membros do grupo de resistência Rosa Branca, são presos distribuindo panfletos anti-hitleristas na Universidade de Munique. Dessa manhã até a tarde do dia seguinte, eles serão repetidamente interrogados, sumariamente julgados e então decapitados. Interpretada por Julia Jentsch, a jovem Sophie é um modelo de contenção no interior do qual se entrevê, às vezes, uma centelha de esperança – de que a sentença seja adiada, de que os aliados derrotem Hitler e de que ela, então, possa sobreviver. Baseado nas transcrições dos interrogatórios reais, o filme (que concorre ao Oscar de produção estrangeira) é também ele um modelo – de foco, concisão e tensão.

 

LIVROS

O Atentado, de Yasmina Khadra (tradução de Ana Montoia; Sá Editora; 256 páginas; 33 reais) – Oficial do Exército da Argélia, o escritor Mohammed Moulessehoul assumiu o nome de sua mulher, Yasmina Khadra, para escapar à censura imposta pelos militares. Hoje exilado na França, ele manteve o pseudônimo literário. Admirada pelo Nobel sul-africano J.M. Coetzee, entre outros, a literatura de Khadra é um retrato devastador da opressão fundamentalista no Oriente Médio. O Atentado, seu mais recente romance – e o primeiro lançado no Brasil –, tem como protagonista um médico israelense de origem árabe. Ele sempre se manteve neutro nas disputas entre judeus e palestinos, até ser surpreendido por um atentado suicida cometido por sua própria mulher. Leia trecho.

 

 
Librado Romero/NYT
Pelecanos: crime e tensão racial  

Preto no Branco, de George Pelecanos (tradução de Beth Vieira; Companhia das Letras; 360 páginas; 39,50 reais) – Pelecanos ganhou seu lugar entre os melhores nomes da ficção policial americana com livros de enredo eletrizante e temática política ou social. Preto no Branco tem a tensão racial das grandes cidades americanas como pano de fundo. O detetive Derek Strange, herói habitual dos livros do autor, resolve quebrar a regra que estabeleceu para sua agência – não investigar assassinatos – para se dedicar a um caso difícil: a morte de um negro por um policial branco, durante um tiroteio em Washington. A grande questão é saber se o crime foi ou não cometido por preconceito.

 

DVD

Divulgação
Noites de Circo: um Bergman inédito em vídeo


Noites de Circo
(Gycklarnas Afton,
Suécia, 1953. Versátil) – O dono de um circo decadente ao mesmo tempo tenta conquistar sua platéia, persegue uma reconciliação com sua mulher e mantém um caso com uma moça vulgar – que está, também, tendo um romance com um ator infeliz. A partir desse quadrilátero amoroso (ou desamoroso, como caberia melhor), o diretor sueco Ingmar Bergman se exercita em temas que viriam a marcar toda a sua obra, como a humilhação e a rejeição – a qual o dono do circo terá de encarar em todas as frentes. Nunca lançado em vídeo no Brasil, Noites de Circo, um trabalho de início de carreira, é o que se convencionou chamar de um Bergman "menor". Quisera todos começassem assim grandes.

 

DISCO

Fernando Pimentel
A cantora Elis Regina: material raro


Pérolas Raras,
Elis Regina (Universal) – A coletânea reúne uma série de gravações raras, a maioria delas dos anos 60. Essas interpretações do início da carreira da gaúcha Elis Regina (1945-1982) já mostram por que ela se tornou uma das intérpretes mais memoráveis da MPB. Sua voz poderosa contrasta com a letra ingênua de A Coruja e encontra o tom brejeiro ideal para Ladeira da Preguiça. O disco traz bons registros ao vivo, como Terra de Ninguém, gravada no Teatro Paramount, em 1964. A faixa-bônus do CD é uma gravação ao vivo do programa Som Livre Exportação, apresentado por Elis e Ivan Lins na TV Globo, nos anos 70. Ela canta Black Is Beautiful, de Paulo Sérgio e Marcos Valle.

 

O mais vendido

Investigado pela Polícia Federal por atividades ilícitas, o negociante de notícias Leonardo Attuch está envolvido em uma nova fraude. Há três semanas, um volume de ficção de sua autoria, intitulado A CPI que Abalou o Brasil, apareceu nas listas de mais vendidos classificado equivocadamente como não-ficção. Só isso já seria estranho. Mas, como tudo o que circunda o investigado, as zonas de sombra desse caso são mais densas do que parecem. Na semana passada, desconfiados de que o desonesto volume pudesse estar tendo suas vendas fraudulentamente infladas, repórteres de VEJA foram investigar a correção dos dados enviados pelas livrarias. Bingo! Descobriu-se que a livraria Siciliano, dona do selo Futura, que publicou o indecoroso panfleto ficcional, fornecera à imprensa dados manipulados, jogando para cima as cifras de venda. Se elas ainda fossem referentes ao autor, vá lá. Mas ao livreco? Bem, o fato é que a vendagem do panfleto ignominioso (452 exemplares em uma semana) divulgada pela Siciliano – superior à de outras quatro grandes redes somadas ao longo de mais de um mês – era tão falsa quanto a produção do quadrilheiro que deve satisfações à polícia.

VEJA pediu explicações à Siciliano. A resposta veio na forma de uma nota oficial: "Constatamos que houve um erro de informação na lista referente ao período de 6/2 a 12/2. Por um erro de cadastro no sistema, foram computadas, além das vendas internas (nas lojas Siciliano), as vendas para redes de livrarias e distribuidores. Isso ocorreu somente com o título A CPI que Abalou o Brasil". Foram dados, portanto, como vendidos livros que estão apanhando poeira em estoques. A nota termina assim: "Favor considerar, como venda total nas livrarias Siciliano, 84 exemplares". Com os dados corretos – ou seja, 368 exemplares a menos –, o volume ficcional não teria sido alçado a nenhuma lista de vendagem. Até que a fraude seja completamente esclarecida e a Siciliano, inocentada de cumplicidade com o novelista investigado que ela publica, VEJA decidiu não computar os dados daquela livraria na elaboração de suas listas. Leonardo Attuch, porém, continua à venda.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Cultura; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Fnac, Sodiler, Submarino.
 
 
 
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