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Radar
Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br
) CPI DOS CORREIOS
A hora da verdade A Justiça
americana comprometeu-se a enviar ainda nesta semana à CPI dos Correios
os dados de movimentação bancária nos EUA de Duda Mendonça,
sua mulher, sua filha e de Marcos Valério. A princípio, apenas quatro
integrantes da CPI terão acesso ao valioso material o senador Delcídio
Amaral e os deputados Eduardo Paes, Maurício Rands e Osmar Serraglio.
ECONOMIA Conversas
no varejo 1 Em sigilo absoluto, o Ponto Frio e o
Magazine Luiza, respectivamente a segunda e a terceira maior rede de eletroeletrônicos
do país, conversam sobre uma possível fusão. Fechada a transação,
seria uma poderosa mexida no setor. Ainda assim, juntas elas faturariam menos
da metade do que vendem as Casas Bahia. Conversas
no varejo 2 Meses atrás, Carlos Alberto Sicupira,
um dos donos da Lojas Americanas e da AmBev, procurou Michel Eliah com proposta
semelhante juntar as Americanas e o Ponto Frio. Mas Eliah, que representa
Lily Safra (dona do Ponto Frio) na empresa, rechaçou a oferta.
Um lobby eficiente Pararam
por completo as negociações entre a PDVSA e a Ipiranga para a compra
da rede de postos de combustível da empresa brasileira. As conversas cessaram,
mas não por falta de interesse da estatal venezuelana ou do governo brasileiro
a pressão para que o negócio esfriasse veio da Petrobras.
Cimento e popularidade Um
dos melhores termômetros para medir a atividade econômica, o consumo
de cimento aumentou 3,8% no Brasil no ano passado. É pouco, mas é
mais do que o crescimento do PIB no período. E representa um início
de recuperação depois de anos de encolhimento o que ajuda
a explicar a subida de Lula nas pesquisas. Na
contramão Aliás, o consumo de cimento
no país está na contramão do resto do mundo. Entre 1998 e
2004, o consumo per capita global aumentou 25%. Na China e na Índia, a
subida foi de 77% e 49%, respectivamente. No Brasil, caiu 22%.
Quer mais A Gradiente, que
em dezembro lançou sua linha de televisores de plasma, já é
dona de 15% desse segmento. Mas sua meta é muito mais ambiciosa.
Entre a Vice-Presidência e a
Câmara José
Cruz/ABR
 | | Ciro:
a transposição de verbas não saiu |
Ciro Gomes deixa o governo em 31 de março. Quer ser candidato a vice na
chapa de Lula. Se não der, tenta eleger-se deputado federal. Pelo andar
da carruagem, ele deve afastar-se do Ministério da Integração
Nacional sem ter iniciado a obra da transposição de verbas (digo,
das águas) do São Francisco. Ciro também tem cuidado do palanque
no Ceará. Lá, as coligações estaduais podem unir até
PT e PSDB. O governador tucano Lúcio Alcântara conversou há
dias com Ciro. Disse que apoiaria Cid Gomes, irmão de Ciro, para a sua
sucessão. Alcântara, nessa hipótese, se lançaria ao
Senado, com o voto de Ciro. Só que já está sendo costurada
uma aliança entre PSB (de Ciro e Cid), PT e PMDB. Nos próximos dias,
Ciro e Tasso Jereissati terão nova rodada de conversas sobre a sucessão
cearense. É possível, portanto, que tucanos e petistas apóiem
o mesmo candidato a governador. | |
ELEIÇÕES 2006 Ainda
competitivo Nas sondagens que os institutos de pesquisa
têm feito em Alagoas, Fernando Collor mostra-se competitivo para o Senado
mas nunca o favorito. Na
ponta A propósito de políticos polêmicos,
o ex-governador Orestes Quércia ficou na ponta na última pesquisa
que o Ibope fez (e não registrou) sobre a sucessão paulista. Mas
por poucos corpos de vantagem no primeiro turno. Marta Suplicy é quem chegaria
mais perto dele.
SÃO PAULO Confie em mim
A maior preocupação do vice-prefeito
Gilberto Kassab é assegurar aos tucanos que não alçará
vôo-solo se José Serra for candidato a presidente e deixar em suas
mãos a prefeitura de São Paulo. Para provar sua fidelidade, Kassab
grudou nos principais aliados de Serra: Aloysio Nunes Ferreira e Andrea Matarazzo.
GOVERNO
Deu em nada Depois de mais
de um ano, terminou a auditoria do Tribunal de Contas da União sobre os
milionários gastos com os cartões de crédito corporativos
realizados por 38 funcionários da Presidência da República.
Nos oito primeiros meses de 2005, por exemplo, as faturas dos cartões chegaram
a 10 milhões de reais o dobro do que fora gasto no ano anterior.
Segundo quem teve acesso ao resultado da auditoria, nada de significativo foi
encontrado. Beleza. Isso, porém, torna ainda mais surpreendentes os inúmeros
obstáculos que o governo levantou para abrir essa caixa-preta.
Queima de calorias Além
de Lula, que já perdeu 11 quilos, estão de dieta no Palácio
do Planalto os ministros Jaques Wagner e Dilma Rousseff. Não podem ouvir
falar de carboidratos.
TELEVISÃO Quase o triplo
O apresentador Carlos Nascimento foi para o SBT
para ganhar 400 000 reais por mês. Na Band, recebia 140 000 reais.
A versão de Frota 29 anos depois
Fotos
Luis Humberto
 | | Frota
e Geisel: ressentimento no livro do ex-ministro |
Sai no fim de março, pela Jorge Zahar, o livro de memórias de um
personagem-chave do governo Geisel o general Sylvio Frota, o ministro do
Exército demitido em 1977 pelo então presidente. Ideais Traídos
é o depoimento de um derrotado. Sobram ressentimento e acusações
de traição quando o general, morto há dez anos, relata a
sua exoneração. O livro registra o único depoimento detalhado
do general Frota sobre o tema. É o velho Frota de sempre. O livro diz que
o jornalista Vladmir Herzog, assassinado dentro de um quartel do Exército,
"suicidou-se, como ficou provado". Tortura nos quartéis? Nem pensar. "Seremos
nós capazes de infligir torturas a nossos semelhantes?", pergunta candidamente
o general. Sobre essa questão mesmo o general Geisel foi menos dissimulado.
Deixou no CPDoc da Fundação Getulio Vargas uma entrevista gravada
em que diz até em que situações a tortura é admissível.
| | Colaborou
Felipe Patury |