Edição 1944 . 22 de fevereiro de 2006

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Radar

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br )

• CPI DOS CORREIOS

A hora da verdade
A Justiça americana comprometeu-se a enviar ainda nesta semana à CPI dos Correios os dados de movimentação bancária nos EUA de Duda Mendonça, sua mulher, sua filha e de Marcos Valério. A princípio, apenas quatro integrantes da CPI terão acesso ao valioso material – o senador Delcídio Amaral e os deputados Eduardo Paes, Maurício Rands e Osmar Serraglio.

 

• ECONOMIA

Conversas no varejo 1
Em sigilo absoluto, o Ponto Frio e o Magazine Luiza, respectivamente a segunda e a terceira maior rede de eletroeletrônicos do país, conversam sobre uma possível fusão. Fechada a transação, seria uma poderosa mexida no setor. Ainda assim, juntas elas faturariam menos da metade do que vendem as Casas Bahia.

Conversas no varejo 2
Meses atrás, Carlos Alberto Sicupira, um dos donos da Lojas Americanas e da AmBev, procurou Michel Eliah com proposta semelhante – juntar as Americanas e o Ponto Frio. Mas Eliah, que representa Lily Safra (dona do Ponto Frio) na empresa, rechaçou a oferta.

Um lobby eficiente
Pararam por completo as negociações entre a PDVSA e a Ipiranga para a compra da rede de postos de combustível da empresa brasileira. As conversas cessaram, mas não por falta de interesse da estatal venezuelana ou do governo brasileiro – a pressão para que o negócio esfriasse veio da Petrobras.

Cimento e popularidade
Um dos melhores termômetros para medir a atividade econômica, o consumo de cimento aumentou 3,8% no Brasil no ano passado. É pouco, mas é mais do que o crescimento do PIB no período. E representa um início de recuperação depois de anos de encolhimento – o que ajuda a explicar a subida de Lula nas pesquisas.

Na contramão
Aliás, o consumo de cimento no país está na contramão do resto do mundo. Entre 1998 e 2004, o consumo per capita global aumentou 25%. Na China e na Índia, a subida foi de 77% e 49%, respectivamente. No Brasil, caiu 22%.

Quer mais
A Gradiente, que em dezembro lançou sua linha de televisores de plasma, já é dona de 15% desse segmento. Mas sua meta é muito mais ambiciosa.

 

 

Entre a Vice-Presidência e a Câmara

 

José Cruz/ABR
Ciro: a transposição de verbas não saiu

Ciro Gomes deixa o governo em 31 de março. Quer ser candidato a vice na chapa de Lula. Se não der, tenta eleger-se deputado federal. Pelo andar da carruagem, ele deve afastar-se do Ministério da Integração Nacional sem ter iniciado a obra da transposição de verbas (digo, das águas) do São Francisco. Ciro também tem cuidado do palanque no Ceará. Lá, as coligações estaduais podem unir até PT e PSDB. O governador tucano Lúcio Alcântara conversou há dias com Ciro. Disse que apoiaria Cid Gomes, irmão de Ciro, para a sua sucessão. Alcântara, nessa hipótese, se lançaria ao Senado, com o voto de Ciro. Só que já está sendo costurada uma aliança entre PSB (de Ciro e Cid), PT e PMDB. Nos próximos dias, Ciro e Tasso Jereissati terão nova rodada de conversas sobre a sucessão cearense. É possível, portanto, que tucanos e petistas apóiem o mesmo candidato a governador.

• ELEIÇÕES 2006

Ainda competitivo
Nas sondagens que os institutos de pesquisa têm feito em Alagoas, Fernando Collor mostra-se competitivo para o Senado – mas nunca o favorito.

Na ponta
A propósito de políticos polêmicos, o ex-governador Orestes Quércia ficou na ponta na última pesquisa que o Ibope fez (e não registrou) sobre a sucessão paulista. Mas por poucos corpos de vantagem no primeiro turno. Marta Suplicy é quem chegaria mais perto dele.

 

• SÃO PAULO

Confie em mim
A maior preocupação do vice-prefeito Gilberto Kassab é assegurar aos tucanos que não alçará vôo-solo se José Serra for candidato a presidente e deixar em suas mãos a prefeitura de São Paulo. Para provar sua fidelidade, Kassab grudou nos principais aliados de Serra: Aloysio Nunes Ferreira e Andrea Matarazzo.

 

• GOVERNO

Deu em nada
Depois de mais de um ano, terminou a auditoria do Tribunal de Contas da União sobre os milionários gastos com os cartões de crédito corporativos realizados por 38 funcionários da Presidência da República. Nos oito primeiros meses de 2005, por exemplo, as faturas dos cartões chegaram a 10 milhões de reais – o dobro do que fora gasto no ano anterior. Segundo quem teve acesso ao resultado da auditoria, nada de significativo foi encontrado. Beleza. Isso, porém, torna ainda mais surpreendentes os inúmeros obstáculos que o governo levantou para abrir essa caixa-preta.  

Queima de calorias
Além de Lula, que já perdeu 11 quilos, estão de dieta no Palácio do Planalto os ministros Jaques Wagner e Dilma Rousseff. Não podem ouvir falar de carboidratos.

 

• TELEVISÃO

Quase o triplo
O apresentador Carlos Nascimento foi para o SBT para ganhar 400 000 reais por mês. Na Band, recebia 140 000 reais.

 

A versão de Frota 29 anos depois

 

Fotos Luis Humberto
Frota e Geisel: ressentimento no livro do ex-ministro

Sai no fim de março, pela Jorge Zahar, o livro de memórias de um personagem-chave do governo Geisel – o general Sylvio Frota, o ministro do Exército demitido em 1977 pelo então presidente. Ideais Traídos é o depoimento de um derrotado. Sobram ressentimento e acusações de traição quando o general, morto há dez anos, relata a sua exoneração. O livro registra o único depoimento detalhado do general Frota sobre o tema. É o velho Frota de sempre. O livro diz que o jornalista Vladmir Herzog, assassinado dentro de um quartel do Exército, "suicidou-se, como ficou provado". Tortura nos quartéis? Nem pensar. "Seremos nós capazes de infligir torturas a nossos semelhantes?", pergunta candidamente o general. Sobre essa questão mesmo o general Geisel foi menos dissimulado. Deixou no CPDoc da Fundação Getulio Vargas uma entrevista gravada em que diz até em que situações a tortura é admissível.

Colaborou Felipe Patury

 

 

 

 
 
 
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