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Cartas
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"Matéria
clara, objetiva e sensata. Não dá para acreditar
que o desequilíbrio alimentar previne doenças
e faz bem à saúde."
Luana Giannotti
Jaguariúna, SP |
Dieta e saúde
Muito do que se produz cientificamente
sobre a relação entre alimentação e
doenças parte do princípio de que existe sempre a
relação entre alimentos e saúde. Essa onipresença
da relação nunca foi provada, mas é aceita
pela comunidade científica e pela sociedade como uma "verdade".
Assim, muitos a consideram de maneira simples e afirmam que a ingestão
de certos alimentos (em geral, mais caros e difíceis de conseguir)
evitará as doenças. Porém, a relação
entre alimentação e saúde é bem mais
complexa do que muitos especialistas imaginam e muitos manuais de
"alimentação saudável" pregam. Por isso, é
necessário o debate científico sem preconceitos falsamente
científicos sobre a complexidade dessa relação.
O estudo da Associação Médica Americana indica
que esse debate é importante para que sejam evitados os exageros
nas prescrições médicas de regimes ("A saúde
está na mesa", 15 de fevereiro).
Luís Henrique Piovezan
Doutorando Epusp
São Paulo, SP
Fiquei surpreso ao ver que não
foi citada a dieta mediterrânea, que é baseada nos
alimentos reconhecidos como saudáveis e evidenciou maior
longevidade e menor incidência de câncer e doenças
cardiovasculares nos povos que habitam os países banhados
pelo Mar Mediterrâneo.
Filippo Pedrinola
Doutor em medicina Membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia
e Metabologia
Por e-mail
O estudo do Women's Health Initiative
analisou um período relativamente curto de oito anos e não
discutiu se o nível de gorduras saturadas era suficientemente
reduzido nem se o consumo de frutas e vegetais foi o desejável.
O estudo presta um desserviço no esforço conjugado
de autoridades médicas e sanitárias em recomendar
a adoção de hábitos saudáveis, que inclui,
além da ingestão de alimentos funcionais como frutas,
legumes e verduras, fibras e grãos, suplementos otimizados
com antioxidantes, exercício físico (meia hora por
dia) e não fumar.
Professor doutor Mario Maranhão
Presidente do Instituto Qualivitae e ex-presidente da Federação
Mundial de Cardiologia
Por e-mail
A reportagem "A saúde
está na mesa" traz a foto de uma termomamografia, e não
de uma mamografia, como diz o texto correspondente (página
71). A mamografia é o único exame complementar que
comprovadamente reduz a taxa de mortalidade pelo câncer de
mama, devido a sua capacidade de diagnóstico precoce.
Rogério Bizinoto Ferreira
Médico mastologista
Goiânia, GO
Dieta do presidente Lula
Gostaria de cumprimentar a doutora
Marisa Coral, que foi muito feliz em seu depoimento sobre a dieta
de nosso presidente ("Lula dá mau exemplo", 15 de fevereiro).
Realmente, o presidente foi infeliz ao optar por uma dieta que só
traz prejuízos ao organismo e é inviável a
longo prazo. No emagrecimento, vale o ditado: "A pressa é
inimiga da perfeição". Resultados rápidos não
são duradouros.
Ermelinda Lara
Nutricionista
Belo Horizonte, MG
Millôr, Jaguar e a religião
A questão não é
saber se o Islã é compatível com uma sociedade
"moderna e secular", como afirmou o jornalista dinamarquês
Flemming Rose, mas saber se o Ocidente é capaz de aceitar
o que é diferente: costumes e tradições que
não se encaixam no estigma de "mundo globalizado", que serve
apenas aos grandes capitais. A numerosa comunidade islâmica
no Brasil é um bom exemplo de integração com
o Ocidente, sem abrir mão de seus valores. Sem hipocrisia:
liberdade de imprensa é uma coisa, liberdade de ofensa é
outra. Queremos apenas respeito ("A fabricação do
ódio", 15 de fevereiro).
Yussef Ali Abdouni
Sociedade Beneficente Muçulmana de São Paulo
São Paulo, SP
A matéria sobre o Islã
dá ênfase à demissão do cartunista carioca
Jaguar, pela revista Status, por sua charge ofensiva à
fé cristã. VEJA se "esqueceu" de informar aos seus
leitores que seu cartunista Millôr Fernandes também
foi demitido de O Cruzeiro por ofensas à imagem sagrada
de Jesus Cristo. Paulo Francis, outro chato de galochas, que Deus
o tenha, foi muito infeliz e simplório em seu comentário,
porque, abstraindo-se o lado respeitoso, as religiões seriam
uma fonte inesgotável de inspiração para humoristas,
cartunistas e palhaços em geral. Claro que minha carta não
será publicada por VEJA. VEJA só publica o que é
de seu interesse. Enviei, por exemplo, uma carta sobre a matéria
de Otávio Cabral "O pacote que é uma vergonha" (11
de janeiro), e, como minha crítica não foi do interesse
da revista, não foi publicada. Não deixo de ler VEJA,
há anos, mas, peraí, é preciso estar aberto,
também, às críticas informativas e construtivas.
João Alderney Pires
Recife, PE
Posso me dar ao luxo de ler o
Millôr desde o tempo em que ele era o Vão Gogo e nos
deliciava com o seu Pif-Paf, em O Cruzeiro, e de ter
lido e visto a sua Verdadeira História do Paraíso,
em 1963, pela qual o excepcional humorista quase foi levado à
excomunhão. A Igreja Católica fez lá seus protestos,
mas não consta que em nenhum deles lhe tenham atirado a primeira
pedra ou alguma bomba. Talvez seja porque os católicos aprenderam
mais rapidamente e perceberam que rindo se castigam os costumes
e se pode chegar à inevitável tolerância.
Roberto Antonio Cêra
Piracicaba, SP
É desalentador ver que
VEJA deixa publicar essa indecorosa charge do Jaguar, insulto à
figura e à história de Jesus. Como é perturbador
ver o orgulho vazio de pessoas que se julgam acima da ética
levá-las a se vangloriar de suas lamentáveis mancadas.
Maristella Campos Barretto
Rio de Janeiro, RJ
Tariq Ramadan
Ainda que europeu, é de
extrema importância poder analisar e compreender o ponto de
vista de um muçulmano sobre as fatídicas charges.
Tariq Ramadan tem o mapa para encurtar a distância entre o
universo islâmico e o Ocidente (Amarelas, 15 de fevereiro).
Caroline Castellon
Curitiba, PR
Tariq Ramadan é uma voz
que deveria ser mais ouvida quando o assunto envolver o Islã
de maneira geral, pois as pessoas vistas como autoridades islâmicas
falam apenas por um ramo do Islã, de forma nenhuma representando
a grande pluralidade cultural que caracteriza a nossa religião.
O senhor Tariq Ramadan parece estar desperto para esse fato. Há
muitas maneiras de ser muçulmano, e seria interessante ver
a mídia brasileira divulgar mais opiniões islâmicas
moderadas, para mudar a falsa impressão de que ser muçulmano
é ser fanático, ou de que todos nós pensamos
do mesmo modo.
Alexandre Costa e Silva
Fortaleza, CE
O senhor Ramadan alega que os
muçulmanos não estão habituados a fazer piada
com religião. Tal alegação é uma mentira
grave, cujo objetivo é justificar a revolta muçulmana
usando o sacrilégio como causa. Minha afirmação
está baseada em fato concreto, na medida em que o professor
Joël Kotek, da Universidade de Bruxelas, em dois anos e meio
levantou mais de 2 000 charges em jornais árabes demonizando
a religião judaica (http://www.jcpa.org/phas/phas-21.htm).
Trata-se, portanto, do "faça o que eu falo, e não
o que faço", ou estaria o senhor Ramadan considerando que
a religião judaica não conta.
Paulo de Tarso Guimarães
São Paulo, SP
A revolta das charges
Sobre a reportagem "A fabricação
do ódio" (15 de fevereiro), segundo o senhor ministro do
Interior interino, os manifestantes do protesto que não são
libaneses não passam de 143 pessoas. A polícia libanesa
afirmou que nenhum sírio havia entrado no Líbano de
forma ilegal. Os protestos ocorridos na Síria foram espontâneos
e de surpresa perante a grande ofensa contra os muçulmanos.
O Ministério do Exterior da Síria já apresentou
desculpa ao governo dinamarquês e ao norueguês. A respeito
da acusação da ONU, ao presidente Al-Assad, de ser
o mandante do assassinato de Rafik Hariri, quero esclarecer que
isso é uma desinformação completamente inaceitável,
considerando uma insinuação feita pela revista contra
um país e seu presidente. O presidente Al-Assad nunca se
aliou aos fundamentalistas islâmicos nem abriu a fronteira
da Síria para os voluntários que vão fazer
a jihad no Iraque. A Síria, desde que o ex-presidente Hafez
Al-Assad assumiu a Presidência, estabeleceu um regime secular,
respeitando todas as crenças e impedindo a atuação
dos partidos religiosos ou similares. A história documentou
que a Síria foi o primeiro país árabe a sofrer
pela atividade dos fundamentalistas e convocou o mundo para
combatê-los, pois acredita que o fundamentalismo leva à
destruição da democracia, da estabilidade e da segurança
na região e em outros lugares do mundo.
Doutor Ali Diab
Embaixador da Síria
Brasília, DF
A revista VEJA de 8 de fevereiro
republicou parte das doze charges ofensivas à fé islâmica,
divulgadas originalmente por um jornal dinamarquês, em 30
de setembro de 2005, que satirizam o profeta Mohammad (Que a paz
esteja com ele). Em uma das caricaturas, o profeta aparece com um
turbante na cabeça em forma de bomba. Vários veículos
de comunicação no mundo republicaram a infâmia,
sem respeitar o sentimento dos outros, fato que contradiz a liberdade
de expressão, mesmo porque a liberdade de um termina quando
atinge a liberdade do outro. VEJA, lamentavelmente, ultrapassou
as barreiras do respeito às crenças e religiões
ao publicar as caricaturas do profeta Mohammed (Que a paz esteja
com ele), numa tentativa de implantar ódio e discórdia
entre os muçulmanos e as outras crenças no Brasil.
Ahmad Ali Saifi
Presidente da Junta de Assistência Social Islâmica Brasileira
São Bernardo do Campo, SP
André Petry
André Petry foi claro
e preciso em relação às manifestações
inflamadas e oportunistas que envolvem as charges dinamarquesas
("A favor da blasfêmia", 15 de fevereiro). As teocracias clamam
por respeito às suas crenças religiosas (tarefa difícil
por se misturarem às questões de Estado). Por outro
lado, muçulmanos que vivem em Londres e demais cidades européias
saem às ruas a blasfemar, ameaçar, afrontar e intimidar
o Ocidente com bordões e cartazes ("Europe is the cancer.
Islam is the answer" ou "Be prepared for the real holocaust!"),
sem nenhum risco de ser queimados, explodidos ou sofrer algum outro
tipo de tortura praticada por facínoras. Não obstante
estarem em território do "inimigo", gozam de liberdade (a
divina oponente da repressão) de expressão e têm
garantidos seus direitos individuais. O que os prende ao "câncer
ocidental"? O que os impede de retornar ao paraíso?
Telma Faraco
Belém, PA
Ministério Público
A respeito da reportagem "Intocável
sob suspeita" (15 de fevereiro), a Procuradoria-Geral de Justiça
de São Paulo esclarece: 1. As operações feitas
pelo Gaeco, em investigações relativas a desmanches
de automóveis, resultaram na instauração de
diversos processos criminais e na condenação de receptadores
de veículos ilicitamente adquiridos. 2. Eventuais faltas
funcionais de membros da instituição, decorrentes
dessas operações, motivaram a instauração
de procedimento investigatório na Corregedoria-Geral do Ministério
Público, ainda em andamento. 3. O procedimento investigatório
referente à aquisição de um imóvel no
Guarujá por membro da instituição foi acompanhado
por três representantes do Órgão Especial do
Colégio de Procuradores de Justiça e, posteriormente,
arquivado a pedido do corregedor-geral do Ministério Público,
tendo em vista que as apurações concluíram
pela regularidade da compra do referido bem. O Ministério
Público tem investigado seus próprios membros com
o mesmo rigor legal com que apura ilícitos cometidos pelos
demais cidadãos. Tanto é assim que há denúncias
oferecidas contra promotores e procuradores de Justiça, independentemente
do cargo e função que ocupam, e muitas delas já
resultaram em punição como, aliás, é
de conhecimento público. A Procuradoria-Geral de Justiça
mantém-se, como sempre, à disposição
dessa prestigiosa publicação para quaisquer outros
esclarecimentos que se fizerem necessários.
Rodrigo César Rebello Pinho
Procurador-geral de Justiça
São Paulo, SP
Olimpíadas de Inverno
Sobre a matéria "Carnaval
na neve" (8 de fevereiro), o Comitê Olímpico Brasileiro
esclarece que a delegação brasileira nos Jogos de
Turim é integrada por seis técnicos, um médico,
um fisioterapeuta, dois chefes de equipe e um chefe de missão.
São profissionais técnicos indispensáveis,
que estarão em Turim a trabalho, e não a passeio,
como sugere a matéria. O COB não pretende popularizar
os esportes de inverno no Brasil, mas está certo de seu dever
de apoiar atletas que praticam essas modalidades olímpicas.
Não é verdade que "o grande investimento ocorre na
hora da viagem olímpica". Os atletas receberam apoio nos
últimos quatro anos. A evolução vem com o tempo,
desde que esses atletas sejam apoiados e respeitados.
Carlos Arthur Nuzman
Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro
Rio de Janeiro, RJ
Roberto Pompeu de Toledo
A forma lúcida com que
Roberto Pompeu de Toledo discorreu sobre o episódio protagonizado,
pasmem, por um coronel da PM paulista uma vez mais colocou o dedo
na ferida de um problema tão presente e ao mesmo tempo tão
velado em nosso país: o racismo. Inicialmente me senti comovida,
depois triste e finalmente envergonhada, imaginando quantos Josés
de Andrade passam por essa humilhação e nunca são
ouvidos ("O juiz e o coronel", 15 de fevereiro).
Francisca A.G. Dall'Oca
Santos, SP
Gostaria de esclarecer que o
fato foi um caso isolado e pessoal entre as partes envolvidas. Determinei
a abertura de sindicância para averiguação de
possível falta disciplinar estatutária que responsabilizasse
os faltosos, porém o senhor José de Andrade dificultou
o desenvolvimento da apuração do caso pela comissão
interna, pois, quando chamado, não compareceu para depoimento
sobre a investigação, sem contar o fato de ter lavrado
o boletim de ocorrência somente 45 dias após o ocorrido
e de ter ficado em posse do documento hábil com as informações
do jogo, isto é, a súmula, cuja cópia só
foi encaminhada à administração da associação
em 3 de fevereiro de 2006 a partida foi realizada em 4 de
dezembro de 2005. Para que a administração da AOPM
possa realizar total apuração dos fatos, sem nenhuma
possibilidade de interferência, o coronel Chiari solicitou
seu afastamento da direção da entidade, atitude prontamente
aceita por mim, em 7 de fevereiro de 2006. Como cidadão e
presidente, não compactuo com nenhum tipo de preconceito
ou discriminação.
Luiz Carlos dos Santos
Coronel da reserva da PM
Presidente da Associação dos Oficiais da Polícia
Militar
São Paulo, SP
Novela
Rebelde
Os melodramas mexicanos não
são tão absurdos quanto a espiritualidade das esféricas
novelas brasileiras. Já que é para comparar, é
preferível uma divertida aventura Rebelde a uma fadigável
Malhação ("La Malhación", 15 de fevereiro).
Geraldo Medeiros Junior
Boa Vista, RR
Nos últimos anos, Malhação
já teve personagem levando choque e virando paranormal, personagens
interagindo com fadas, professor vampiro, entre outros. Malhação
mostra aos jovens brasileiros um mundo paralelo. Um mundo em que
os jovens não estudam mas passam no vestibular no fim do
ano, em que os mais pobres andam com roupas melhores que a dos ricos,
e muito mais. Rebelde pode mostrar uma juventude elitizada,
mas pelo menos são personagens com quem o público
consegue se identificar. Não existe a divisão de mocinho
e vilão, como na trama global.
Fernando Vinicius Pereira da Costa
Belo Horizonte, MG
Lula e os pobres
Ao ler as matérias "O
candidato dos pobres" e "China e Índia roubam a festa" (15
de fevereiro), concluí que o Brasil anda a passos de tartaruga
há anos por culpa única e exclusiva dos governantes
de plantão. Nas duas reportagens citadas, VEJA mostra que
o governo Lula se escuda nos pobres para tentar se reeleger. Sua
política de "bolsas" disso e daquilo anula a autodeterminação
das pessoas. No interior do país, as famílias sem
emprego vivem das migalhas, dos 95 reais que o Bolsa Família
doa aos cadastrados. Na matéria "China e Índia roubam
a festa", a humilhação se acentua. O mundo todo escolhe
criteriosamente seus parceiros, enquanto nossos "barbudos" de plantão
no Itamaraty querem que o país se alie com os mais pobres
e nos nivelam por baixo. O governo Lula e a "esquerda juvenil" brasileira
cultuam e vestem a camisa do ditador bufão Hugo Chávez.
Quintino Carvalho
Contagem, MG
Radar
A notícia "Procura-se
um monoglota" (Radar, 28 de janeiro), afirmando que Paes de Andrade
deixaria a Embaixada de Portugal para ser candidato nas eleições
de outubro, é inverídica. Uma semana atrás,
comuniquei ao Itamaraty que permanecerei na Embaixada de Portugal
até o último dia do governo do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, desde que continuando com a confiança e a
solidariedade do chefe da nação.
Paes de Andrade
Embaixador do Brasil em Portugal
Lisboa, Portugal
A contratação de
empresas, em regime de urgência, para o Programa Emergencial
de Trafegabilidade e Segurança nas Estradas, batizado pela
imprensa de operação tapa-buracos, foi feita obedecendo
a normas da Lei nº 8666, para obras emergenciais
(Radar, 15 de fevereiro).
Carlos Marassi
Assessoria de imprensa Dnit (9ª Unit)
Curitiba, PR
Stephen Kanitz
De fato, o conceito de patrimônio
líquido existe na contabilidade nacional. É denominado
de produto interno líquido, que é igual ao produto
interno bruto menos a depreciação. Seu excelente artigo
"O patrimônio líquido nacional" (Ponto de vista, 15
de fevereiro) trata, em suma, de como reduzir a taxa de depreciação
de nosso patrimônio. A questão passa, necessariamente,
pelas instituições. O autor fundamental nessa discussão
é Douglas North (Prêmio Nobel de Economia). Instituições
não são apenas leis, mas também dizem respeito
aos costumes e à cultura locais. Temos de construir instituições
(regras) que estimulem a preservação de nosso patrimônio,
o que significa, indiretamente, aumentar nossa capacidade produtiva.
O crescimento da capacidade produtiva tem reflexos imediatos sobre
a redução do desemprego e da taxa de juro também.
João Pizysieznig Filho
Pesquisador do IPT e professor da PUC-SP
São Paulo, SP
CORREÇÃO: A moeda
de ouro citada na página 81 da edição 1 943
(Datas, 15 de fevereiro) circulou no século IX, e não
no século I.
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AS FÉRIAS
DE DIOGO MAINARDI
Na
semana passada, os telefones do Atendimento ao Leitor
de VEJA e do Serviço de Atendimento ao Cliente
da Editora Abril receberam uma enxurrada de ligações
e algumas centenas de e-mails (veja quadro nesta
seção) entupiram a caixa postal de
VEJA, com uma multidão de leitores querendo saber
a razão da ausência da coluna de Diogo
Mainardi. "Em nenhum momento VEJA explicou o motivo
da ausência da coluna de Diogo Mainardi na última
edição da revista. Na internet, terra
de ninguém, especula-se que o colunista tirou
férias, enquanto outras vozes sugerem que ele
tenha saído do corpo de VEJA. Burburinho desnecessário
que angustia muito os seus fãs", escreveu o estudante
Sérgio Benatti, de Juiz de Fora. O colunista
apenas tirou duas semanas de folga. Na próxima
semana estará de volta às páginas
de VEJA.
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O BASTÃO DE
ESCULÁPIO
Os
leitores Roberta Garcia, de Niterói, Marco Antonio
Costa Campos de Santana, de Aracaju, Leonardo Hassegawa,
de Curitiba, Júnior Argôlo, de Maceió,
e o doutor Darcy Roberto Lima, professor de farmacologia
clínica e história da medicina da Universidade
Federal do Rio de Janeiro, observaram um erro no índice
da edição passada de VEJA. "O símbolo
que está cravado na maçã representa
o comércio, e não a medicina. Trata-se
do caduceu de Mercúrio: uma barra metálica
alada com duas cobras enroladas. O verdadeiro símbolo
da medicina, o bastão de Esculápio, é
formado por apenas uma serpente volteando em espiral
um cajado de madeira", escreveu Roberta. Paulo R. Prates,
da Fundação Universitária de Cardiologia
do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, dá
razão ao leitor e diz que essa confusão
vem da Renascença. "A confusão entre o
bastão de Esculápio e o caduceu de Mercúrio
é antiga e existe desde a Renascença.
O bastão de Esculápio com uma serpente
enrolada sempre foi o símbolo da atividade médica.
O caduceu é mais antigo que o bastão de
Esculápio e sempre esteve relacionado ao comércio",
diz Prates. O erro consagrou-se a tal ponto que entidades
médicas, centros acadêmicos e até
o corpo médico do Exército americano utilizam
o símbolo trocado.
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| Bastão
de Esculápio: medicina |
Caduceu de Mercúrio:
comércio |
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STEDILE PERDE AÇÃO
CONTRA VEJA
O Tribunal de Justiça de São
Paulo julgou improcedente a ação movida
por João Pedro Stedile, líder do MST,
contra VEJA, pela publicação da reportagem
"A tática da baderna" (10 de maio de 2000), ilustrada
com foto sua no corpo do agente 007. "A comparação
com o personagem James Bond buscava demonstrar que o
autor agia alheio às leis brasileiras, 'como
que autorizado pela bandeira social que empunha',
sendo que o autor não desmentiu as ações
criminosas a ele imputadas", relatou a desembargadora
Maria Cristina Cotrofe Biasi. "Apesar da forma incisiva
da matéria e do aspecto jocoso da fotomontagem,
não vislumbro dano possível de indenização,
em razão do interesse público que a reportagem
enfoca", concluiu.
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