Edição 1944 . 22 de fevereiro de 2006

Índice
Millôr
Lya Luft
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Auto-retrato
Veja essa
Gente
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Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 
"Matéria clara, objetiva e sensata. Não dá para acreditar que o desequilíbrio alimentar previne doenças e faz bem à saúde."
Luana Giannotti
Jaguariúna, SP

 

Dieta e saúde

Muito do que se produz cientificamente sobre a relação entre alimentação e doenças parte do princípio de que existe sempre a relação entre alimentos e saúde. Essa onipresença da relação nunca foi provada, mas é aceita pela comunidade científica e pela sociedade como uma "verdade". Assim, muitos a consideram de maneira simples e afirmam que a ingestão de certos alimentos (em geral, mais caros e difíceis de conseguir) evitará as doenças. Porém, a relação entre alimentação e saúde é bem mais complexa do que muitos especialistas imaginam e muitos manuais de "alimentação saudável" pregam. Por isso, é necessário o debate científico sem preconceitos falsamente científicos sobre a complexidade dessa relação. O estudo da Associação Médica Americana indica que esse debate é importante para que sejam evitados os exageros nas prescrições médicas de regimes ("A saúde está na mesa", 15 de fevereiro).
Luís Henrique Piovezan
Doutorando Epusp
São Paulo, SP

Fiquei surpreso ao ver que não foi citada a dieta mediterrânea, que é baseada nos alimentos reconhecidos como saudáveis e evidenciou maior longevidade e menor incidência de câncer e doenças cardiovasculares nos povos que habitam os países banhados pelo Mar Mediterrâneo.
Filippo Pedrinola
Doutor em medicina Membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
Por e-mail

O estudo do Women's Health Initiative analisou um período relativamente curto de oito anos e não discutiu se o nível de gorduras saturadas era suficientemente reduzido nem se o consumo de frutas e vegetais foi o desejável. O estudo presta um desserviço no esforço conjugado de autoridades médicas e sanitárias em recomendar a adoção de hábitos saudáveis, que inclui, além da ingestão de alimentos funcionais como frutas, legumes e verduras, fibras e grãos, suplementos otimizados com antioxidantes, exercício físico (meia hora por dia) e não fumar.
Professor doutor Mario Maranhão
Presidente do Instituto Qualivitae e ex-presidente da Federação Mundial de Cardiologia
Por e-mail

A reportagem "A saúde está na mesa" traz a foto de uma termomamografia, e não de uma mamografia, como diz o texto correspondente (página 71). A mamografia é o único exame complementar que comprovadamente reduz a taxa de mortalidade pelo câncer de mama, devido a sua capacidade de diagnóstico precoce.
Rogério Bizinoto Ferreira
Médico mastologista
Goiânia, GO

 

Dieta do presidente Lula

Gostaria de cumprimentar a doutora Marisa Coral, que foi muito feliz em seu depoimento sobre a dieta de nosso presidente ("Lula dá mau exemplo", 15 de fevereiro). Realmente, o presidente foi infeliz ao optar por uma dieta que só traz prejuízos ao organismo e é inviável a longo prazo. No emagrecimento, vale o ditado: "A pressa é inimiga da perfeição". Resultados rápidos não são duradouros.
Ermelinda Lara
Nutricionista
Belo Horizonte, MG

 

Millôr, Jaguar e a religião

A questão não é saber se o Islã é compatível com uma sociedade "moderna e secular", como afirmou o jornalista dinamarquês Flemming Rose, mas saber se o Ocidente é capaz de aceitar o que é diferente: costumes e tradições que não se encaixam no estigma de "mundo globalizado", que serve apenas aos grandes capitais. A numerosa comunidade islâmica no Brasil é um bom exemplo de integração com o Ocidente, sem abrir mão de seus valores. Sem hipocrisia: liberdade de imprensa é uma coisa, liberdade de ofensa é outra. Queremos apenas respeito ("A fabricação do ódio", 15 de fevereiro).
Yussef Ali Abdouni
Sociedade Beneficente Muçulmana de São Paulo
São Paulo, SP

A matéria sobre o Islã dá ênfase à demissão do cartunista carioca Jaguar, pela revista Status, por sua charge ofensiva à fé cristã. VEJA se "esqueceu" de informar aos seus leitores que seu cartunista Millôr Fernandes também foi demitido de O Cruzeiro por ofensas à imagem sagrada de Jesus Cristo. Paulo Francis, outro chato de galochas, que Deus o tenha, foi muito infeliz e simplório em seu comentário, porque, abstraindo-se o lado respeitoso, as religiões seriam uma fonte inesgotável de inspiração para humoristas, cartunistas e palhaços em geral. Claro que minha carta não será publicada por VEJA. VEJA só publica o que é de seu interesse. Enviei, por exemplo, uma carta sobre a matéria de Otávio Cabral "O pacote que é uma vergonha" (11 de janeiro), e, como minha crítica não foi do interesse da revista, não foi publicada. Não deixo de ler VEJA, há anos, mas, peraí, é preciso estar aberto, também, às críticas informativas e construtivas.
João Alderney Pires
Recife, PE

Posso me dar ao luxo de ler o Millôr desde o tempo em que ele era o Vão Gogo e nos deliciava com o seu Pif-Paf, em O Cruzeiro, e de ter lido e visto a sua Verdadeira História do Paraíso, em 1963, pela qual o excepcional humorista quase foi levado à excomunhão. A Igreja Católica fez lá seus protestos, mas não consta que em nenhum deles lhe tenham atirado a primeira pedra ou alguma bomba. Talvez seja porque os católicos aprenderam mais rapidamente e perceberam que rindo se castigam os costumes e se pode chegar à inevitável tolerância.
Roberto Antonio Cêra
Piracicaba, SP

É desalentador ver que VEJA deixa publicar essa indecorosa charge do Jaguar, insulto à figura e à história de Jesus. Como é perturbador ver o orgulho vazio de pessoas que se julgam acima da ética levá-las a se vangloriar de suas lamentáveis mancadas.
Maristella Campos Barretto
Rio de Janeiro, RJ

 

Tariq Ramadan

Ainda que europeu, é de extrema importância poder analisar e compreender o ponto de vista de um muçulmano sobre as fatídicas charges. Tariq Ramadan tem o mapa para encurtar a distância entre o universo islâmico e o Ocidente (Amarelas, 15 de fevereiro).
Caroline Castellon
Curitiba, PR

Tariq Ramadan é uma voz que deveria ser mais ouvida quando o assunto envolver o Islã de maneira geral, pois as pessoas vistas como autoridades islâmicas falam apenas por um ramo do Islã, de forma nenhuma representando a grande pluralidade cultural que caracteriza a nossa religião. O senhor Tariq Ramadan parece estar desperto para esse fato. Há muitas maneiras de ser muçulmano, e seria interessante ver a mídia brasileira divulgar mais opiniões islâmicas moderadas, para mudar a falsa impressão de que ser muçulmano é ser fanático, ou de que todos nós pensamos do mesmo modo.
Alexandre Costa e Silva
Fortaleza, CE

O senhor Ramadan alega que os muçulmanos não estão habituados a fazer piada com religião. Tal alegação é uma mentira grave, cujo objetivo é justificar a revolta muçulmana usando o sacrilégio como causa. Minha afirmação está baseada em fato concreto, na medida em que o professor Joël Kotek, da Universidade de Bruxelas, em dois anos e meio levantou mais de 2 000 charges em jornais árabes demonizando a religião judaica (http://www.jcpa.org/phas/phas-21.htm). Trata-se, portanto, do "faça o que eu falo, e não o que faço", ou estaria o senhor Ramadan considerando que a religião judaica não conta.
Paulo de Tarso Guimarães
São Paulo, SP

 

A revolta das charges

Sobre a reportagem "A fabricação do ódio" (15 de fevereiro), segundo o senhor ministro do Interior interino, os manifestantes do protesto que não são libaneses não passam de 143 pessoas. A polícia libanesa afirmou que nenhum sírio havia entrado no Líbano de forma ilegal. Os protestos ocorridos na Síria foram espontâneos e de surpresa perante a grande ofensa contra os muçulmanos. O Ministério do Exterior da Síria já apresentou desculpa ao governo dinamarquês e ao norueguês. A respeito da acusação da ONU, ao presidente Al-Assad, de ser o mandante do assassinato de Rafik Hariri, quero esclarecer que isso é uma desinformação completamente inaceitável, considerando uma insinuação feita pela revista contra um país e seu presidente. O presidente Al-Assad nunca se aliou aos fundamentalistas islâmicos nem abriu a fronteira da Síria para os voluntários que vão fazer a jihad no Iraque. A Síria, desde que o ex-presidente Hafez Al-Assad assumiu a Presidência, estabeleceu um regime secular, respeitando todas as crenças e impedindo a atuação dos partidos religiosos ou similares. A história documentou que a Síria foi o primeiro país árabe a sofrer pela atividade dos fundamentalistas – e convocou o mundo para combatê-los, pois acredita que o fundamentalismo leva à destruição da democracia, da estabilidade e da segurança na região e em outros lugares do mundo.
Doutor Ali Diab
Embaixador da Síria
Brasília, DF

A revista VEJA de 8 de fevereiro republicou parte das doze charges ofensivas à fé islâmica, divulgadas originalmente por um jornal dinamarquês, em 30 de setembro de 2005, que satirizam o profeta Mohammad (Que a paz esteja com ele). Em uma das caricaturas, o profeta aparece com um turbante na cabeça em forma de bomba. Vários veículos de comunicação no mundo republicaram a infâmia, sem respeitar o sentimento dos outros, fato que contradiz a liberdade de expressão, mesmo porque a liberdade de um termina quando atinge a liberdade do outro. VEJA, lamentavelmente, ultrapassou as barreiras do respeito às crenças e religiões ao publicar as caricaturas do profeta Mohammed (Que a paz esteja com ele), numa tentativa de implantar ódio e discórdia entre os muçulmanos e as outras crenças no Brasil.
Ahmad Ali Saifi
Presidente da Junta de Assistência Social Islâmica Brasileira
São Bernardo do Campo, SP

 

André Petry

André Petry foi claro e preciso em relação às manifestações inflamadas e oportunistas que envolvem as charges dinamarquesas ("A favor da blasfêmia", 15 de fevereiro). As teocracias clamam por respeito às suas crenças religiosas (tarefa difícil por se misturarem às questões de Estado). Por outro lado, muçulmanos que vivem em Londres e demais cidades européias saem às ruas a blasfemar, ameaçar, afrontar e intimidar o Ocidente com bordões e cartazes ("Europe is the cancer. Islam is the answer" ou "Be prepared for the real holocaust!"), sem nenhum risco de ser queimados, explodidos ou sofrer algum outro tipo de tortura praticada por facínoras. Não obstante estarem em território do "inimigo", gozam de liberdade (a divina oponente da repressão) de expressão e têm garantidos seus direitos individuais. O que os prende ao "câncer ocidental"? O que os impede de retornar ao paraíso?
Telma Faraco
Belém, PA

 

Ministério Público

A respeito da reportagem "Intocável sob suspeita" (15 de fevereiro), a Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo esclarece: 1. As operações feitas pelo Gaeco, em investigações relativas a desmanches de automóveis, resultaram na instauração de diversos processos criminais e na condenação de receptadores de veículos ilicitamente adquiridos. 2. Eventuais faltas funcionais de membros da instituição, decorrentes dessas operações, motivaram a instauração de procedimento investigatório na Corregedoria-Geral do Ministério Público, ainda em andamento. 3. O procedimento investigatório referente à aquisição de um imóvel no Guarujá por membro da instituição foi acompanhado por três representantes do Órgão Especial do Colégio de Procuradores de Justiça e, posteriormente, arquivado a pedido do corregedor-geral do Ministério Público, tendo em vista que as apurações concluíram pela regularidade da compra do referido bem. O Ministério Público tem investigado seus próprios membros com o mesmo rigor legal com que apura ilícitos cometidos pelos demais cidadãos. Tanto é assim que há denúncias oferecidas contra promotores e procuradores de Justiça, independentemente do cargo e função que ocupam, e muitas delas já resultaram em punição – como, aliás, é de conhecimento público. A Procuradoria-Geral de Justiça mantém-se, como sempre, à disposição dessa prestigiosa publicação para quaisquer outros esclarecimentos que se fizerem necessários.
Rodrigo César Rebello Pinho
Procurador-geral de Justiça
São Paulo, SP

 

Olimpíadas de Inverno

Sobre a matéria "Carnaval na neve" (8 de fevereiro), o Comitê Olímpico Brasileiro esclarece que a delegação brasileira nos Jogos de Turim é integrada por seis técnicos, um médico, um fisioterapeuta, dois chefes de equipe e um chefe de missão. São profissionais técnicos indispensáveis, que estarão em Turim a trabalho, e não a passeio, como sugere a matéria. O COB não pretende popularizar os esportes de inverno no Brasil, mas está certo de seu dever de apoiar atletas que praticam essas modalidades olímpicas. Não é verdade que "o grande investimento ocorre na hora da viagem olímpica". Os atletas receberam apoio nos últimos quatro anos. A evolução vem com o tempo, desde que esses atletas sejam apoiados e respeitados.
Carlos Arthur Nuzman
Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro
Rio de Janeiro, RJ

 

Roberto Pompeu de Toledo

A forma lúcida com que Roberto Pompeu de Toledo discorreu sobre o episódio protagonizado, pasmem, por um coronel da PM paulista uma vez mais colocou o dedo na ferida de um problema tão presente e ao mesmo tempo tão velado em nosso país: o racismo. Inicialmente me senti comovida, depois triste e finalmente envergonhada, imaginando quantos Josés de Andrade passam por essa humilhação e nunca são ouvidos ("O juiz e o coronel", 15 de fevereiro).
Francisca A.G. Dall'Oca
Santos, SP

Gostaria de esclarecer que o fato foi um caso isolado e pessoal entre as partes envolvidas. Determinei a abertura de sindicância para averiguação de possível falta disciplinar estatutária que responsabilizasse os faltosos, porém o senhor José de Andrade dificultou o desenvolvimento da apuração do caso pela comissão interna, pois, quando chamado, não compareceu para depoimento sobre a investigação, sem contar o fato de ter lavrado o boletim de ocorrência somente 45 dias após o ocorrido e de ter ficado em posse do documento hábil com as informações do jogo, isto é, a súmula, cuja cópia só foi encaminhada à administração da associação em 3 de fevereiro de 2006 – a partida foi realizada em 4 de dezembro de 2005. Para que a administração da AOPM possa realizar total apuração dos fatos, sem nenhuma possibilidade de interferência, o coronel Chiari solicitou seu afastamento da direção da entidade, atitude prontamente aceita por mim, em 7 de fevereiro de 2006. Como cidadão e presidente, não compactuo com nenhum tipo de preconceito ou discriminação.
Luiz Carlos dos Santos
Coronel da reserva da PM
Presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar
São Paulo, SP

 

Novela Rebelde

Os melodramas mexicanos não são tão absurdos quanto a espiritualidade das esféricas novelas brasileiras. Já que é para comparar, é preferível uma divertida aventura Rebelde a uma fadigável Malhação ("La Malhación", 15 de fevereiro).
Geraldo Medeiros Junior
Boa Vista, RR

Nos últimos anos, Malhação já teve personagem levando choque e virando paranormal, personagens interagindo com fadas, professor vampiro, entre outros. Malhação mostra aos jovens brasileiros um mundo paralelo. Um mundo em que os jovens não estudam mas passam no vestibular no fim do ano, em que os mais pobres andam com roupas melhores que a dos ricos, e muito mais. Rebelde pode mostrar uma juventude elitizada, mas pelo menos são personagens com quem o público consegue se identificar. Não existe a divisão de mocinho e vilão, como na trama global.
Fernando Vinicius Pereira da Costa
Belo Horizonte, MG

 

Lula e os pobres

Ao ler as matérias "O candidato dos pobres" e "China e Índia roubam a festa" (15 de fevereiro), concluí que o Brasil anda a passos de tartaruga há anos por culpa única e exclusiva dos governantes de plantão. Nas duas reportagens citadas, VEJA mostra que o governo Lula se escuda nos pobres para tentar se reeleger. Sua política de "bolsas" disso e daquilo anula a autodeterminação das pessoas. No interior do país, as famílias sem emprego vivem das migalhas, dos 95 reais que o Bolsa Família doa aos cadastrados. Na matéria "China e Índia roubam a festa", a humilhação se acentua. O mundo todo escolhe criteriosamente seus parceiros, enquanto nossos "barbudos" de plantão no Itamaraty querem que o país se alie com os mais pobres e nos nivelam por baixo. O governo Lula e a "esquerda juvenil" brasileira cultuam e vestem a camisa do ditador bufão Hugo Chávez.
Quintino Carvalho
Contagem, MG

 

Radar

A notícia "Procura-se um monoglota" (Radar, 28 de janeiro), afirmando que Paes de Andrade deixaria a Embaixada de Portugal para ser candidato nas eleições de outubro, é inverídica. Uma semana atrás, comuniquei ao Itamaraty que permanecerei na Embaixada de Portugal até o último dia do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desde que continuando com a confiança e a solidariedade do chefe da nação.
Paes de Andrade
Embaixador do Brasil em Portugal
Lisboa, Portugal

A contratação de empresas, em regime de urgência, para o Programa Emergencial de Trafegabilidade e Segurança nas Estradas, batizado pela imprensa de operação tapa-buracos, foi feita obedecendo a normas da Lei nº 8666, para obras emergenciais (Radar, 15 de fevereiro).
Carlos Marassi
Assessoria de imprensa – Dnit (9ª Unit)
Curitiba, PR

 

Stephen Kanitz

De fato, o conceito de patrimônio líquido existe na contabilidade nacional. É denominado de produto interno líquido, que é igual ao produto interno bruto menos a depreciação. Seu excelente artigo "O patrimônio líquido nacional" (Ponto de vista, 15 de fevereiro) trata, em suma, de como reduzir a taxa de depreciação de nosso patrimônio. A questão passa, necessariamente, pelas instituições. O autor fundamental nessa discussão é Douglas North (Prêmio Nobel de Economia). Instituições não são apenas leis, mas também dizem respeito aos costumes e à cultura locais. Temos de construir instituições (regras) que estimulem a preservação de nosso patrimônio, o que significa, indiretamente, aumentar nossa capacidade produtiva. O crescimento da capacidade produtiva tem reflexos imediatos sobre a redução do desemprego e da taxa de juro também.
João Pizysieznig Filho
Pesquisador do IPT e professor da PUC-SP
São Paulo, SP

 

CORREÇÃO: A moeda de ouro citada na página 81 da edição 1 943 (Datas, 15 de fevereiro) circulou no século IX, e não no século I.

 

AS FÉRIAS DE DIOGO MAINARDI

Na semana passada, os telefones do Atendimento ao Leitor de VEJA e do Serviço de Atendimento ao Cliente da Editora Abril receberam uma enxurrada de ligações e algumas centenas de e-mails (veja quadro nesta seção) entupiram a caixa postal de VEJA, com uma multidão de leitores querendo saber a razão da ausência da coluna de Diogo Mainardi. "Em nenhum momento VEJA explicou o motivo da ausência da coluna de Diogo Mainardi na última edição da revista. Na internet, terra de ninguém, especula-se que o colunista tirou férias, enquanto outras vozes sugerem que ele tenha saído do corpo de VEJA. Burburinho desnecessário que angustia muito os seus fãs", escreveu o estudante Sérgio Benatti, de Juiz de Fora. O colunista apenas tirou duas semanas de folga. Na próxima semana estará de volta às páginas de VEJA.

 

O BASTÃO DE ESCULÁPIO

Os leitores Roberta Garcia, de Niterói, Marco Antonio Costa Campos de Santana, de Aracaju, Leonardo Hassegawa, de Curitiba, Júnior Argôlo, de Maceió, e o doutor Darcy Roberto Lima, professor de farmacologia clínica e história da medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, observaram um erro no índice da edição passada de VEJA. "O símbolo que está cravado na maçã representa o comércio, e não a medicina. Trata-se do caduceu de Mercúrio: uma barra metálica alada com duas cobras enroladas. O verdadeiro símbolo da medicina, o bastão de Esculápio, é formado por apenas uma serpente volteando em espiral um cajado de madeira", escreveu Roberta. Paulo R. Prates, da Fundação Universitária de Cardiologia do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, dá razão ao leitor e diz que essa confusão vem da Renascença. "A confusão entre o bastão de Esculápio e o caduceu de Mercúrio é antiga e existe desde a Renascença. O bastão de Esculápio com uma serpente enrolada sempre foi o símbolo da atividade médica. O caduceu é mais antigo que o bastão de Esculápio e sempre esteve relacionado ao comércio", diz Prates. O erro consagrou-se a tal ponto que entidades médicas, centros acadêmicos e até o corpo médico do Exército americano utilizam o símbolo trocado.

 
Bastão de Esculápio: medicina Caduceu de Mercúrio: comércio

 

STEDILE PERDE AÇÃO CONTRA VEJA

O Tribunal de Justiça de São Paulo julgou improcedente a ação movida por João Pedro Stedile, líder do MST, contra VEJA, pela publicação da reportagem "A tática da baderna" (10 de maio de 2000), ilustrada com foto sua no corpo do agente 007. "A comparação com o personagem James Bond buscava demonstrar que o autor agia alheio às leis brasileiras, 'como que autorizado pela bandeira social que empunha', sendo que o autor não desmentiu as ações criminosas a ele imputadas", relatou a desembargadora Maria Cristina Cotrofe Biasi. "Apesar da forma incisiva da matéria e do aspecto jocoso da fotomontagem, não vislumbro dano possível de indenização, em razão do interesse público que a reportagem enfoca", concluiu.

 
 
 
 
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