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Carta ao leitor Uma
grande vitória Sérgio
Dutti/AE
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STF julga o fim do nepotismo no Judiciário: agora se trata de combater
essa prática funesta em outras esferas |
Em outubro do ano passado, neste mesmo espaço, VEJA comemorou o fato de
o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão de controle externo
do Judiciário, ter aprovado uma resolução que proibia o nepotismo.
Na ocasião, o CNJ deu um prazo de noventa dias para que fossem exonerados
de cargos no Judiciário todos os parentes de juízes que não
fossem concursados. Passados três meses, a determinação foi
cumprida. Mas não sem resistência. Até quinta-feira última,
segundo um levantamento da Ordem dos Advogados do Brasil, dos 1 854 parentes de
magistrados que deveriam ser demitidos, somente 460 haviam sido exonerados. O
restante permanecia nos cargos por força de liminares ou por decisão
dos próprios tribunais. Essa situação, que afrontava o país
e parecia encaminhar-se para um longo impasse, assim como tantas outras que habitam
o noticiário, foi desfeita graças ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Por 9 votos contra 1 (de Marco Aurélio Mello), os ministros do Supremo
julgaram em favor da constitucionalidade da resolução do CNJ, em
ação proposta pela Associação dos Magistrados Brasileiros.
Com isso, foram derrubadas todas as liminares e decisões judiciais que
asseguravam aos beneficiários do nepotismo a manutenção de
seus empregos. Ao justificar seu voto, o ministro Celso de Mello sintetizou: "Quem
tem o poder e a força do Estado em suas mãos não tem o direito
de exercer em seu benefício a autoridade que lhe é garantida".
O julgamento do STF deveria entrar para os livros de história. Ele não
só impediu que o nepotismo pudesse sobreviver no Judiciário graças
aos desvãos da legislação brasileira, como abriu a possibilidade
para que essa prática tão antiga quanto funesta seja eliminada de
todas as esferas da vida nacional. Nepotismo implica favorecimento, acobertamento
de atos ilícitos e utilização indevida da máquina
pública. É o exato oposto de meritocracia conceito que rima,
esse sim, com democracia. |