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Edição 1 786 - 22 de janeiro de 2003
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TELEVISÃO

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Charlie Chan: mirabolante


O Honorável Detetive
(de segunda a domingo, dia 26, no Telecine Classic) – Com sua fala monocórdia e um jeito todo oriental de solucionar mistérios, o detetive Charlie Chan marcou época no cinema. Nos anos 30 e 40, o personagem deu mote a uma série de filmes policiais de sucesso, cujas tramas mirabolantes e vilões caricaturais hoje fazem a delícia dos amantes do gênero trash. Esse ciclo é uma chance de conhecer sete dessas produções. Embora tivesse origem chinesa, Chan era interpretado por atores ocidentais – sempre com muita maquiagem nas sobrancelhas. O sueco Warner Oland estrela fitas como Charlie Chan no Egito (terça), em que se investiga o assassinato de um arqueólogo encontrado morto dentro de um sarcófago. A partir de 1939, o detetive foi vivido pelo americano Sidney Toler, protagonista do insólito Charlie Chan no Rio (sábado), ambientado no Brasil.

 

LIVROS

Contos e Poemas para Crianças Extremamente Inteligentes de Todas as Idades – Primavera (tradução de José Antonio Arantes; Objetiva; 140 páginas; 21,90 reais) – O crítico americano Harold Bloom costuma dizer que a divisão que se faz entre literatura infantil e adulta é uma heresia. Para ele, o ideal é que desde cedo as crianças tenham contato com os clássicos, para não se tornarem leitores limitados. Bloom se guiou por essa visão ao conceber uma surpreendente antologia. Em Primavera, o primeiro dos quatro volumes a ser lançados, não há textos que se poderiam rotular como infantis na acepção convencional – o máximo nesse sentido é um poema do inglês Lewis Carroll, o criador de Alice no País das Maravilhas, intitulado Supersopa, Tão Verde e Tão Rica. Na coletânea há muita poesia, sobretudo de ingleses como Shakespeare e o romântico John Keats. E também contos de autores como o anglo-indiano Rudyard Kipling e uma fábula de Esopo.

Cadernos de Literatura Brasileira: Euclides da Cunha e Cadernos de Fotografia Brasileira: Canudos (Instituto Moreira Salles; 411 e 302 páginas; 70 e 63 reais) – Em 2002, comemorou-se o centenário da publicação de Os Sertões, de Euclides da Cunha. Entre os diversos lançamentos em torno dessa obra-prima da literatura brasileira, que trata da Guerra de Canudos, destacam-se esses dois livros. São tomos caprichados, recheados de imagens (muitas delas raras) e textos analíticos. O primeiro volume, além de inéditos e manuscritos do autor, traz ensaios de especialistas como Walnice Nogueira Galvão e uma reportagem do editor especial de VEJA Roberto Pompeu de Toledo. O livro Canudos inaugura a série Cadernos de Fotografia Brasileira. Há imagens de Flávio de Barros, o único a registrar o conflito, ensaios do etnólogo francês Pierre Verger e imagens atuais do local.

Napoleão, de Paul Johnson (tradução de Sérgio Duarte; Objetiva; 210 páginas; 31,90 reais) – Uma das figuras centrais da história moderna, o imperador francês Napoleão Bonaparte (1769-1821) já foi tema de inúmeras biografias enaltecedoras. O jornalista e historiador Paul Johnson propõe uma visão alternativa – e bem inglesa – do personagem. Para Johnson, o antigo inimigo de seu país influenciou de maneira negativa os rumos da história. Segundo ele, a escalada militar promovida por Napoleão, em vez de engrandecer a França, prejudicou o desenvolvimento do país e o fez perder seu lugar de vanguarda entre as potências européias. Para Johnson, o estilo napoleônico também está na raiz dos regimes totalitários que surgiram no século XX. Leia trechos do livro.

 

DISCO

Acerto de Contas, vários intérpretes sobre a obra de Paulo Vanzolini (Biscoito Fino) – O público, em geral, lembra-se apenas de duas composições do paulista Paulo Vanzolini: a sorumbática Ronda, cantada por Márcia, e Volta por Cima, gravada por Noite Ilustrada nos anos 60. Essa caixa com quatro CDs reúne, além desses sucessos, outras cinqüenta canções de Vanzolini. São sambas de sotaque paulistano, que tratam de temas como boemia, desilusões amorosas e mulheres ingratas. Os intérpretes vão de artistas do primeiro time da MPB (Chico Buarque canta Quando Eu For, Eu Vou sem Pena, enquanto Paulinho da Viola dá sua versão para Bandeira de Guerra) aos amadores João Macacão (Maria que Ninguém Queria) e Chico Aguiar (Mulher que Não Dá Samba).

 

DVDs

Classic Albums: Songs in the Key of Life, Stevie Wonder (ST2) – Parte de uma coleção dedicada a recuperar a história de discos clássicos do pop e do rock, o DVD mostra por que Songs in the Key of Life é aclamado como o ápice criativo na carreira do cantor americano Stevie Wonder. Além de uma espécie de aula do maestro Quincy Jones (um dos principais conhecedores da história da música negra americana), ele traz bons clipes e imagens de Wonder e dos músicos que participaram do álbum relembrando como nasceu cada canção. Lançado originalmente em 1976, Songs... tomou dois anos da vida de Wonder, entre criação de arranjos, gravações e uma disputa com a gravadora Motown, que resultou numa renovação de contrato milionária. Ele recebeu uma bolada de 13 milhões de dólares para terminar o disco. A companhia recuperou o investimento em um mês.


Montenegro: clássico alternativo

Montenegro (Montenegro – Or Pigs and Pearls, Suécia/Inglaterra, 1981. New Line) – Meio morta de tédio, uma dona-de-casa americana (Susan Anspach) deixa a casa em que mora com o marido rico e aborrecido em Estocolmo, para se enfiar num cortiço com um bando de imigrantes iugoslavos, todos eles envolvidos com atividades ilegais. Tudo muito cômico, folclórico e colorido. Mas, antes que o espectador se convença de que essa festa vai continuar e que seu filme não passa de uma comédia farsesca, o diretor Dusan Makavejev desfere uma paulada que é a verdadeira razão de ser da história: a dona-de-casa se crê uma vítima, mas não perdeu nem um pouco dos instintos predatórios dos muito ricos e indolentes. Não à toa, o filme se tornou uma espécie de clássico alternativo.

 

OS MAIS VENDIDOS — CRÍTICA

Décimo colocado na lista de ficção de VEJA, O Canto da Sereia (Objetiva; 260 páginas; 32,90 reais), primeiro romance do jornalista Nelson Motta, conta a história de Agostinho Matoso, um detetive baiano encarregado de investigar a morte de uma cantora assassinada no topo de um trio elétrico em Salvador. O romance é sans clef (sem chave, em francês): está cheio de referências explícitas a personalidades bem conhecidas do público brasileiro. E por que deveria ser diferente? Quem recorre ao roman à clef, em que pessoas de carne e osso são ocultadas por nomes fictícios, normalmente quer destilar maldades. Mas Nelson Motta é um sujeito generoso. Não tem nada de ruim a dizer sobre ninguém. Em seu romance, ele cita – e elogia – figuras como o batuqueiro Carlinhos Brown, os cantores Caetano Veloso e Gilberto Gil (em sua encarnação pré-Ministério da Cultura), as cantoras Daniela Mercury e Ivete Sangalo e até o marqueteiro Nizan Guanaes. E não é só isso. Como o detetive é um glutão, a cada poucas páginas visita um bar ou restaurante famoso da capital baiana, cujos pratos são citados – e elogiados. No final do volume, Motta agradece à presidente da Emtursa, a empresa de turismo do governo da Bahia. Ela é que deveria agradecer a ele.

 

   
 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Argumento, Laselva, Nobel, Saraiva, Siciliano, Sodiler, Livraria da Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
   
 
   
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