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TELEVISÃO
Fotos divulgação

Charlie
Chan: mirabolante |
O Honorável Detetive (de segunda a domingo, dia 26, no
Telecine Classic) Com sua fala monocórdia e um jeito todo
oriental de solucionar mistérios, o detetive Charlie Chan marcou
época no cinema. Nos anos 30 e 40, o personagem deu mote a uma
série de filmes policiais de sucesso, cujas tramas mirabolantes
e vilões caricaturais hoje fazem a delícia dos amantes do
gênero trash. Esse ciclo é uma chance de conhecer sete dessas
produções. Embora tivesse origem chinesa, Chan era interpretado
por atores ocidentais sempre com muita maquiagem nas sobrancelhas.
O sueco Warner Oland estrela fitas como Charlie Chan no Egito (terça),
em que se investiga o assassinato de um arqueólogo encontrado morto
dentro de um sarcófago. A partir de 1939, o detetive foi vivido
pelo americano Sidney Toler, protagonista do insólito Charlie
Chan no Rio (sábado), ambientado no Brasil.
LIVROS
Contos
e Poemas para Crianças Extremamente Inteligentes de Todas as Idades
Primavera (tradução de José Antonio
Arantes; Objetiva; 140 páginas; 21,90 reais) O crítico
americano Harold Bloom costuma dizer que a divisão que se faz entre
literatura infantil e adulta é uma heresia. Para ele, o ideal é
que desde cedo as crianças tenham contato com os clássicos,
para não se tornarem leitores limitados. Bloom se guiou por essa
visão ao conceber uma surpreendente antologia. Em Primavera,
o primeiro dos quatro volumes a ser lançados, não há
textos que se poderiam rotular como infantis na acepção
convencional o máximo nesse sentido é um poema do
inglês Lewis Carroll, o criador de Alice no País das Maravilhas,
intitulado Supersopa, Tão Verde e Tão Rica. Na
coletânea há muita poesia, sobretudo de ingleses como Shakespeare
e o romântico John Keats. E também contos de autores como
o anglo-indiano Rudyard Kipling e uma fábula de Esopo.
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Cadernos
de Literatura Brasileira: Euclides da Cunha e Cadernos de
Fotografia Brasileira: Canudos (Instituto Moreira Salles; 411
e 302 páginas; 70 e 63 reais) Em 2002, comemorou-se o centenário
da publicação de Os Sertões, de Euclides da
Cunha. Entre os diversos lançamentos em torno dessa obra-prima
da literatura brasileira, que trata da Guerra de Canudos, destacam-se
esses dois livros. São tomos caprichados, recheados de imagens
(muitas delas raras) e textos analíticos. O primeiro volume, além
de inéditos e manuscritos do autor, traz ensaios de especialistas
como Walnice Nogueira Galvão e uma reportagem do editor especial
de VEJA Roberto Pompeu de Toledo. O livro Canudos inaugura a série
Cadernos de Fotografia Brasileira. Há imagens de Flávio
de Barros, o único a registrar o conflito, ensaios do etnólogo
francês Pierre Verger e imagens atuais do local.
Napoleão,
de Paul Johnson (tradução de Sérgio Duarte;
Objetiva; 210 páginas; 31,90 reais) Uma das figuras centrais
da história moderna, o imperador francês Napoleão
Bonaparte (1769-1821) já foi tema de inúmeras biografias
enaltecedoras. O jornalista e historiador Paul Johnson propõe uma
visão alternativa e bem inglesa do personagem. Para
Johnson, o antigo inimigo de seu país influenciou de maneira negativa
os rumos da história. Segundo ele, a escalada militar promovida
por Napoleão, em vez de engrandecer a França, prejudicou
o desenvolvimento do país e o fez perder seu lugar de vanguarda
entre as potências européias. Para Johnson, o estilo napoleônico
também está na raiz dos regimes totalitários que
surgiram no século XX. Leia
trechos do livro.
DISCO
Acerto
de Contas, vários intérpretes sobre a obra de Paulo
Vanzolini (Biscoito Fino) O público, em geral, lembra-se
apenas de duas composições do paulista Paulo Vanzolini:
a sorumbática Ronda, cantada por Márcia, e Volta
por Cima, gravada por Noite Ilustrada nos anos 60. Essa caixa com
quatro CDs reúne, além desses sucessos, outras cinqüenta
canções de Vanzolini. São sambas de sotaque paulistano,
que tratam de temas como boemia, desilusões amorosas e mulheres
ingratas. Os intérpretes vão de artistas do primeiro time
da MPB (Chico Buarque canta Quando
Eu For, Eu Vou sem Pena, enquanto Paulinho da Viola dá
sua versão para Bandeira de Guerra) aos amadores João
Macacão (Maria que Ninguém Queria) e Chico Aguiar
(Mulher que Não Dá Samba).
DVDs
Classic
Albums: Songs in the Key of Life, Stevie Wonder (ST2) Parte
de uma coleção dedicada a recuperar a história de
discos clássicos do pop e do rock, o DVD mostra por que Songs
in the Key of Life é aclamado como o ápice criativo
na carreira do cantor americano Stevie Wonder. Além de uma espécie
de aula do maestro Quincy Jones (um dos principais conhecedores da história
da música negra americana), ele traz bons clipes e imagens de Wonder
e dos músicos que participaram do álbum relembrando como
nasceu cada canção. Lançado originalmente em 1976,
Songs... tomou dois anos da vida de Wonder, entre criação
de arranjos, gravações e uma disputa com a gravadora Motown,
que resultou numa renovação de contrato milionária.
Ele recebeu uma bolada de 13 milhões de dólares para terminar
o disco. A companhia recuperou o investimento em um mês.

Montenegro:
clássico alternativo |
Montenegro
(Montenegro Or Pigs and Pearls, Suécia/Inglaterra,
1981. New Line) Meio morta de tédio, uma dona-de-casa americana
(Susan Anspach) deixa a casa em que mora com o marido rico e aborrecido
em Estocolmo, para se enfiar num cortiço com um bando de imigrantes
iugoslavos, todos eles envolvidos com atividades ilegais. Tudo muito cômico,
folclórico e colorido. Mas, antes que o espectador se convença
de que essa festa vai continuar e que seu filme não passa de uma
comédia farsesca, o diretor Dusan Makavejev desfere uma paulada
que é a verdadeira razão de ser da história: a dona-de-casa
se crê uma vítima, mas não perdeu nem um pouco dos
instintos predatórios dos muito ricos e indolentes. Não
à toa, o filme se tornou uma espécie de clássico
alternativo.
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OS
MAIS VENDIDOS
CRÍTICA
Décimo
colocado na lista de ficção de VEJA, O Canto
da Sereia (Objetiva; 260 páginas; 32,90 reais), primeiro
romance do jornalista Nelson Motta, conta a história de Agostinho
Matoso, um detetive baiano encarregado de investigar a morte de
uma cantora assassinada no topo de um trio elétrico em Salvador.
O romance é sans clef (sem chave, em francês):
está cheio de referências explícitas a personalidades
bem conhecidas do público brasileiro. E por que deveria ser
diferente? Quem recorre ao roman à clef, em que pessoas
de carne e osso são ocultadas por nomes fictícios,
normalmente quer destilar maldades. Mas Nelson Motta é um
sujeito generoso. Não tem nada de ruim a dizer sobre ninguém.
Em seu romance, ele cita e elogia figuras como o batuqueiro
Carlinhos Brown, os cantores Caetano Veloso e Gilberto Gil (em sua
encarnação pré-Ministério da Cultura),
as cantoras Daniela Mercury e Ivete Sangalo e até o marqueteiro
Nizan Guanaes. E não é só isso. Como o detetive
é um glutão, a cada poucas páginas visita um
bar ou restaurante famoso da capital baiana, cujos pratos são
citados e elogiados. No final do volume, Motta agradece à
presidente da Emtursa, a empresa de turismo do governo da Bahia.
Ela é que deveria agradecer a ele.
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