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Edição 1 786 - 22 de janeiro de 2003
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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br]


RIO DE JANEIRO

Garotinho governa
Aos poucos vai ficar cada vez mais explícito o que é sabido apenas na copa e cozinha do poder fluminense — marido dedicado, Anthony Garotinho atua hoje como uma espécie de governador paralelo. Na quinta-feira passada, por exemplo, ele conduziu pessoalmente a operação de liberação de 70 milhões de reais para o governo de sua Rosinha. Quem emprestará o dinheiro — veja só — é o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Garotinho prometeu pagar a quantia em setembro.

 

A cadeira é minha

Rogerio Montenegro
Paulinho: ele não libera a vaga


O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, anda muito irritado com um telefonema que recebeu do Palácio do Planalto. Marcelo Sereno, chefe de gabinete da Casa Civil, assessor direto de José Dirceu, ligou para perguntar se a Força abriria mão da cadeira a que tem direito no Conselho do BNDES. Sereno argumentou que o governo queria dar a vaga ao empresário Eugênio Staub, presidente da Gradiente, que chegou a ser cotado para chefiar o Ministério do Desenvolvimento. A resposta de Paulinho: "Não vou dar, não". No dia seguinte, o ministro Luiz Furlan também telefonou para pedir o cargo e insinuou que Paulinho poderia ganhar um melhor. Ouviu outro não. "Estou estranhando tanto interesse", diz Paulinho.


GOVERNO

O repouso do "China"
Por recomendação médica, está sendo montado no gabinete de Luiz Gushiken um lugar para que o poderoso secretário de Comunicação possa repousar com todo o conforto depois do almoço. Gushiken, dono de saúde frágil, tem tido pesadas jornadas de trabalho desde a transição.

É dando que se...
O governo anda se movimentando para agradar a vários espíritos famintos. O petebista Roberto Jefferson, notório integrante da tropa de choque de Fernando Collor e Ciro Gomes, manteve um afilhado seu na diretoria da Eletrobrás.

Novos tempos
ACM entrou em campo e operou pesado para bombardear a candidatura de Renan Calheiros à presidência do Senado. Fez dobradinha com José Dirceu.

Um homem gentil
Podem acusar Carlos Lessa de tudo, menos de mal-agradecido: retribuiu a indicação de seu nome para a presidência do BNDES, feita por Maria da Conceição Tavares, nomeando um sobrinho da economista para seu gabinete.

 

BANCO CENTRAL

Com lupa 1
Há no departamento de fiscalização do BC alguns processos administrativos contra o BankBoston. Nem é preciso dizer que os julgamentos serão analisados com lupa pelos adversários de Henrique Meirelles, ex-presidente mundial do banco americano. Adversários, aliás, que estão basicamente entre os radicais do PT.

Com lupa 2
Meirelles, no entanto, diz-se tranqüilo. Segundo ele, enquanto foi presidente mundial do BankBoston, nunca soube de nenhum processo relevante em que a filial brasileira estivesse sendo alvo do BC.

A primeira baixa
O diretor internacional do Banco Central, Beny Parnes, já avisou a Henrique Meirelles que sai em março. A diretoria do BC, herdada de Armínio Fraga, ganhará nova feição. Mas o processo será bem lento.

 

A agenda da modelo

Cristiano Machado/AE
Cristiana: investidas futuras


A elite mineira ainda anda abalada com o caso da modelo Cristiana Ferreira, encontrada morta em um flat de Belo Horizonte há dois anos. Apontada como amante de importantes políticos locais, ela possuía uma agenda telefônica com vários números da casa e dos celulares pessoais de parte do secretariado do ex-governador Itamar Franco. Sabe-se também que na agenda figuram nomes ainda mais retumbantes. Entre eles, um integrante do primeiro escalão do governo FHC, um megaindustrial de São Paulo e um banqueiro carioca. Mas, segundo quem teve acesso à agenda, o trio era apenas um alvo de eventuais investidas futuras da modelo — afinal, os números que constam ali são da central telefônica dos prédios onde os figurões trabalhavam.


ECONOMIA

Crise petroquímica
A Braskem, a maior petroquímica do país, anda atrasando o pagamento de seus fornecedores.

A todo o gás
O setor de refrigerantes fechou 2002 vendendo 3,1% a mais que no ano anterior, segundo um balanço que está sendo fechado por estes dias. Nada mau num país que cresceu apenas 1,4% no mesmo período.

Vida nova
Ana Maria Diniz, que recentemente deixou o Pão de Açúcar, em meio ao processo de reestruturação administrativa do grupo, está prestes a se associar a Carlos Alberto Sicupira, um dos sócios da GP Investimentos.

 

TRT

O apartamento do Lalau
Terminou no fim do ano passado, sem alarde, a batalha para repatriar o dinheiro do apartamento que o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, o Lalau, comprou em Miami, com dinheiro desviado do Fórum Trabalhista de São Paulo. Em novembro, um empresário cubano radicado em Miami arrematou o apartamento por 850.000 dólares. O preço mínimo pedido pelo consulado brasileiro — responsável pela negociação do imóvel — era de 830.000 dólares. O dinheiro já está na conta do Tesouro.

 

INDÚSTRIA FONOGRÁFICA

Pódio retomado 1
A Universal, cujos carros-chefes de vendagem foram Zeca Pagodinho e Sandy & Junior, encerrou 2002 como a maior gravadora do país. Ficou com 22% do mercado, contra 16% da Sony.

Pódio retomado 2
O mais curioso do ranking que a Associação Brasileira dos Produtores de Discos divulga nesta semana é uma recontagem dos números de 2001. Inconformada com o segundo lugar que lhe fora atribuído, a Universal pediu uma auditoria nos números que davam a Sony Music como a maior do país. Agora, a ABPD vai admitir que errou. E dirá que também naquele ano a Universal foi a líder.


Colaboraram Daniela Pinheiro,
Malu Gaspar e Sandra Brasil


 
 




Foto divulgação


   
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