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Ator
tipo exportação
Protagonista de Nove Rainhas
e O Filho da Noiva, o excelente
Ricardo Darín é símbolo do
cinema argentino que dá certo
Isabela
Boscov
Buena Vista Internacional
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Divulgação
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| Darín
em Rainhas (à esq.) e Noiva: o ex-"galancito"
virou ator sério |

Veja também |
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Apesar
da crise desesperadora que atinge a Argentina, seu cinema fez bonito em
todo o mundo nos últimos tempos, graças a dois filmes em
especial o suspense Nove Rainhas e o drama O Filho da
Noiva (este ainda em cartaz no Brasil). Além do sucesso e do
tema as contramarchas por que passa o país , eles
têm em comum o protagonista: o ator Ricardo Darín, de 45
anos, que se tornou assim o intérprete argentino mais popular fora
de seu país. Merecidamente, diga-se. Seu estilo econômico
rende ao máximo no cinema, em que a câmera costuma punir
artifícios e exageros com o ridículo. Darín, além
disso, é versátil. O trambiqueiro Marcos de Nove Rainhas
pouco tem a ver com o Rafael de O Filho da Noiva, um quarentão
em dificuldades financeiras e pessoais, exceto pelo fato de que ambos
parecem absolutamente genuínos e de que Darín, em que pese
seu tipo físico marcante cabelos escuros, olhos azuis e
traços fortes , desaparece, por assim dizer, dentro dos personagens.
"Há poucos atores capazes de ser ao mesmo tempo graciosos e patéticos,
levianos e profundos. Para mim, Ricardo é um desses, e está
no mesmo patamar que Nino Manfredi ou Jack Lemmon", diz o diretor Juan
José Campanella, de O Filho da Noiva. Os espanhóis,
pelo visto, concordam. O filme de Campanella vendeu mais ingressos na
Espanha do que o Fale com Ela de Pedro Almodóvar. Há
pouco mais de uma semana, também, Darín estreou seu espetáculo
Art em Madri que já vinha encenando ininterruptamente
há cinco anos na Argentina , com ótima repercussão
e casa lotada.
Editorial Perfil
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O curioso no prestígio de Darín é o que ele tem de
improvável. Filho de atores, ele estreou no teatro aos 10 anos,
mais por inércia do que convicção. "Eu queria ser
veterinário e achei que, enquanto pensava numa coisa, podia ir
fazendo outra. Até que me dei conta de que estava feliz", disse,
em entrevista a VEJA de Madri, onde comemorava com a mulher, Florencia
("linda como uma brasileira"), e a filha caçula o aniversário
de 14 anos do primogênito, Ricardo. Darín chegou à
juventude na televisão, e com uma distinção duvidosa:
a de ser um dos "galancitos", ou galãzinhos, como os argentinos
batizaram os atores jovens e bonitões que tomaram de assalto as
novelas nos anos 80. Ótimo para as finanças, nem tão
bom assim para o currículo e os filmes ligeiros que Darín
fez nessa época também não contribuíram para
elevar seu coeficiente de respeitabilidade. Em 1999, quando as dores de
uma hérnia de disco se somaram ao cansaço com a rotina da
televisão, ele deu sua guinada. Largou de vez a TV, da qual já
vinha se afastando, e tem se dedicado só aos palcos e ao cinema.
Entre todas as pessoas surpresas com a extensão de seu talento,
ele garante ser a mais perplexa. "Ainda não tenho certeza de que
sou um bom ator. Mas estou aprendendo", diz.
Darín jura que, mesmo que venha a filmar na Espanha ou em outros
países, não tem a menor intenção de deixar
seu país. "Não saio de lá por nada", diz. Nem o fantasma
da crise, e a hipótese de que ele venha a assombrar o florescimento
do cinema argentino, o assusta. "A Argentina é um país cíclico.
Ou seja, gosta de voltar para trás o tempo todo. Já estamos
acostumados", ri Darín, que acredita que bons filmes dependem muito
mais de iniciativas individuais do que de um clima coletivo. A sua parte,
de embaixador do cinema argentino, ele já vem cumprindo. E com
honras.
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