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Pátria
gaúcha
Na série A Casa das Sete Mulheres,
os gaúchos
são heróis e os
"brasileiros" encarnam o mal
Marcelo
Marthe
Fotos divulgação
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| A
Casa das Sete Mulheres:
batalhas superproduzidas |

Veja também |
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Em
exibição na Rede Globo desde o último dia 7, a série
A Casa das Sete Mulheres se destaca por conjugar dois atributos
que andavam divorciados nas produções do gênero: qualidade
e boa audiência (26 pontos de média). Com orçamento
de superprodução 10 milhões de reais ,
o folhetim de 52 capítulos impressiona pela fotografia, que ressalta
as exuberantes paisagens da Serra Gaúcha, e pelas cenas de batalha,
as mais complexas que já se viram na televisão nacional.
A emissora também acertou ao apostar em nomes pouco conhecidos
para encabeçar o elenco, como o gaúcho Werner Schünemann,
que vive o personagem histórico Bento Gonçalves, e a paulista
Camila Morgado, intérprete da sonhadora Manuela, apaixonada pelo
agitador italiano Giuseppe Garibaldi (Thiago Lacerda). Mas há um
aspecto curioso em A Casa das Sete Mulheres: sua trama com viés
separatista. A série se baseia num romance protagonizado pela família
de Bento Gonçalves, que comandou a Guerra dos Farrapos (1835-1845).
Nessa revolução, a elite local tentou proclamar a independência
do Rio Grande do Sul em relação ao então nascente
império do Brasil. Como se trata de um folhetim em que mocinhos
são mocinhos e bandidos são bandidos , daí
resultou uma situação insólita na tela: os gaúchos
estão do lado do bem, enquanto os "brasileiros" encarnam o mal.
Essa opção dramatúrgica vem sendo realçada
pelos autores do programa, Maria Adelaide Amaral e Walther Negrão.
Transparece, por exemplo, na forma idealizada como se retrata o gaúcho
Bento Gonçalves. Ele é mostrado como um homem fiel, movido
pelo desejo de acabar com injustiças sociais como a escravidão.
Na verdade, era um caudilho que lutava para resguardar seus interesses
de proprietário de terras e, como quase todos os farroupilhas,
foi abolicionista só na retórica. "Falar em democracia racial
nos Pampas naquela época, como estamos vendo na série, é
surreal", diz a historiadora Maria Medianeira Padoin, da Universidade
Federal de Santa Maria. O líder também não se mantinha
tão fiel assim à sua mulher, Caetana (Eliane Giardini).
"Sabe-se que ele era louquinho por suas escravas negras", reconhece, em
tom de brincadeira, Maria Adelaide Amaral. Aos poucos, a autora pretende
inserir na trama novos personagens e situações com a intenção
de amenizar o tom separatista e não endeusar tanto assim a figura
do líder farroupilha.
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| Lacerda,
como Garibaldi, e
Camila, no papel de Manuela: tem também banho de cachoeira |
Outro
dado que chama a atenção é que, na pátria
rio-grandense do diretor Jayme Monjardim, a geografia é bem diferente
da realidade. As imagens de paredões e cachoeiras, mostradas sempre
com uma música climática ao fundo, dão a impressão
de que a serra e a campanha gaúcha, onde se desenrolou a guerra,
estão próximas. Na verdade, a distância é de
centemas de quilômetros, e as tropas farroupilhas não se
aventuravam pelos paredões. Mas deve-se reconhecer que o resultado
é de encher os olhos inclusive porque proporciona que as
beldades da série tomem banho de cachoeira.
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