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Privilégios
adquiridos
Presidente
do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Marco Aurélio Mello
revela com freqüência inadequação com as liturgias
da corte constitucional brasileira. O STF é o guardião da
Constituição. Nenhum outro tribunal brasileiro tem tanta
influência sobre o país. Por deter tamanho poder, a sociedade
espera que o presidente do STF seja econômico nos comentários,
evitando divulgar previamente as opiniões que tem sobre assuntos
que eventualmente terá de julgar. Por isso, é perturbadora
a tendência do ministro Marco Aurélio Mello de dar veredictos
pela imprensa. Suas intervenções soam ainda mais inadequadas
quando ele defende interesses corporativos do funcionalismo público,
ao qual pertence.
Há dois anos, o ministro Marco Aurélio Mello apareceu nos
jornais dizendo que era "inimaginável que se cogite flexibilizar
o direito do trabalho". Ou seja, declarou-se contra a reforma da esclerosada
legislação trabalhista brasileira, que tanto prejuízo
causa ao aumento do emprego no país. Na semana passada, o ministro
voltou a se manifestar fora dos autos ao comentar a tentativa do novo
governo de acabar com o rombo anual de 70 bilhões da Previdência
mais da metade dos quais produzida por aposentadorias do serviço
público. "Não chego a dizer que são propostas demagógicas,
mas você só pode fazer isso quando vira a mesa e há
uma revolução do poder constituinte originário",
disse ele. A reforma da Previdência deixou há muito tempo
de ser uma questão de múltipla escolha. Ela é obrigatória.
No Brasil, os aposentados do serviço público ganham proventos
enormemente maiores que os dos aposentados do setor privado e essa
despesa é a maior causa do desequilíbrio nas contas públicas.
Sem que algumas faixas do privilégio sejam corrigidas, não
haverá nenhuma reforma da Previdência. E, sem ela, não
pode haver esperança de recuperação para toda a economia,
porque é seu rombo que inviabiliza a queda dos juros e os investimentos
do governo. Veja reportagem
de capa.
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