Edição 1936 . 21 de dezembro de 2005

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Radar

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)

• MENSALÃO

A crise continua
A consultoria Arko Advice realizou na semana passada uma pesquisa com os vinte deputados que compõem a elite da elite parlamentar do país. Numa das perguntas, quis saber se a cassação de José Dirceu "colocou a crise do mensalão na reta final". Para dezessete deles, ou seja, 85%, a resposta é "não" – quase um consenso.

 

De volta ao controle


Paulo Pinto/AE
Dulci: a crise, pelo visto, não deixou lições

Sem alarde, o Palácio do Planalto volta a controlar a publicidade das estatais. Furnas que o diga. Foi a Secom, hoje comandada pelo secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, que definiu os parâmetros da concorrência e indicou as pessoas que escolheram as agências vencedoras em Furnas. A McCann e a brasiliense D&M vão cuidar de uma conta anual de 16 milhões de reais. No auge da crise, a Secom dizia que descentralizaria esse processo. Desistiu.

 

• INTERNACIONAL

Troca de amabilidades
Na quarta-feira passada, o embaixador brasileiro em Washington, Roberto Abdenur, respondeu em tom carregado a uma carta malcriada que 24 parlamentares americanos (todos da esquerda do Partido Democrata) enviaram a Lula no mês passado. Na correspondência, os americanos exigiam que o julgamento dos assassinos da missionária Dorothy Stang ocorresse em outro local e acusavam a Justiça brasileira de corrupta. É uma carta inusual pelo estilo grosseiro e por ter sido enviada diretamente a um presidente da República, passando por cima dos protocolos. Abdenur esperou que o julgamento ocorresse para mandar a carta de resposta.

 

• GOVERNO

Combustível do poder
A Presidência da República já estimou quanto pretende gastar em combustível no ano que vem para fazer a máquina andar: 2 milhões de reais. Só em São Bernardo do Campo, os responsáveis pela frota da Presidência prevêem gastar 78.000 litros de gasolina e álcool.

 

A outra capital
Aliás, a Presidência pretende gastar 920.000 reais em 2006 no aluguel de cinqüenta carros, vans e caminhões para servi-la em São Paulo.

 

• ELEIÇÕES 2006

Garotinho só pensa naquilo
O PMDB continua olhando-o meio de lado, mas Anthony Garotinho já foi dezoito vezes a Minas Gerais nos últimos meses. E já perdeu a conta de quantas vezes desembarcou em São Paulo.

Serra também
José Serra, em seu primeiro ano à frente da prefeitura de São Paulo, reduziu em cerca de 1 bilhão de reais a dívida da cidade. Em 2006, a prefeitura continuará a pagar a dívida passada e ainda deve investir quase 2 bilhões de reais.

A alma do negócio
De que vale para um político investir sem propagandear, ainda mais num ano eleitoral? Deve ser por isso que Serra, que consumiu 16 milhões de reais em publicidade na prefeitura paulista neste ano, prevê gastar 36 milhões de reais no ano que vem.

 

• LEGISLATIVO

Não fez falta
Ninguém notou, mas Aldo Rebelo deu um freio na farra de viagens de deputados para "missões" na ONU e outros organismos internacionais. Missões das quais nunca se viu nenhum resultado para o país – exceto gastos inúteis e uns dias de dolce far niente para os nobres parlamentares. Desde novembro ninguém mais foi.

 

• ECONOMIA

Palha de aço e molho de tomate
Depois de ter rejeitada uma oferta pela Parmalat toda, João Alves de Queiroz Filho, o dono da Assolan, voltou a atacar. Fez uma proposta pela Etti, de propriedade da Parmalat.

Brasif negocia
Os donos da Brasif, que controla os free shops de 95% dos aeroportos brasileiros, contrataram a Merrill Lynch para tentar vender a empresa. Já existem conversas com a Aldeasa, uma espécie de Brasif espanhola, hoje presente em doze países.

Na Suíça
A Vale do Rio Doce decidiu consolidar suas operações internacionais numa nova holding na Suíça. Razões fiscais foram definitivas, evidentemente, na escolha da nova sede.

 

• JOGOS PAN-AMERICANOS

Exército não entra
A decisão do governo federal de botar sob o Ministério da Justiça a segurança dos Jogos Pan-Americanos de 2007 significa que as Forças Armadas não estarão nas ruas do Rio durante o evento. Além da PF, quem cuidará da ordem pública durante o evento serão 10.000 homens da Força Nacional de Segurança Pública.

Ajuda americana
A propósito, na semana passada três agentes do FBI estiveram inspecionando detalhadamente a Vila do Pan-Americano.

 

• FUTEBOL

Bola e dinheiro
Entre os craques recém-contratados pelo banco Santander como garotos-propaganda (quase meia seleção brasileira), Ronaldo ganhou tratamento diferenciado. Apesar da fase brilhante de Ronaldinho Gaúcho, o jogador do Real Madrid é o único que terá seu nome associado a produtos do banco.

 

• CINEMA

O azarão brasileiro
A campanha para que 2 Filhos de Francisco seja indicado ao Oscar vai custar 150.000 dólares, entre propaganda na mídia especializada dos EUA e projeção do filme em sessões especiais de Los Angeles e Nova York. São 58 fitas de língua não inglesa concorrendo às cinco indicações, que serão anunciadas no dia 31 de janeiro. O filme brasileiro, é bom que se ressalte, é azarão na indicação.

 

• TELEVISÃO

Huck até 2009
O contrato de Luciano Huck, que terminaria neste mês, foi renovado pela Globo até 2009.

 

Não restou mais ninguém...


Patricia Santos/AE
Romário: e quando ele se aposentar?

Romário não foi só o artilheiro do Campeonato Brasileiro. À falta de outros craques de renome jogando por aqui, virou, às vésperas de completar 40 anos, o único chamariz de vendas para os direitos de transmissão do torneio mundo afora. Exemplo disso é o cartaz que a Globo Internacional exibiu recentemente em Mônaco na Sportel, a maior feira mundial de comercialização de direitos esportivos para a TV. "Veja Romário e as futuras estrelas que jogarão na Europa", clamava o cartaz, que mostrava a foto do já calvo e grisalho craque.

 

 



Foto: Agência O Globo

 
 
 
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