Edição 1936 . 21 de dezembro de 2005

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Cinema
Trivial com sabor

Atores de personalidade dão
graça a um velho romance


Isabela Boscov


Divulgação
Reese e Ruffalo: paixão incorpórea

David (Mark Ruffalo) não é o único sujeito no mundo com um fraco por garotas inatingíveis, mas é um dos mais radicais: sua mulher, por quem ele continua apaixonado, morreu há dois anos. E Elizabeth (Reese Witherspoon), que o acusa de ser um invasor quando ele se muda para um novo apartamento, provavelmente seguiu o mesmo caminho – de tão incorpórea, ela nem sequer consegue apanhar o telefone para chamar a polícia. Como Elizabeth não quer ceder seu imóvel para o novo inquilino, instala-se entre eles uma convivência forçada, que logo se tornará... muito agradável. A aparentemente finada Elizabeth foi em vida tão solitária quanto David, e um pouco de companhia do sexo oposto faz milagres por ambos. Como se vê, não há nada de novo acontecendo entre o par – mas também nunca se ouviu dizer que a previsibilidade tenha matado uma comédia romântica. E Se Fosse Verdade... (Just Like Heaven, Estados Unidos, 2005), que estréia nesta sexta-feira no país, faz do lugar-comum o seu trunfo: assume desde a primeira cena que seu propósito é tornar possível esse romance impossível, e bebe sem nenhum constrangimento da fonte da água-com-açúcar. Como Ruffalo e Reese são atores talentosos e de personalidade forte, a receita ganha um equilíbrio inesperado: tem o sabor da familiaridade, mas com um tempero mais marcante que o habitual.

 
 
 
 
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