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Diogo
Mainardi
Bate-bola com FHC
"EU: Lula não
será candidato à
reeleição.
FHC: Será, sim.
EU: Quanto quer apostar?
FHC: Um café.
EU: Um café? Dizem que o senhor é
pão-duro.
FHC: Eu fui pobre a vida toda"
Fernando Henrique Cardoso. Pelo
telefone.
EU: Lula não será
candidato à reeleição.
FHC: Será, sim.
EU: Quanto quer apostar?
FHC: Um café.
EU: Um café? Dizem
que o senhor é pão-duro.
FHC: Eu fui pobre a vida
toda.
EU: Muita gente diz que
Lula será obrigado a concorrer porque, se não o fizer,
o PT tenderá a desaparecer. Isso é bobagem. Lula está
se lixando para o PT. Ele só pensa nele mesmo. O que ele
quer é evitar uma derrota vexatória.
FHC: Mas ele acha que
vai ganhar.
EU: Quem falou abertamente
sobre a possibilidade de Lula entregar os pontos foi o ministro
Jaques Wagner. Não confio em Wagner quando se trata de esclarecer
suas relações com a GDK. Sobre a aposentadoria antecipada
de Lula, porém, não creio que ele minta. Ele até
ditou as condições para que Lula abandone a candidatura:
basta a oposição abafar a CPI. É o que os senhores
da oposição estão fazendo, não é?
FHC: Não sou favorável
a isso, não. A CPI tem de continuar. Me preocupa muito um
voto como o da última quarta-feira, que salvou o deputado
Romeu Queiroz. Me preocupa muito mesmo.
EU: O senhor já
tinha ouvido falar no esquema de Marcos Valério?
FHC: Não. Nunca.
EU: O pessoal do PSDB
mineiro nunca mencionou seu nome?
FHC: Não. Nunca.
EU: Se Lula abandonar
a candidatura à reeleição, o maior prejudicado
será José Serra. O único argumento que ele
tem para largar a prefeitura de São Paulo, no meio do mandato,
é que Geraldo Alckmin corre o risco de perder contra Lula.
Sem Lula no páreo, Serra fica atrelado à prefeitura.
FHC: Eu não sinto
que, até agora, Serra tenha decidido largar a prefeitura.
A população está fazendo justiça compensatória.
Votou em Lula, não deu certo, então quer votar no
outro, no que foi derrotado.
EU: Se Lula abandonar
a candidatura, o senhor terá de engolir o Alckmin.
FHC: O mais provável,
nesse caso, seria o Alckmin, sim.
EU: Lula apoiaria Ciro
Gomes?
FHC: Apoiaria.
EU: Ele tem voto fora
do curral eleitoral de Sobral?
FHC: Acho difícil.
Depois do que fez na última campanha, ele não tem
a menor chance de se eleger.
EU: O senhor sabe quem
será o candidato de José Sarney? Ele tem talento divinatório.
Da mesma maneira que retirou todo o seu dinheiro do Banco Santos
um dia antes da intervenção do Banco Central, escolherá
o candidato vencedor no momento oportuno.
FHC: Ele deve estar aflito.
Tudo indicaria um apoio no setor do Lula. Se as antenas dele estiverem
aptas para captar o sentimento do eleitor, como costumam estar,
não creio que ele faça isso, não.
EU: Como a eleição
já está decidida, com a derrota de Lula, a maior questão
de 2006 é a Copa do Mundo. O senhor é favorável
à escalação de quatro atacantes na seleção
brasileira?
FHC: Sou favorável,
sim. Acho que tem de atacar.
EU: Eu escalaria um a
menos. Sou conservador.
FHC: Ainda mais do que
eu.
EU: Muito obrigado pela
entrevista. Eu me senti um Merval Pereira.
FHC: Olha que é
a primeira vez que eu falo sobre isso com a imprensa.
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