Brody,
Schwartzman e Wilson em Viagem a Darjeeling: um cineasta se recupera
Viagem
a Darjeeling(The Darjeeling Limited, Estados Unidos, 2007. Estréia
nesta sexta-feira no país) O cineasta americano Wes Anderson começou
muito bem (Três É Demais), ficou ainda melhor (Os Excêntricos
Tenenbaums) e daí decaiu vertiginosamente (A Vida Marinha com Steve
Zissou). Agora, ele não apenas se recupera, como encerra a longa jornada
rumo ao próprio umbigo em que vinha desde o início da carreira.
Em Viagem a Darjeeling, ele pela primeira vez olha para o mundo além
dos estreitos limites habitados pela classe alta e intelectualizada americana,
acompanhando três irmãos (Owen Wilson, Adrien Brody e Jason Schwartzman)
que tomam um trem na Índia para se reconectar espiritualmente uns aos outros
com resultados a princípio desanimadores, já que desde o
funeral do pai, um ano antes, eles não se falam, e depois tendendo a melhoras
expressivas, quando são expulsos do trem por mau comportamento. Anderson
aproveita bem os coadjuvantes indianos e contempla o país com olhos que
são, naturalmente, os de um turista. Mas um turista curioso e cheio de
empatia. Um detalhe meio supérfluo, mas ao qual vale a pena prestar atenção:
o uso que o diretor faz das câmeras lentas, lindas de morrer. Veja
cenas.
A Noiva Perfeita(Prête-Moi Ta Main, França, 2006. Desde quinta-feira em cartaz)
Luis tem 43 anos, uma mãe viúva e cinco irmãs que
o paparicam até não mais poder isso até o dia em que
elas se cansam e entram em campanha para arrumar uma mulher que case com ele e
passe a lavar e passar sua roupa. Luis bola então um plano supostamente
genial: arrumar uma namorada perfeita, da qual sua família se enamore,
e então ser tragicamente largado por ela no altar. E pronto, ninguém
mais terá coragem de falar em casamento perto dele. O plano, porém,
dá certo demais, e aí terá de ser alterado para dar errado
quando dará errado demais. O argumento engenhoso é valorizado
pelo par central, formado pelo ótimo Alain Chabat e pela charmosa Charlotte
Gainsbourg.
LIVROS
Granta
em Português 1 Os Melhores Jovens Escritores Norte-Americanos (vários
tradutores; Objetiva/Alfaguara; 404 páginas; 47,90 reais) Fundada
em 1889 na Inglaterra, a Granta é hoje uma das mais prestigiosas
revistas literárias do mundo. Publicadas de dez em dez anos, suas coletâneas
dos "melhores escritores jovens" têm revelado autores de peso
a lista britânica de 1983, por exemplo, incluía Ian McEwan
e Salman Rushdie. Em seu primeiro número no Brasil, a Granta traz
textos dos 21 melhores escritores jovens dos Estados Unidos. Jonathan Safran Foer,
Nicole Krauss e Daniel Alarcón já tiveram livros publicados por
aqui, mas a maioria é de autores ainda desconhecidos no país. Nos
próximos números, a revista começa a incluir também
textos de autores brasileiros. Leia
trecho.
David
Levenson/Getty Images
Karen:
uma visão moderna da Bíblia
A
Bíblia Uma Biografia, de Karen Armstrong (tradução
de Maria Luíza X. de A. Borges; Jorge Zahar; 276 páginas; 39,90
reais) Ex-freira católica, a inglesa Karen Armstrong é hoje
uma renomada historiadora da religião, autora de livros como Uma História
de Deus e Maomé. Neste A Bíblia parte da
excelente coleção Livros que Mudaram o Mundo , ela revisa
não apenas a história da redação das escrituras, mas
também o modo como elas foram interpretadas ao longo dos tempos, da Antiguidade
aos dias seculares de hoje. Como nos livros anteriores, Karen ensina que a Bíblia
não deve ser lida de forma estreita e literal, como fazem os fundamentalistas,
mas como uma fonte de inspiração e de busca de sentido. Leia
trecho.
DISCOS
Divulgação
Ana:
voz encorpada e bom repertório
Amor
e Caos, Ana Cañas (Sony/BMG) Antes de lançar este
primeiro CD, a cantora já era objeto de culto. Ela interpretava standards
do jazz e da MPB no bar de um hotel de São Paulo, onde encantou freqüentadores
famosos como Caetano Veloso e Chico Buarque com sua voz encorpada e versátil.
Amor e Caos sabiamente evita transportar o repertório do bar para
o disco (o que poderia transformá-la numa Emmerson Nogueira de saias).
Ana preferiu trabalhar com o produtor Alexandre Fontanetti, que sabe tudo de blues
e de rock. Ela gravou sete canções de sua autoria e três regravações
de faixas menos conhecidas de Veloso, Jorge Mautner e Bob Dylan. Ana ainda precisa
calibrar sua veia de compositora, mas mostra talento para o pop em faixas como
A Ana e Cadê Você.
Divulgação
Plant,
com Alison Krauss: não, ele não sabe só uivar
Raising
Sand, Robert Plant e Alison Krauss (Universal) Ex-vocalista do
Led Zeppelin, Robert Plant foi sempre um incansável pesquisador musical.
Nas últimas três décadas, estudou ritmos da Índia e
do Oriente Médio e flertou com a música eletrônica. Este novo
disco é uma saborosa viagem pelo bluegrass, gênero musical que contribuiu
para a criação do rocknroll. Plant e Alison Krauss,
uma das cantoras mais celebradas da música caipira americana, duetam em
treze composições. O repertório alterna criações
de Gene Clark, ex-vocalista do grupo The Byrds e um dos papas do country-rock,
com outras de Tom Waits e do próprio Plant. Quem está acostumado
com os uivos do cantor no Zeppelin vai se surpreender e se apaixonar
com a doce interpretação do roqueiro em faixas como Killing the
Blues e Please Read the Letter.