BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2035

21 de novembro de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Lya Luft
Millôr
André Petry
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
Auto-retrato
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Livros
Dentes, pra que te quero

Os ensaístas que dissecaram o idiota latino-americano
alertam para os perigos da nova esquerda carnívora

VEJA TAMBÉM
Exclusivo on-line
Trecho do livro

Os jornalistas Plinio Apuleyo Mendoza, colombiano, Carlos Alberto Montaner, cubano, e Álvaro Vargas Llosa, peruano, tiveram uma felicidade rara na vida dos escritores. O trio cunhou uma expressão definitiva: "perfeito idiota latino-americano". Sob essa rubrica, abriga-se a barulhenta turma dos que atribuem ao capitalismo todos os males do mundo, dos que abominam os Estados Unidos e admiram o comunismo tropical de Cuba. Pouco mais de dez anos depois de O Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano, a trinca reuniu-se novamente para barrar a marcha do socialismo – encarquilhado, ainda que com roupagem "do século XXI" – sobre este continente. A Volta do Idiota (tradução de André Pereira da Costa e Luciano Trigo; Odisséia; 240 páginas; 34,90 reais), que chega agora às livrarias brasileiras, é uma análise devastadora da nova onda de idiotia que vem afligindo a América Latina, com representantes vistosos na Venezuela, na Bolívia, no Equador. O livro também traz duas outras expressões que prometem se popularizar: esquerda carnívora e esquerda vegetariana. A primeira é representada por caudilhos autoritários como Hugo Chávez. Na sua versão vegetariana, a esquerda adaptou-se ao mundo globalizado e fez as pazes com os fundamentos da economia de mercado e do estado democrático. Michelle Bachelet, presidente socialista do Chile, é o melhor exemplo dessa corrente.

Incluído entre os vegetarianos, o presidente Lula é tratado com condescendência no livro. Seu compromisso com a responsabilidade fiscal é elogiado, com a ressalva de que o crescimento econômico do Brasil é pífio se comparado aos resultados de emergentes como China e Índia. A Volta do Idiota responsabiliza o "sistema político brasileiro" pela impossibilidade de aprovar reformas que aliviem a carga fiscal que pesa sobre as empresas – como se o governo que anda aí brigando para manter a CPMF tivesse algum desejo de maneirar a mordida tributária. Em uma perífrase desajeitada, os autores ainda afirmam que Lula "não combateu como deveria" a "corrupção do partido governista". Em entrevista a VEJA, Álvaro Vargas Llosa – filho do romancista Mario Vargas Llosa, que assina o prólogo de A Volta do Idiota – admite que o livro pega leve com Lula, por razões estratégicas: "Ele merece nosso apoio por ter se afastado, até agora, da tentação populista que assola a América Latina", diz.

As trapalhadas peronistas do argentino Néstor Kirchner, o indigenismo de fancaria do boliviano Evo Morales e os delírios nacionalistas do equatoriano Rafael Correa são devidamente destroçados em A Volta do Idiota. O melhor capítulo é dedicado ao ditador venezuelano Hugo Chávez, o tiranossauro rex da esquerda carnívora. A formação ideo-lógica de Chávez é examinada em detalhe – e revela uma inusitada parceira entre a esquerda carnívora e a direita mais feroz. O guru político de Chávez foi o fascistão argentino Norberto Ceresole, que chegou a ser conselheiro do general e ditador Viola. A partir das idéias fascistas de Ceresole, Chávez desenhou o caminho para a sua "revolução bolivariana", através da cooptação das Forças Armadas e da concentração de poder, com o progressivo enfraquecimento da democracia representativa. "Na Colômbia, no Peru, no México, Chávez tem financiado ilegalmente ONGs e movimentos políticos próximos ao seu populismo. É uma estratégia mais insidiosa, e portanto mais perigosa, do que as guerrilhas que Fidel Castro financiou nos anos 70", diz Llosa. O idiota mais perigoso é aquele que às vezes mostra esperteza.

DIVISÕES DO JURÁSSICO

Os líderes da esquerda latino-americana segundo
os autores de A Volta do Idiota

A ESQUERDA CARNÍVORA
O ditador da Venezuela, Hugo Chávez, não respeita princípios democráticos básicos como a liberdade de imprensa e o direito à propriedade. É um perigoso dinossauro carnívoro

A ESQUERDA VEGETARIANA
O presidente Lula foi carnívoro na oposição – mas, uma vez eleito, aderiu a regras fundamentais como a responsabilidade fiscal. Tornou-se um dinossauro herbívoro

A função social é um roubo

O socialista francês Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865) deixou uma palavra de ordem famosa: "A propriedade é um roubo". Poderia ser um slogan para aquela esquerda que os autores de A Volta do Idiota chamam de "carnívora". Em Reflexões sobre o Direito à Propriedade (Campus/Elsevier; 214 páginas; 39 reais), Denis Lerrer Rosenfield, professor de filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, faz uma defesa candente mas rigorosa do direito individual à propriedade. Se o direito à propriedade é relativizado, argumenta o autor, todos os valores do estado de direito democrático podem ruir. Restrições à propriedade com base em uma vaga "função social" só alimentam a sanha predatória de organizações como o Movimento dos Sem-Terra. O livro não se limita ao tema de seu modesto título: um de seus aspectos mais interessantes é a análise crítica da "democracia participativa" proposta por certas correntes de esquerda (dentro do PT, por exemplo, já surgiu a idéia brilhante de que o presidente deveria ser capaz de chamar plebiscitos nacionais sem a aprovação do Congresso). É por meio de plebiscitos e mobilizações de massa que a esquerda mais radical consegue minar a democracia representativa. "A subversão da democracia se faz hoje por meios democráticos", diz Rosenfield. É o processo que está em curso na Venezuela, onde a nova Constituição de Hugo Chávez, "democraticamente" aprovada por um Congresso submisso ao ditador, prevê que o governo pode expropriar qualquer tipo de bens por motivos de "interesse social".

Carlos Casaes/Ag. A Tarde
Invasão de terras promovida pelo MST: ataque ao estado de direito

 




  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |