BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2035

21 de novembro de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Lya Luft
Millôr
André Petry
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
Auto-retrato
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Televisão
Sitcom à brasileira

Toma Lá, Dá Cá mistura o espírito da chanchada
à fórmula da comédia americana


Marcelo Marthe

Fotos divulgação/Globo
Toma Lá, Dá Cá: elenco que mistura novatos e "macacas velhas"

Toma Lá, Dá Cá, da Rede Globo, é um humorístico à moda antiga. Nos últimos anos, a tendência na emissora foi investir em produções como A Grande Família e A Diarista, gravadas com cenários variados, tomadas externas e apuro técnico semelhante ao das novelas. Além disso, esses programas têm o ritmo ditado pelos cortes e colagens da mesa de edição. Já o Toma Lá, Dá Cá pretende emular as comédias de situação americanas – as sitcoms – em seu formato mais tradicional. Tão velho quanto a televisão (basta lembrar de I Love Lucy, dos anos 50), o gênero se caracteriza pela economia de recursos. Toma Lá, Dá Cá, que fala sobre duas famílias de um condomínio carioca, é produzido em estúdio, com cenários mínimos, e em ritmo teatral: o texto de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa é representado sem pausas, com uma única repetição para acertar os erros. Uma platéia de cerca de 100 pessoas faz as vezes de claque. Como nas sitcoms, o riso é devidamente editado. Mas o jeitão artesanal é preservado no produto final.

Quando o Toma Lá, Dá Cá foi lançado, em agosto, parecia mero repeteco de Sai de Baixo, que reinou nas domingueiras entre 1996 e 2002. Lá estavam os mesmos Miguel Falabella e Marisa Orth que faziam o escroque Caco Antibes e a burralda Magda. Mas Sai de Baixo nada tinha a ver com uma sitcom. Estava mais para chanchada: gravado num teatro, com ampla participação da platéia, consistia tão-somente numa sucessão de gagues. O roteiro era quase inexistente e os atores tinham espaço para improvisar. "Éramos macacas velhas que se revezavam falando bobagem no palco", lembra Falabella. Em Toma Lá, Dá Cá segue-se a cartilha americana, o que exige um esforço de carpintaria por parte dos roteiristas. As piadas têm de se suceder em ritmo acelerado – em média três por minuto – e as várias situações precisam se entrelaçar, de maneira que todo o elenco contribua para a trama.

Em tempo: se os trunfos de uma sitcom são as boas atuações e um roteiro afiado para funcionar, Toma Lá, Dá Cá passa bem no primeiro quesito. Arlete Salles está impagável como Copélia, a avó com idade mental de adolescente, e a escalação do elenco jovem foi feliz – com destaque para Fernanda Souza no papel de Isadora, a adolescente de classe média convertida em funkeira. Para alívio geral, Falabella e Marisa Orth estão mais contidos do que de costume. Falabella, aliás, chama atenção pela forma física. Ou melhor: a falta de. "Engordei 8 quilos porque parei de fumar", diz o ator. "Mas no próximo Carnaval este corpão vai dar espetáculo na avenida."

Não deixa de ser curioso que a Globo aposte numa sitcom quando esse formato vive dias de ocaso em sua origem. O gênero já dominou o horário nobre da TV americana. Desde o fim de Friends, porém, não deu origem a nenhum grande sucesso. Toma Lá, Dá Cá atingiu a média de 24 pontos no ibope, o que não é nada de extraordinário (A Diarista, que era exibida no mesmo horário nas noites de terça, saiu do ar marcando 22). Mas satisfaz à Globo, que deve investir em outra temporada no ano que vem. Ao menos por enquanto a sit-com, essa espécie televisiva ameaçada de extinção, encontrou refúgio no horário nobre brasileiro.

Ela é pura graça

Fernanda: "Sou a própria garota sanfona"

O elenco de Toma Lá, Dá Cá tem seus macacos velhos, como Miguel Falabella e Diogo Vilela. Mas os novatos chamam atenção. Conhecidas até agora apenas no teatro, Alessandra Maestrini e Stella Miranda seguram a onda como a empregada caipira e a síndica corrupta. O desconhecido George Sauma, em seu primeiro papel de destaque na TV, também convence como o adolescente Tatalo. Quem mais tem ganhado cacife com a participação na sitcom, contudo, é a atriz Fernanda Souza – intérprete da abusada Isadora. A cúpula da Globo é só elogios para o seu desempenho. "Há tempos não surgia uma artista com seu timing cômico", diz um executivo da emissora. "Estou apaixonado", derrete-se Falabella.

Fernanda, de 23 anos, despontou ainda adolescente como protagonista da novelinha Chiquititas, do SBT. Contratada pela Globo, ficou um bom tempo relegada a papéis menores – quando os conseguia. "Eu até fazia testes, mas não passava em nada", diz ela. Depois de dois anos sem contrato, foi resgatada pelo noveleiro Walcyr Carrasco e pelo diretor Jorge Fernando, que a chamaram para fazer a novela das 6 Alma Gêmea (2005). A personagem Mirna, que contracenava com uma pata, foi um sucesso. Em O Profeta (2006), seu trabalho seguinte, ela teve de engordar 7 quilos (à base de pizza) para viver a professora Carola – que novamente se transformou em uma âncora da trama. Para se ajustar à silhueta provocante de Isadora, Fernanda teve de perder os mesmos 7 quilos. "Eu sou a própria garota sanfona", diz. Mas ela nem pensa em reclamar. Fernanda conquistou um contrato de longa duração com a Globo, até 2011. Um fato raro para atriz tão jovem.




  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |