Carretas de soja lotam o estacionamento
no Porto de Paranaguá: entrave logístico
Uma
reportagem de VEJA sobre o recente ranking mundial de logística
feito pelo Banco Mundial mostra o Brasil em posição
desconfortável. Em 61º lugar, o Brasil perde para
todos os seus concorrentes diretos, aqueles de economias emergentes.
Logística define o somatório de processos envolvidos
no armazenamento e transporte de bens físicos. Na história
militar, a logística ajudou a decidir incontáveis
batalhas. No mundo dos negócios, uma boa logística
não deve pesar em demasia no preço dos produtos
e precisa ser eficiente o bastante para não frustrar
as expectativas do consumidor por qualidade e presteza na
entrega. Apesar das ainda enormes diferenças regionais,
a economia de alcance global tende a longo prazo a equalizar
os componentes financeiros, tecnológicos e de mão-de-obra,
de modo que a logística se torna um fator cada vez
mais decisivo de desempate na competição comercial
entre os países.
Estradas transitáveis,
portos eficientes e de baixo custo, burocracia honesta e expedita
são os componentes logísticos comuns aos países
que figuram no topo do ranking do estudo comparativo do Banco
Mundial. Cingapura ficou em primeiro lugar. A Coréia
do Sul, em 25º. Quando exportam um contêiner de
produtos, os empresários coreanos pagam o custo unitário
de 630 dólares, e em três dias a mercadoria deixa
o país rumo ao mercado consumidor. No Brasil, um exportador
entrega seu contêiner no porto e espera nove dias para
vê-lo embarcado, pagando por isso 909 dólares.
Em resumo, a logística de exportação
na Coréia do Sul é três vezes mais rápida
e custa cerca de dois terços do mesmo processo no Brasil.
A Coréia
do Sul é sinônimo de modernidade e eficiência.
Compará-la com o Brasil pode não ser muito ilustrativo.
Mas, quando se percebe que no mesmo ranking o Brasil está
pior do que o Viet-nã e o Peru, a coisa se complica.
O Brasil tem 74% das estradas federais com problemas, conforme
pesquisa da CNT divulgada na semana passada, os aeroportos
estão imersos no caos e os principais portos se acham
entravados por corporativismo e burocracia. Há muito
que fazer para não deixar que toda a exuberância
racional da economia brasileira agora seja minada por uma
logística incapaz de dar suporte físico a altas
taxas de crescimento econômico.