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21 de novembro de 2007
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Paulo Whitaker/Reuters
Carretas de soja lotam o estacionamento no Porto de Paranaguá: entrave logístico

Uma reportagem de VEJA sobre o recente ranking mundial de logística feito pelo Banco Mundial mostra o Brasil em posição desconfortável. Em 61º lugar, o Brasil perde para todos os seus concorrentes diretos, aqueles de economias emergentes. Logística define o somatório de processos envolvidos no armazenamento e transporte de bens físicos. Na história militar, a logística ajudou a decidir incontáveis batalhas. No mundo dos negócios, uma boa logística não deve pesar em demasia no preço dos produtos e precisa ser eficiente o bastante para não frustrar as expectativas do consumidor por qualidade e presteza na entrega. Apesar das ainda enormes diferenças regionais, a economia de alcance global tende a longo prazo a equalizar os componentes financeiros, tecnológicos e de mão-de-obra, de modo que a logística se torna um fator cada vez mais decisivo de desempate na competição comercial entre os países.

Estradas transitáveis, portos eficientes e de baixo custo, burocracia honesta e expedita são os componentes logísticos comuns aos países que figuram no topo do ranking do estudo comparativo do Banco Mundial. Cingapura ficou em primeiro lugar. A Coréia do Sul, em 25º. Quando exportam um contêiner de produtos, os empresários coreanos pagam o custo unitário de 630 dólares, e em três dias a mercadoria deixa o país rumo ao mercado consumidor. No Brasil, um exportador entrega seu contêiner no porto e espera nove dias para vê-lo embarcado, pagando por isso 909 dólares. Em resumo, a logística de exportação na Coréia do Sul é três vezes mais rápida e custa cerca de dois terços do mesmo processo no Brasil.

A Coréia do Sul é sinônimo de modernidade e eficiência. Compará-la com o Brasil pode não ser muito ilustrativo. Mas, quando se percebe que no mesmo ranking o Brasil está pior do que o Viet-nã e o Peru, a coisa se complica. O Brasil tem 74% das estradas federais com problemas, conforme pesquisa da CNT divulgada na semana passada, os aeroportos estão imersos no caos e os principais portos se acham entravados por corporativismo e burocracia. Há muito que fazer para não deixar que toda a exuberância racional da economia brasileira agora seja minada por uma logística incapaz de dar suporte físico a altas taxas de crescimento econômico.


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