BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2035

21 de novembro de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Lya Luft
Millôr
André Petry
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
Auto-retrato
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Auto-retrato
Dana Thomas

John Shearer/WireImage/Getty Images


A jornalista Dana Thomas trabalha há doze anos em Paris como correspondente de moda da revista Newsweek. Nesse período, conheceu de perto a engrenagem das principais confecções de roupas e acessórios de luxo e acompanhou a transformação de grifes exclusivas em corporações globalizadas. É essa experiência que ela narra no livro Deluxe: How Luxury Lost Its Luster ("Como o luxo perdeu o brilho", ainda sem tradução no Brasil). Dana falou à repórter Julia Duailibi.

QUAL O ALCANCE DO MERCADO DE LUXO? É uma indústria que movimenta 157 bilhões de dólares ao ano e tem como clientes desde os super-ricos até a classe média. Estamos falando de um negócio gigante, que vende milhões de produtos de massa com uma margem de lucro enorme. Uma bolsa chega às lojas por dez, doze vezes o seu custo de fabricação.

O QUE É UM PRODUTO DE LUXO? Já foi mais fácil responder a essa pergunta. O luxo deixou de ser exclusivista depois que executivos de multinacionais, sem nenhuma relação com moda, compraram marcas de antigos fundadores, listaram-nas nas bolsas de valores e as expandiram para que alcançassem um mercado mais amplo. Houve uma transmutação do luxo, de um negócio de artigos cuidadosamente confeccionados para uma indústria de conglomerados globais. Atingiu-se um público maior, obtiveram-se lucros fabulosos, mas o mercado de luxo perdeu, com isso, grande parte de seu brilho. É difícil encontrar um produto genuinamente de luxo.

A POPULARIZAÇÃO DO LUXO É NEGATIVA? É ótimo que um maior número de pessoas possa comprar produtos de grife. É sinal de progresso. Mas um produto deixa de ser único quando se torna popular. As fabricantes poderiam ao menos se esforçar para manter a qualidade dos produtos, que, embora mais disponíveis, deveriam continuar sendo impecáveis, feitos dos materiais mais finos e pelos profissionais mais habilidosos. Mas isso também é exceção. Na maior parte das vezes, eles passaram a ser feitos com materiais inferiores e em larga escala, numa linha de produção.

ENTÃO OS CONSUMIDORES DE LUXO SÃO TRAPACEADOS? Em alguns casos, sim. Alguns executivos que tocam essa indústria não têm nenhum interesse pessoal na marca. Não é o seu nome que está na etiqueta. Para eles, uma grife é apenas um negócio qualquer. Em geral, as únicas empresas que não agem dessa forma são aquelas tocadas pelas famílias, para as quais a qualidade do produto e o valor intangível da marca ainda são questões de orgulho.

AINDA EXISTE ALGUM REPRESENTANTE AUTÊNTICO DO LUXO? A grife francesa Hermès está no topo do topo. Ela confecciona manualmente a maioria dos artigos de couro. Um único artesão faz o produto, do começo ao fim. Ela também produz a seda, ao contrário da maioria das marcas, que compram de outros produtores. Alguns modelos de bolsa Hermès são feitos por encomenda. É por isso que há listas de espera para comprá-los. Foi uma opção. Eles poderiam agir como todo mundo, aumentar a produção, colocar mais produtos à venda. Não haveria filas, mas o consumidor sairia da loja com uma bolsa idêntica a dezenas de outras.

COMO AS OUTRAS PRINCIPAIS MARCAS FAZEM SEUS PRODUTOS? Na Louis Vuitton, a fabricação também é ma-nual, mas num sistema próximo ao de uma linha de produção. A Gucci é super- high-tech, usa computadores para desenhar e cortar os materiais.

QUAL É SUA IMPRESSÃO DA DASLU? Quando visitei o local, eu me senti na casa de uma pessoa, não numa loja. A Daslu é única. Precisei de três dias para ver o lugar todo. A loja é tão aconchegante que você não se sente intimidado ou desconfortável. O serviço é fantástico. As vendedoras são muito simpáticas e atenciosas – parecem até que não estão atrás das comissões. Você não é tratado mal ou de forma rude. Foi um prazer fazer compras lá.


  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |