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Auto-retrato
Dana Thomas
John
Shearer/WireImage/Getty Images
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A jornalista Dana Thomas trabalha há doze anos em Paris
como correspondente de moda da revista Newsweek. Nesse
período, conheceu de perto a engrenagem das principais
confecções de roupas e acessórios de
luxo e acompanhou a transformação de grifes
exclusivas em corporações globalizadas. É
essa experiência que ela narra no livro Deluxe: How
Luxury Lost Its Luster ("Como o luxo perdeu o brilho",
ainda sem tradução no Brasil). Dana falou à
repórter Julia Duailibi.
QUAL O ALCANCE
DO MERCADO DE LUXO? É uma indústria que
movimenta 157 bilhões de dólares ao ano e tem
como clientes desde os super-ricos até a classe média.
Estamos falando de um negócio gigante, que vende milhões
de produtos de massa com uma margem de lucro enorme. Uma bolsa
chega às lojas por dez, doze vezes o seu custo de fabricação.
O QUE É
UM PRODUTO DE LUXO? Já foi mais fácil responder
a essa pergunta. O luxo deixou de ser exclusivista depois
que executivos de multinacionais, sem nenhuma relação
com moda, compraram marcas de antigos fundadores, listaram-nas
nas bolsas de valores e as expandiram para que alcançassem
um mercado mais amplo. Houve uma transmutação
do luxo, de um negócio de artigos cuidadosamente confeccionados
para uma indústria de conglomerados globais. Atingiu-se
um público maior, obtiveram-se lucros fabulosos, mas
o mercado de luxo perdeu, com isso, grande parte de seu brilho.
É difícil encontrar um produto genuinamente
de luxo.
A POPULARIZAÇÃO
DO LUXO É NEGATIVA? É ótimo que um
maior número de pessoas possa comprar produtos de grife.
É sinal de progresso. Mas um produto deixa de ser único
quando se torna popular. As fabricantes poderiam ao menos
se esforçar para manter a qualidade dos produtos, que,
embora mais disponíveis, deveriam continuar sendo impecáveis,
feitos dos materiais mais finos e pelos profissionais mais
habilidosos. Mas isso também é exceção.
Na maior parte das vezes, eles passaram a ser feitos com materiais
inferiores e em larga escala, numa linha de produção.
ENTÃO
OS CONSUMIDORES DE LUXO SÃO TRAPACEADOS? Em alguns
casos, sim. Alguns executivos que tocam essa indústria
não têm nenhum interesse pessoal na marca. Não
é o seu nome que está na etiqueta. Para eles,
uma grife é apenas um negócio qualquer. Em geral,
as únicas empresas que não agem dessa forma
são aquelas tocadas pelas famílias, para as
quais a qualidade do produto e o valor intangível da
marca ainda são questões de orgulho.
AINDA EXISTE
ALGUM REPRESENTANTE AUTÊNTICO DO LUXO? A grife francesa
Hermès está no topo do topo. Ela confecciona
manualmente a maioria dos artigos de couro. Um único
artesão faz o produto, do começo ao fim. Ela
também produz a seda, ao contrário da maioria
das marcas, que compram de outros produtores. Alguns modelos
de bolsa Hermès são feitos por encomenda. É
por isso que há listas de espera para comprá-los.
Foi uma opção. Eles poderiam agir como todo
mundo, aumentar a produção, colocar mais produtos
à venda. Não haveria filas, mas o consumidor
sairia da loja com uma bolsa idêntica a dezenas de outras.
COMO AS OUTRAS
PRINCIPAIS MARCAS FAZEM SEUS PRODUTOS? Na Louis Vuitton,
a fabricação também é ma-nual,
mas num sistema próximo ao de uma linha de produção.
A Gucci é super- high-tech, usa computadores para desenhar
e cortar os materiais.
QUAL É
SUA IMPRESSÃO DA DASLU? Quando visitei o local,
eu me senti na casa de uma pessoa, não numa loja. A
Daslu é única. Precisei de três dias para
ver o lugar todo. A loja é tão aconchegante
que você não se sente intimidado ou desconfortável.
O serviço é fantástico. As vendedoras
são muito simpáticas e atenciosas parecem
até que não estão atrás das comissões.
Você não é tratado mal ou de forma rude.
Foi um prazer fazer compras lá.
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