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Edição 1 727 - 21 de novembro de 2001
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DVD

Divulgação
Branca de Neve: versão restaurada

Branca de Neve e os Sete Anões (Snow White and the Seven Dwarves, Estados Unidos, 1937. Walt Disney's Classic) – Mais de sessenta anos após sua estréia, o primeiro longa-metragem de animação produzido por Walt Disney (e também o primeiro da história) é um testamento à obsessão de seu criador pela qualidade e explica muito sobre a primazia dos estúdios Disney nesse setor – ainda que a concorrência esteja cada vez mais perto de seus calcanhares. A história da princesa que sobrevive à perseguição de sua madrasta má é um bocado mais ingênua que o que se vê nos desenhos de hoje, mas continua insuperável em seu lirismo e beleza – esta, acentuada pela restauração da cópia para o seu lançamento em DVD. É verdade que seria ainda melhor rever o filme nos cinemas, onde foi exibido pela última vez em 1987. O consolo está nos extras presentes no disco. Eles incluem um menu interativo (em que o espelho mágico faz as vezes de mestre-de-cerimônias), o curta Silly Symphony, no qual muitas das soluções visuais empregadas no filme foram testadas, e um karaokê em que o espectador pode providenciar os vocais para as canções. O item mais atraente, contudo, é o making of, que mostra Walt Disney no comando de sua empreitada pioneira e revela muitos dos detalhes técnicos da produção.

 

DISCOS

Reginaldo Teixeira
Chico: clássicos e raridades

Construção, Chico Buarque (Universal) – O cantor e compositor carioca tem sua carreira homenageada nessa caixa, que reúne 21 CDs antigos (entre trabalhos-solo, discos divididos com Maria Bethânia e Caetano Veloso e trilhas sonoras) e um disco de raridades. Boa parte dos álbuns, é verdade, está em catálogo. Ainda assim, trata-se de uma ótima oportunidade para conferir a evolução de um dos principais compositores da MPB, de A Banda (1966) a Chico Buarque (1984). O CD de raridades contém pérolas. Há duetos com Nara Leão (João e Maria e Dueto) e Milton Nascimento (O Cio da Terra e Primeiro de Maio), além de duas canções de Julinho da Adelaide, pseudônimo que Chico Buarque criou para escapar da censura durante o regime militar.

 
Divulgação
UB40: reggae sem pregação política

Cover Up, UB40 (EMI) – A especialidade desse octeto inglês é o "lovers rock", uma espécie de reggae misturado com soul music, sem a ladainha política e religiosa que caracteriza o gênero jamaicano. Apoiado pelos vocais suaves do líder Ali Campbell e por uma poderosa seção de metais, o UB40 cria baladas para dançar coladinho e reggaes chacoalhantes, daqueles que incendeiam a pista. O grupo volta à boa forma em Cover Up, primeiro álbum inteiramente palatável depois de dez anos de discos fracos. Há convites ao sacolejo do naipe de The Day I Broke the Law e Walk on Me Land, além de duas covers caprichadas de clássicos do reggae: a balada Sparkle of My Eyes e Since I Met You Lady – essa com participação especial da desbocada rapper jamaicana Lady Saw.

 

LIVROS

A Artista do Corpo, de Don DeLillo (tradução de Paulo Henriques Britto; Companhia das Letras; 122 páginas; 19,50 reais) – Don DeLillo sempre pensou grande. Sua obra-prima, o romance Submundo, cobre as últimas cinco décadas de história dos Estados Unidos e começa com páginas impressionantes, em que se misturam um jogo de beisebol e um teste nuclear, figuras célebres e a multidão. Não deixa de ser uma surpresa, portanto, o lançamento dessa novela curta e intimista. Ela conta a história de Lauren, mulher que se recolhe a uma casa de praia depois do suicídio do marido. Concentrado, lírico, meditativo, o livro põe em evidência a outra qualidade de DeLillo, além da imaginação prodigiosa: seu virtuosismo no trato com as palavras.

 
Juan Steves/Folha Imagem
O americano Stephen Jay Gould: beisebol e biologia

Lance de Dados, de Stephen Jay Gould (tradução de Sergio Moraes Rego; Record; 332 páginas; 40 reais) – O biólogo americano Stephen Jay Gould escreveu esse livro para refutar uma interpretação popular do processo evolutivo descrito por Charles Darwin. Seu alvo é a idéia de que existe "progresso" na história da vida, e de que os seres humanos são a culminação desse progresso. "Nós não somos o pináculo da evolução", diz ele. Um dos mais famosos autores de divulgação científica da atualidade, Jay Gould gosta de publicar livros com ensaios breves. Nesse caso, optou pela argumentação extensa, numa obra de tema único. Mas seu texto é sempre um prazer, com citações literárias e exemplos inusitados. O que a média anual de rebatidas no campeonato de beisebol americano tem a ver com a biologia? Leia para descobrir.

1961 – Que as Armas Não Falem, de Paulo Markun e Duda Hamilton (Senac; 416 páginas; 38 reais) – O livro documenta treze dias conturbados da história brasileira: aqueles que se seguiram à renúncia do presidente Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961, e deixaram o país no vácuo institucional. Entre essa data e a posse do vice, João Goulart, o Brasil viveu na iminência de um golpe de Estado – nos meios militares, temia-se a "ameaça comunista" representada por Jango. Num trabalho que consumiu oito meses e teve apoio de quinze pesquisadores, os jornalistas Paulo Markun e Duda Hamilton rememoram a resistência ao golpe, num ambiente de intensa mobilização e divisão política na caserna. Prelúdio dos acontecimentos que desembocariam na ditadura implantada em 1964, o período finalmente ganha um estudo alentado.

 

EXPOSIÇÃO

Divulgação
Tela de Fontana: grande retrospectiva

Lucio Fontana – A Ótica do Invisível (estréia nesta terça-feira no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro) – A busca de novas experiências estéticas sempre norteou a obra do italiano Lucio Fontana. Nome mais importante do movimento chamado "espacialismo", ele foi um dos primeiros artistas a desafiar os limites da superfície de trabalho, fazendo cortes em suas telas monocromáticas. Apesar de sua enorme influência na produção artística dos anos 50 e 60, Fontana nunca tinha merecido, no Brasil, uma mostra representativa de seus mais de quarenta anos de carreira. Essa retrospectiva traz 76 obras. São duas grandes instalações, telas, desenhos e esculturas em terracota, cerâmica e bronze. Paralelamente, será realizada uma exposição de 22 artistas brasileiros cujo trabalho guarda relação com a obra de Fontana.

 

   
 
Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura.
   
 
   
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