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Tédio
e clichês
John Grisham não deveria
ter
mudado de estilo
Marcelo
Marthe
Um
dos escritores mais bem-sucedidos dos anos 90, o americano John Grisham
ganhou fama e fortuna com romances que falam sobre advogados inescrupulosos,
conspirações da CIA e batalhas de tribunal. Explorou isso
como ninguém em A Firma e O Dossiê Pelicano, mas
agora parece ter se cansado da própria fórmula. Em seu novo
livro, A Casa Pintada (tradução de Aulyde
Soares Rodrigues; Rocco; 394 páginas; 34 reais), ele dá
uma guinada. A partir de reminiscências de sua infância, vivida
numa região rural do Arkansas onde a monocultura de algodão
domina a paisagem, o escritor narra a vida simples de uma família
de fazendeiros na década de 50, pelo ângulo de um garoto
de 7 anos, Luke Chandler. A história é movida pelas lembranças
das travessuras, da convivência com os avós e da modorrenta
vida social de Black Oak, lugarejo situado a poucos quilômetros
da cidade natal de Grisham. É o tipo de enredo que requer alguma
dose de sensibilidade. Mas esse não é o forte do autor.
O resultado é um livro que se perde em clichês do estereótipo
da avó boazinha (que, óbvio, faz os melhores biscoitos do
mundo) ao modo como descreve os mexicanos que trabalham como peões
na colheita (todos baixinhos, bigodudos e devoradores de tortillas). Há
uma pitadinha de seu velho suspense, é verdade, quando o pequeno
Chandler passa a correr risco de vida por testemunhar um assassinato.
Mas aí já é tarde demais. A Casa Pintada,
que poderia ser o retrato de uma época de mudanças na vida
rural no sul dos Estados Unidos, enfastia o leitor. Chame os advogados
de volta, Grisham.
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