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Edição 1 727 - 21 de novembro de 2001
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Tédio e clichês

John Grisham não deveria
ter mudado de estilo

Marcelo Marthe

Um dos escritores mais bem-sucedidos dos anos 90, o americano John Grisham ganhou fama – e fortuna – com romances que falam sobre advogados inescrupulosos, conspirações da CIA e batalhas de tribunal. Explorou isso como ninguém em A Firma e O Dossiê Pelicano, mas agora parece ter se cansado da própria fórmula. Em seu novo livro, A Casa Pintada (tradução de Aulyde Soares Rodrigues; Rocco; 394 páginas; 34 reais), ele dá uma guinada. A partir de reminiscências de sua infância, vivida numa região rural do Arkansas onde a monocultura de algodão domina a paisagem, o escritor narra a vida simples de uma família de fazendeiros na década de 50, pelo ângulo de um garoto de 7 anos, Luke Chandler. A história é movida pelas lembranças das travessuras, da convivência com os avós e da modorrenta vida social de Black Oak, lugarejo situado a poucos quilômetros da cidade natal de Grisham. É o tipo de enredo que requer alguma dose de sensibilidade. Mas esse não é o forte do autor. O resultado é um livro que se perde em clichês – do estereótipo da avó boazinha (que, óbvio, faz os melhores biscoitos do mundo) ao modo como descreve os mexicanos que trabalham como peões na colheita (todos baixinhos, bigodudos e devoradores de tortillas). Há uma pitadinha de seu velho suspense, é verdade, quando o pequeno Chandler passa a correr risco de vida por testemunhar um assassinato. Mas aí já é tarde demais. A Casa Pintada, que poderia ser o retrato de uma época de mudanças na vida rural no sul dos Estados Unidos, enfastia o leitor. Chame os advogados de volta, Grisham.

   
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