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Ponto
para elas
Empresas
começam
a abrir espaço
para a contratação de mulheres grávidas
Silvia
Rogar
Selmy Yassuda
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| Ana
Cristina, com Gabriel: admissão durante a gravidez |
Ana
Cristina Dutra, 32 anos, estava no terceiro mês de gravidez quando
terminou o mestrado no Instituto de Pós-Graduação
e Pesquisa em Administração (Coppead), no Rio de Janeiro.
À espera do primeiro filho, achou inútil participar do recrutamento
que algumas empresas fazem ao fim do curso com os recém-formados.
"Nunca pensei que me chamariam para alguma vaga", diz. Por insistência
dos colegas, mandou o currículo para três seleções,
pensando apenas em alguma oportunidade no futuro. A surpresa: depois de
entrevistas em que falou abertamente da gravidez, foi selecionada para
testes e ganhou o emprego em duas empresas. Descartou a vaga em um banco
e optou pela Repsol YPF, grupo espanhol do setor de petróleo.
O crescimento da barriga não a impediu de ficar até mais
tarde nos dias necessários e trabalhar até a véspera
do nascimento de seu filho, Gabriel, que hoje está com 1 ano e
meio. "Ela era a melhor candidata e pensamos a longo prazo", diz o diretor
de recursos humanos da Repsol no Brasil, Marcelo Nóbrega. Histórias
como a de Ana Cristina ainda não são o padrão de
contratações e acontecem, em maioria, com profissionais
de nível gerencial para cima dentro das empresas. Mas mostram que
o preconceito começa a diminuir mesmo quando não se é
a superexecutiva Maria Silvia Bastos Marques, que, em 1996, assumiu o
comando da Companhia Siderúrgica Nacional no quarto mês de
gestação de gêmeos. "No último ano, tivemos
três contratações de grávidas. Notamos que
isso reforça seu comprometimento com a empresa", diz Joaquim de
Sousa Correia, diretor de recursos humanos da Embratel, que pretende aumentar
a presença feminina, hoje de 30%, em seu quadro de pessoal.
As
mulheres representam 40% da força de trabalho no país (veja
quadro), e ainda são alvo de discriminação. Apesar
de todas as conquistas, seus rendimentos equivalem a 60% do que ganham
os homens. No que se refere à maternidade, a situação
só começou a mudar de cinco anos para cá. Até
então as recém-casadas entre 25 e 35 anos e sem filhos formavam
um "grupo de risco" que deveria ser evitado. O novo espaço conquistado
tem um preço: em geral, a mulher tem a licença-maternidade
reduzida de quatro meses para três. É um acordo informal
a licença é um direito constitucional que
beneficia ambos os lados. A empresa não deixa de contratar uma
profissional competente e a mulher não perde a oportunidade de
um bom emprego. Para especialistas, o crescimento do número de
companhias estrangeiras no país, principalmente depois das privatizações,
ajudou a reduzir desigualdades no mercado de trabalho. "Esses grupos trouxeram
políticas de recursos humanos nas quais minorias e mulheres não
são discriminadas. O que vale é o talento", diz o headhunter
Antônio Carlos Martins, presidente da Perfil Consultores. Bem-vinda
seja a mudança.
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