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Autoridade do
barulho
Uma
primeira-ministra diferente
chega ao Brasil: ela anda de esqui,
faz trilha e adora escalar
Malu
Gaspar
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| Helen
Clark: cumprimento clássico dos maoris |
Com
cabelo curto e voz grossa, ela já atraiu comentários de
que era lésbica. Gosta de fazer trilha pelas matas, adora esquiar
na neve e é boa alpinista. Já escalou o Kilimanjaro, na
Tanzânia, cujo pico fica a quase 6.000 metros do nível do
mar. No ano passado, enfrentou desafio maior: escalar o Aconcágua,
na fronteira da Argentina com o Chile, a quase 7.000 metros de altura.
"Para ir até lá, intensifiquei a ginástica, passei
a freqüentar três vezes por semana a academia, e não
apenas duas", diz ela. "Ficamos vinte dias acampados no Aconcágua.
O pior foi a subida final. Faltava oxigênio." A protagonista dessas
experiências radicais não é uma esportista. É
a primeira-ministra da Nova Zelândia, Helen Clark, 51 anos, que
nesta terça-feira terá audiência com o presidente
Fernando Henrique no Palácio do Planalto. Antes de chegar a Brasília,
Helen Clark pretendia desembarcar em Manaus na sexta-feira para fazer
uma expedição de dois dias pelo Rio Negro, onde se encontraria
com o navegador neozelandês Peter Blake, recordista mundial em navegação
sem escalas.
Com um perfil incomum para um chefe de governo, Helen Clark também
terá uma comitiva exótica. Entre Brasília e São
Paulo, as únicas duas cidades brasileiras que visitará antes
de embarcar para Buenos Aires, ela estará acompanhada de oito oficiais
do governo, dez empresários e dez índios maoris, a etnia
nativa da Nova Zelândia, que corresponde a 15% da população
total do país. Ao lado dos maoris, a primeira-ministra deve participar
de um encontro com chefes de tribos brasileiras no Memorial dos Povos
Indígenas, em Brasília. Apesar de seu convívio amistoso
com os índios, foi ao lado deles que Helen Clark passou pelo único
momento em que rompeu um dos dogmas de seu feminismo convicto o
de que mulher não pode chorar em público. Em fevereiro de
1998, ainda como líder da oposição, Helen Clark visitou
uma tribo maori em cujas recepções públicas, por
tradição, as mulheres não falam. Helen Clark começava
a falar quando viu uma índia se levantar e supôs que
ganharia apoio. A índia espinafrou Helen Clark, que se debulhou
em lágrimas.
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A
NOVA AVENTURA
Helen Clark, 51 anos, casada, sem filhos: antes
de
desembarcar em Brasília, expedição de dois dias
pelo Rio Negro, na Amazônia |
"Não gosto de me lembrar disso", diz ela. "Se um homem poderoso
chora, é sensível e humano. Se é uma mulher na mesma
posição, é fraca." Na Nova Zelândia de Helen
Clark, alguns dos cargos mais relevantes são ocupados por mulheres:
a governadora-geral, a procuradora-geral, a presidente da mais alta corte
jurídica do país e, até duas semanas atrás,
a líder da oposição. Dos 202 cargos mais importantes
no governo, 57 são preenchidos por mulheres. Recentemente, a primeira-ministra
pediu a seus assessores que escolhessem mais mulheres para cargos administrativos
do governo, por achar que elas estão sub-representadas. "Esse governo
só vai indicar um homem branco se não puder encontrar uma
mulher", reclama o oposicionista Richard Preeble, líder de um pequeno
partido conservador.
Helen Clark tem uma vida modesta. Anda sem seguranças pela rua,
leva pessoalmente as roupas à lavanderia, diariamente compra leite
e jornais, e gosta de ir à ópera mas detesta intromissões
em sua vida pessoal. Depois de cinco anos dividindo o mesmo teto com o
companheiro, um professor universitário, resolveu casar-se legalmente,
em 1985, e passou a encarar as insinuações de homossexualidade
com bom humor. "Não estou nem um pouco incomodada com isso", diverte-se.
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