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O ônibus-hotel
Agora sim os mochileiros de
luxo podem viajar com conforto
para roteiros inóspitos

Nahara Bauchwitz
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O Exploranter e a mesa posta
para o jantar: até 32 viajantes a bordo, com ar-condicionado |
Os
insetos, as caminhadas e a mochila são os incômodos que fazem
a maioria das pessoas se desinteressar da vida de mochileiro, por melhores
que sejam as paisagens a conquistar. Para o peso da mochila e as caminhadas
longas já se providenciou uma solução. O Exploranter,
o primeiro hotel sobre rodas do país, está funcionando há
um mês, com a aprovação do Inmetro, elogios da Embratur
e boas recomendações de quem já o experimentou. Apesar
de suas linhas, que não fazem muito pelo embelezamento das estradas
nacionais, esse ônibus-hotel melhora a vida de quem quer alcançar
lugares inóspitos, sem infra-estrutura. Dividido em dois módulos,
ele tem quase 20 metros de comprimento. Na frente, há uma sala
de estar, com poltronas de couro e aberturas no teto, pelas quais é
possível ver a paisagem do alto, com segurança, mesmo com
o veículo em movimento. No reboque ficam as camas para até
32 hóspedes, com estantes, distribuídas em quatro andares,
mais três banheiros com água quente. Cada cama tem cortina
para o corredor, além de luz e armário individuais. O cavalo
que puxa tudo isso tem motor de caminhão e tração
nas quatro rodas.
O Exploranter foi inspirado no overland, modalidade de turismo
que usa caminhões adaptados para percorrer qualquer espécie
de terreno. São veículos que se vêem muito em percursos
fora de estrada na África e na Ásia. Existem mais de cinqüenta
companhias internacionais especializadas nesse tipo de viagem, e as excursões
podem durar até nove meses. "Em nosso modelo, acrescentamos uma
dose extra de conforto", explica Flávio Melo, idealizador do hotel-carreta.
Com investimento de 500.000 reais, o caminhão duplo ganhou até
cozinha, embutida numa lateral. Ali há forno, fogão, despensa,
microondas, geladeira, freezer e pia equipamentos que entram em operação
quando o veículo está parado e os hóspedes exploram
áreas vizinhas. Grupos podem alugar todo o conjunto para fazer
o próprio roteiro, mas existem também pacotes oferecidos
pela empresa, com diárias entre 150 e 250 reais, incluindo jantar
e café. As viagens pelo Brasil duram de três a dez dias.
Um roteiro cobre de Atibaia, em São Paulo, à região
serrana do sul de Minas. Outro compreende uma área de cânions
na divisa de São Paulo e Paraná. Haverá uma expedição
em breve pela Serra Gaúcha. Novas possibilidades, abrangendo o
Nordeste, serão criadas no ano que vem.
O Exploranter percorre até 200 quilômetros por dia. Durante
as paradas, os passageiros andam de bicicleta, praticam trekking e rafting,
tomam banho de rio ou desbravam cavernas, dependendo do percurso da viagem.
Em alguns roteiros, é possível fazer um trecho de balão
ou a cavalo e encontrar o caminhão mais adiante. "Fiquei surpreso
com o conforto e a funcionalidade dos equipamentos", diz o diretor-presidente
da Sadia, Walter Fontana Filho, que experimentou um passeio de três
dias. "É um jeito novo de fazer turismo pelo país." E os
mosquitos? Bem, pelo menos dentro do dormitório, com ar-condicionado,
eles não aparecem. Do lado de fora, só mesmo com repelente.
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