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Joalheiras de
luxo
Socialites
descobrem uma
nova mina de
oportunidades:
desenhar jóias e
bijuterias
Bel Moherdaui
Antonio Milena
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Dario Zarlis
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Adriana em seu showroom: empurrão da amiga
dona de loja |
Kristhel e
seu multifunção Labirinto da Sedução:
jóias com nome, "como os poemas" |
É
difícil hoje passar os olhos pelas colunas sociais sem deparar
com algum sobrenome conhecido atrelado ao lançamento de uma coleção
de jóias. O número de mulheres bem de vida e de prestígio
social que andam abraçando o milenar ofício da ourivesaria
prolifera como, no passado, os diamantes de aluvião à margem
dos rios brasileiros. Desenhar jóias ou bijuterias finas parece
ter desbancado, de longe, atividades outrora tradicionais nessa área,
como ser decoradora ou dona de butique de luxo. A nova opção
profissional faz todo o sentido: as joalheiras do soçaite têm
familiaridade com o assunto, capital para arriscar e freguesas logo ali,
ao alcance da agenda eletrônica. Muitas podem até não
conhecer bem as técnicas de ourivesaria, mas têm um requisito
importante: simplesmente adoram colares, brincos e anéis e conhecem
bem o gosto da clientela. "Nós fazemos artesanato. Cada peça
é montada separadamente e são todas exclusivas", diz Virginia
Leardi, a Vi, da grife Vi Bi Leardi (Bi é da irmã, Bianca),
que tem um espaço na Daslu, o complexo do consumo de alto luxo
em São Paulo. A exclusividade é justamente o maior trunfo
da socialite joalheira, que sabe muito bem o que é o dissabor de
encontrar outra com o mesmo brinco no qual ela gastou uma pequena fortuna.
"Com o avanço da tecnologia, os produtos tendem a ter técnicas
e preços muito parecidos. O diferencial competitivo passou a ser
o design, e, por isso, o número de designers tem aumentado tanto",
analisa Ecio Morais, diretor da Associação dos Joalheiros
do Estado de São Paulo.
Quase
todas contam que começaram a fazer jóias para elas mesmas,
desmanchando e "remodelando" heranças de família. Num segundo
estágio, passam a vender para amigas as jóias que elas desenham
e um profissional monta. Foi assim o começo da socialite paulistana
Cecilia Neves, filha do arquiteto Júlio Neves, presidente do Museu
de Arte de São Paulo (Masp). "Sempre desenhei peças para
mim, porque as pessoas nunca traduziam a mentalidade que eu queria", conta
Cecilia, que produz coleções multitemáticas, "tudo
com muito conceito". O filé mignon do negócio está
nas mostras mais privadas para o círculo de amizades. "Sou convidada
para a casa de uma amiga que tem várias amigas, fazemos um coquetel
com champanhe e eu levo duas vendedoras que mostram as peças",
descreve outra neojoalheira, Kristhel Byancco, mulher do empresário
e deputado federal Ricardo Rique. O forte da exuberante Kristhel, que
se divide entre o Rio e Brasília, são as pedras brasileiras,
e ela produz cerca de trinta peças para cada uma das duas coleções
anuais, jóias com nome e sobrenome coisinhas como o colar-tiara-cinto-bracelete
de turquesa, ouro e diamante "Labirinto da Sedução". "Minha
idéia é reproduzir o sentimento do momento que estou vivendo.
Por isso todas têm nome. É como se fosse um poema", explica.
Um dos "poemas" mais caros de Kristhel, um conjunto de colar e brincos
de pérolas e brilhantes, sai por 50.000 reais. A gaúcha
Anna Cláudia Rocha, 30 anos, casada com um dos herdeiros da rede
de lojas Riachuelo, sempre gostou de criar "badulaques" e há dois
anos fez disso sua profissão. Exceção entre seus
pares, fez faculdade de moda e um curso nos Estados Unidos. Em matéria
de estilo, é exagerada assumida: "Gosto muito de brincão,
de ter um lustre dourado na orelha".
Antonio Milena
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| As
irmãs Vi e Bi: pouco
lucro, apesar do
brinco de 13 000 reais
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Sobrenome
faz a diferença para quem está começando. "Sem dúvida,
o nome é uma alavanca muito grande que a gente tem", admite Ana
Paola Diniz, sobrinha do empresário Abilio Diniz e a mais nova
designer da equipe da joalheira Laura Marchi. Também faz parte
do time das joalheiras de luxo a irmã gêmea do ator Luciano
Szafir, Priscila, advogada que se casou com um empresário, mudou-se
para o Rio de Janeiro e parou de trabalhar para cuidar dos filhos. Quando
resolveu voltar, foi desenhar jóias. Abriu uma loja há quatro
anos e tem entre suas clientes todas as grandes amigas de mamãe
Beth, incluindo a ex-primeira-dama Rosane Collor. Os negócios deslancham
mais rápido para quem, além de ter amigos e capital, conhece
donas de butique. A designer de bijuterias finas Adriana Bittencourt,
pertinaz freqüentadora de festas e colunas sociais, conquistou aos
poucos a amizade da dona da loja Les Filós, Claudia Zemel, e lá
começou a vender suas peças. Hoje tem coleções
em outras duas lojas, além de um showroom próprio decorado
com fotos dela mesma. "Nunca fui atrás de nenhuma cliente", afirma,
categórica, Adriana, que vira e mexe é fotografada ao lado
de artistas globais.
As irmãs Vi e Bi começaram seu negócio há
dois anos, com um trunfo e tanto: a amizade com as proprietárias
da Daslu. "E a Daslu é uma vitrine para o mundo", entusiasma-se
Vi. Um par de brincos de sua grife, de topázio, água-marinha
e brilhantes, custa por volta de 13.000 reais. Mesmo assim, lucro mesmo,
que é bom, poucas socialites joalheiras têm. A matéria-prima
é cara, a produção é pequena e o retorno,
demorado. "Não ganho dinheiro. A loja empata", garante Priscila
Szafir. A carioca Cookie Richers, mulher de Herbert Richers (aquele mesmo
do célebre "versão brasileira: Herbert Richers" dos programas
de TV), é uma das mais comedidas em matéria de preços:
suas peças custam de 500 a 2.500 dólares. "Dá para
tirar um pouco, se tiver juízo, mas é difícil. Tudo
o que se ganha é gasto com material", diz. Cookie, ex-paisagista,
vai indo muito bem no novo ramo: sua coleção mais recente,
com minúsculas reproduções eróticas tiradas
do Kama Sutra, é o maior sucesso no Rio de Janeiro.
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