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Edição 1 727 - 21 de novembro de 2001
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À prova de barbeiragem

Novos sistemas de segurança podem
salvar a pele dos maus motoristas

Amauri Segalla

 
Fotos divulgação
A perua da Volvo: a cortina de airbags protege os passageiros em caso de capotagem

A maioria dos carros dotados de airbag possui a versão simples do equipamento, que salva milhares de vidas mas apresenta dois defeitos graves. Um deles: o motorista dirige seu carro e, sem que o veículo sofra nenhuma batida, o airbag dispara sozinho. Vários acidentes foram provocados por essa abertura inesperada. O outro defeito está ligado à força da expansão da bolsa de ar. Ela é tão violenta que pode ferir ou até matar os passageiros. Nos Estados Unidos, o equipamento salvou a vida de 7.224 pessoas nos últimos dez anos. Mas matou outras 191, sendo 97 crianças. Nos últimos anos, os engenheiros de segurança estudam uma forma de aumentar a taxa de eficiência daquele que é o principal item de segurança do veículo depois do cinto. Alguns modelos já saem de fábrica com um airbag dotado de sensores especiais. Em caso de colisão leve, o sistema pode ordenar que apenas 70% da capacidade da bolsa de ar seja inflada. Outros carros possuem um número maior de almofadas de proteção destinadas a proteger a cabeça dos passageiros em caso de capotagem. Agora, o trabalho se concentra na criação de airbags "inteligentes" capazes de "ler" o peso e a altura dos ocupantes do banco. A idéia é fazer com que o mecanismo não dispare quando o passageiro for uma criança.

Observe como as rodas estão tortas: calma, isso aumenta a estabilidade

O investimento na inovação de airbags faz parte de uma fase nova da indústria automobilística, que já priorizou o design dos modelos e a potência dos motores e agora aposta pesado em segurança. A idéia é oferecer ao motorista instrumentos que ajudem a evitar uma batida e, quando ela for inevitável, a melhorar as chances de sobrevida. O dinheiro gasto nesse campo tem retorno certo. Na década de 60, a probabilidade de morte de um passageiro em colisão frontal era de 70%. Hoje, esse índice caiu para menos da metade: 30%. Além dos airbags, os engenheiros atuam em duas grandes frentes. Numa delas, recorreram à eletrônica para melhorar os freios dos automóveis. Na outra linha de desenvolvimento, os especialistas passaram a criar sistemas para aumentar a estabilidade dos veículos.

Longe de ser um exercício de futurologia destinado apenas a equipar protótipos, os novos equipamentos já têm prazo para entrar no mercado. Nos próximos três anos, a DaimlerChrysler pretende instalar faróis infravermelhos em alguns jipes da série Grand Cherokee. O equipamento é capaz de iluminar durante a noite pessoas, animais e objetos a uma distância até 150 metros. Depois, reproduz as imagens numa tela no painel do veículo. Até o fim do primeiro semestre de 2002, a Mercedes promete trazer ao Brasil as novas versões dos modelos da série Classe SL equipados com cérebro eletrônico à prova de barbeiragens. Diante de um perigo iminente, o sistema aciona automaticamente os freios. Ou desacelera o carro em caso de derrapagem. A fábrica agora trabalha no desenvolvimento de um veículo que, nos trechos mais sinuosos, pode variar o ângulo de inclinação das rodas até 20 graus, gerando maior estabilidade para o carro. Projetos do gênero costumam consumir orçamentos superiores a 400 milhões de dólares. Diante do desejo e das necessidades dos consumidores, não é exagero dizer que esse custo se tornou baixo para as montadoras.

   
 
   
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