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As arapucas
O TCU aponta obras micadas
e
os ministérios que as tocam

Malu
Gaspar
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O ministro Eliseu Padilha, que
deixou o cargo: sua pasta está no topo do ranking |
Na
semana passada, depois de quase cinco anos no cargo, Eliseu Padilha deixou
o Ministério dos Transportes. Em seu lugar, assumiu o secretário
executivo, Alderico Lima, que recebeu uma herança de suspeitas.
A pasta é a campeã em obras com irregularidades graves segundo
o Tribunal de Contas da União (TCU). Das 121 obras federais irregulares,
com problemas que vão de erros de cálculo a desvio de dinheiro,
55 estavam sob as asas do Ministério dos Transportes. Além
de numerosas, as obras micadas do setor de Padilha também são
as que mais consomem verbas entre os oito ministérios citados pelo
TCU. Neste ano, o Orçamento previu despachar 850 milhões
de reais para obras suspeitas do Ministério dos Transportes, o
que corresponde a 20% de todos os recursos da pasta para investimentos.
De novo, um recorde. Com a descoberta do TCU, os repasses foram suspensos.
O levantamento do Tribunal de Contas revela que as obras suspeitas têm
uma incorrigível inclinação de florescer em ministérios
do PMDB. No segundo posto do ranking aparece a Integração
Nacional, outro feudo peemedebista desde o início do governo Fernando
Henrique. A Integração, comandada pelo senador Ney Suassuna
desde a semana passada, é responsável por 32 das 121 obras
micadas, cujos gastos correspondem a 13% do orçamento do ministério.
As obras mais caras, no entanto, estão no setor elétrico.
Algumas, como a hidrelétrica de Serra da Mesa, no interior de Goiás,
já foram concluídas. A obra, pronta neste ano, deveria ter
custado 1,3 bilhão de dólares. Saiu pelo dobro. Na lista
das mais caras e ainda inconclusas está uma usina no Rio de Janeiro.
Torrou 421,5 milhões de reais e deveria receber outros 300 milhões
neste ano. Mas, como não houve licitação, o TCU mandou
o governo fechar o cofre.
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