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O avião que
se
desfez no ar
AP
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AFP
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FOGO
E MORTE
O vôo do Airbus durou menos de três minutos. O avião
perdeu parte da cauda, as duas turbinas (ao lado) e caiu sobre
uma área residencial |
A
queda de um avião sobre um bairro
residencial de Nova York, na segunda-feira passada, não poderia
ter ocorrido em pior momento. Dias antes, os nova-iorquinos tinham eleito
um novo prefeito e todos concordavam que, passados dois meses do atentado
que pôs abaixo as torres gêmeas do World Trade Center, era
hora de voltar à vida normal. A queda do Airbus A300 da American
Airlines trouxe de volta o medo à cidade. O aparelho, com destino
a Santo Domingo, capital da República Dominicana, decolou do Aeroporto
John F. Kennedy às 9h14 e caiu menos de três minutos
depois, 8
quilômetros adiante, atingindo uma dezena de casas num setor residencial
do bairro de Queens. Morreram 265 pessoas 260 a bordo e cinco em
terra. O exame de uma das duas caixas-pretas encontradas nos escombros
indica que o avião foi derrubado por uma conjunção
de fatores pouco comuns na história da aviação comercial.
Primeiro, ele entrou no redemoinho causado por uma aeronave maior que
seguia à frente. Segundo, a cauda desprendeu-se da fuselagem. Por
fim, as duas turbinas caíram. O aparelho se desfez no ar, caindo
em pedaços.
O que pode
ter provocado tal efeito num avião de 170 toneladas? A explosão
de uma bomba abriria um rombo na fuselagem. Não foi o que aconteceu.
Na gravação contida na caixa-preta, ouve-se o piloto relatar
que o Airbus sentia os efeitos da turbulência causada por um Boeing
747 da Japan Airlines, que tinha decolado dois minutos e meio antes. Ouvem-se
também rangidos fortes vindos da estrutura. Vinte segundos antes
da queda, com a aeronave a 880 metros de altitude, o piloto diz ter perdido
o controle. O jumbo japonês, de 400 toneladas, voava 7 quilômetros
adiante. O deslocamento de um avião desse porte causa um efeito
conhecido como vórtice. Isso ocorre porque cada asa dirige os jatos
de ar numa direção diferente da outra. O efeito é
similar ao de um tornado, só que no sentido horizontal. A estrutura
do Airbus permite que suporte pressões que correspondam a até
seis vezes o próprio peso. O aparelho, no entanto, rompe-se se
a força for maior. É por esse motivo que os aviões
comerciais se desviam de tempestades e vendavais. No caso do Airbus da
American Airlines, os técnicos suspeitam que ele tenha sido torcido
ao se chocar contra a parede externa do vórtice. É um acontecimento
raríssimo. Entrará como um capítulo especial nos
manuais de segurança do ramo aéreo.
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