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Edição 1 727 - 21 de novembro de 2001
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O avião que se
desfez no ar


AP
AFP
FOGO E MORTE
O vôo do Airbus durou menos de três minutos. O avião perdeu parte da cauda, as duas turbinas (ao lado) e caiu sobre uma área residencial

A queda de um avião sobre um bairro residencial de Nova York, na segunda-feira passada, não poderia ter ocorrido em pior momento. Dias antes, os nova-iorquinos tinham eleito um novo prefeito e todos concordavam que, passados dois meses do atentado que pôs abaixo as torres gêmeas do World Trade Center, era hora de voltar à vida normal. A queda do Airbus A300 da American Airlines trouxe de volta o medo à cidade. O aparelho, com destino a Santo Domingo, capital da República Dominicana, decolou do Aeroporto John F. Kennedy às 9h14 e caiu menos de três minutos depois, 8 quilômetros adiante, atingindo uma dezena de casas num setor residencial do bairro de Queens. Morreram 265 pessoas – 260 a bordo e cinco em terra. O exame de uma das duas caixas-pretas encontradas nos escombros indica que o avião foi derrubado por uma conjunção de fatores pouco comuns na história da aviação comercial. Primeiro, ele entrou no redemoinho causado por uma aeronave maior que seguia à frente. Segundo, a cauda desprendeu-se da fuselagem. Por fim, as duas turbinas caíram. O aparelho se desfez no ar, caindo em pedaços.

O que pode ter provocado tal efeito num avião de 170 toneladas? A explosão de uma bomba abriria um rombo na fuselagem. Não foi o que aconteceu. Na gravação contida na caixa-preta, ouve-se o piloto relatar que o Airbus sentia os efeitos da turbulência causada por um Boeing 747 da Japan Airlines, que tinha decolado dois minutos e meio antes. Ouvem-se também rangidos fortes vindos da estrutura. Vinte segundos antes da queda, com a aeronave a 880 metros de altitude, o piloto diz ter perdido o controle. O jumbo japonês, de 400 toneladas, voava 7 quilômetros adiante. O deslocamento de um avião desse porte causa um efeito conhecido como vórtice. Isso ocorre porque cada asa dirige os jatos de ar numa direção diferente da outra. O efeito é similar ao de um tornado, só que no sentido horizontal. A estrutura do Airbus permite que suporte pressões que correspondam a até seis vezes o próprio peso. O aparelho, no entanto, rompe-se se a força for maior. É por esse motivo que os aviões comerciais se desviam de tempestades e vendavais. No caso do Airbus da American Airlines, os técnicos suspeitam que ele tenha sido torcido ao se chocar contra a parede externa do vórtice. É um acontecimento raríssimo. Entrará como um capítulo especial nos manuais de segurança do ramo aéreo.

 
 
   
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