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O novo rei do petróleo
AFP

PACTO
ANTITERROR
Rússia e Estados Unidos não simulam parceria semelhante
desde a vitória aliada sobre a Alemanha nazista na II Guerra
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Os
republicanos viviam criticando a atenção que o ex-presidente
Bill Clinton dedicava à Rússia, país tomado pela
corrupção e controlado pela máfia. A Rússia
não deixou de ser um dos endereços mais corruptos e mafiosos
do planeta, mas na semana passada o governo republicano de George W. Bush
cobria de salamaleques o presidente Vladimir Putin na visita do líder
russo aos Estados Unidos. A viagem durou três dias, período
em que o presidente esteve em Washington e no Estado do Texas. A empresários,
Putin discursou sobre a importância de parcerias nas ações
contra o terrorismo global e falou ainda sobre seu desejo de ver a Rússia
entrar na Organização do Tratado do Atlântico Norte
(Otan). Falou também sobre a redução do arsenal nuclear.
Só que ninguém estava tão
interessado em discursos sobre esses assuntos. Todos queriam ouvi-lo falar
sobre um assunto mais urgente: o petróleo.
Os Estados
Unidos são o terceiro maior produtor mundial de petróleo,
mas importam 60% do que consomem. A maior parte do petróleo importado
é oriunda do Oriente Médio, especialmente da Arábia
Saudita. Até outro dia, essa parceria com os árabes serviu
não apenas aos interesses comerciais dos Estados Unidos. Depois
de diversas negociações tocadas a partir de Washington,
o dinheiro saudita e o empenho pessoal de um árabe chamado Osama
bin Laden conseguiram a expulsão dos russos do Afeganistão.
Ocorre que a parceria do passado já não mantém a
mesma qualidade. Ao mesmo tempo que os governantes da Arábia Saudita
se declaram empenhados no combate ao terrorismo, eles não conseguem
desfazer a rede de interesses que financia os islamitas mais radicais,
inclusive a Al Qaeda de Laden. Daí por que os Estados Unidos agora
se fiam no velho adversário russo para vencer o novo inimigo: o
medo de uma eventual crise de abastecimento de petróleo. Era sobre
esse assunto que os americanos queriam ouvir Putin falar. E ele falou.
Durante
uma palestra feita a empresários, Putin disse que a Rússia
está preparada para aumentar a exportação de petróleo
para os Estados Unidos e convidou os americanos a intensificar os investimentos
em seu país. Dezenas de empresas americanas já atuam no
setor de energia na Rússia. Putin quer mais. A Sibéria é
vista como a terra das oportunidades para companhias mastodônticas
como British Petroleum. A Rússia é o segundo maior exportador
e produtor de petróleo do mundo. Acredita-se que essa produção
possa aumentar muito. Na comparação com o ano passado, fala-se
que o número de barris em 2001 deva ser 8% maior. O petróleo
é hoje o principal item da pauta de exportações,
representando uma receita anual de 48 bilhões de dólares.
Moscou acredita que esse número possa subir 20% caso a captação
de investimentos seja bem-sucedida. Os primeiros resultados foram positivos.
A viagem recebeu elogios dos especialistas e dos críticos mais
ácidos. E uma das empresas que investem na região, a ExxonMobil,
anunciou que vai refazer seu planejamento. Fala em desembolsar não
mais 600 milhões de dólares, mas 4 bilhões.
Putin, o
novo rei do petróleo, é um especialista das relações
internacionais. Na função de agente secreto, viveu um bom
tempo na ocasião da Guerra Fria na então Alemanha Oriental.
Conheceu como poucos os pormenores da escassez provocada pelo comunismo
no Leste Europeu e a eficiência econômica de países
do porte de França e Alemanha. Quando voltou a sua terra natal,
elegeu-se deputado e ajudou a captar investimentos. Está utilizando
sua experiência para modernizar a Rússia. Quer dotá-la
de boas escolas, indústrias competitivas e instituições
legais. "É claro que Putin sabe que o futuro da Rússia está
no oeste, porque aqui está a fonte da tecnologia e da inspiração",
afirma Colin Powell, secretário de Estado americano.
Na Rússia,
já é possível sentir a mão do líder.
A Moscou de hoje se parece com outras cidades cosmopolitas. Experimentar
pratos chiques em restaurantes e encontrar vestidos suntuosos em butiques
francesas tornaram-se hábitos comuns para a população
mais abastada. Há certamente muitos problemas a ser resolvidos.
A máfia russa age impunemente, 50 milhões de pessoas vivem
abaixo da linha da pobreza, o interior é pouco desenvolvido e a
ação nada ponderada do Exército contra os rebeldes
separatistas chechenos atinge sua reputação. Se isso não
bastasse, a oposição acusa o presidente de ser condescendente
com os interesses dos capitalistas desenvolvidos. Esquecem-se, no entanto,
de que Putin está jogando com as cartas que têm. O poderio
bélico da Rússia e sua influência na região
servem para atrair dinheiro de fora, única forma de melhorar a
vida de seu povo.
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