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Edição 1 727 - 21 de novembro de 2001
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Vitórias brasileiras
na globalização

 
AFP

O chanceler brasileiro, Celso Lafer, comemora com colegas no Catar o resultado da reunião da OMC

Embora sua materialidade seja evidente, é comum ainda no Brasil pôr em dúvida a real existência de um processo de globalização da economia. É uma discussão vazia. Num patamar mais sólido do debate nacional, procura-se definir se o Brasil lucrou alguma coisa ao se deixar envolver pela poderosa onda de mudanças comerciais, financeiras, políticas e culturais que costumamos chamar de globalização. VEJA traz nesta semana duas reportagens que mostram com fatos que o Brasil se inseriu de modo muito positivo no mundo globalizado. Uma delas não passa de uma história pessoal de sucesso. Mas é uma lição de arrojo e persistência a que vale a pena prestar atenção. Trata-se da carreira de Carlos Ghosn, brasileiro de nascimento com experiência internacional. Em dois anos, Ghosn tirou a terceira maior fábrica de automóveis do Japão, a Nissan, do caminho da bancarrota. Nascido em Rondônia, Carlos Ghosn, 47 anos, é o executivo brasileiro mais bem-sucedido fora daqui. Há alguns anos, só saíam do Brasil nos vôos para Tóquio imigrantes nisseis em busca de melhor qualidade de vida na pátria dos avós.

Outra reportagem relata os resultados da reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) que se encerrou em Doha, no Catar, na quarta-feira passada. Ao contrário de outros fóruns convocados nos últimos cinqüenta anos para discutir as relações comerciais entre os países, o do Catar terminou com decisões surpreendentemente favoráveis aos países em desenvolvimento. Para o Brasil, foi uma vitória histórica. Foram acatados pela comunidade internacional pontos de vista brasileiros em favor da venda, por preços mais baixos, de remédios para doentes de Aids em países que não podem pagar por eles. Também resultou em medidas práticas a pregação brasileira pela diminuição dos subsídios e por menos protecionismo por parte das nações ricas. O sucesso internacional de Ghosn e as vitórias brasileiras na OMC são lições de que se inserir no mundo, além de inevitável, pode ser muito vantajoso.

 
 
   
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