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Vitórias brasileiras
na globalização
AFP

O chanceler brasileiro, Celso Lafer, comemora com
colegas no Catar o resultado da reunião da OMC
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Embora sua
materialidade seja evidente, é comum ainda no Brasil pôr
em dúvida a real existência de um processo de globalização
da economia. É uma discussão vazia. Num patamar mais sólido
do debate nacional, procura-se definir se o Brasil lucrou alguma coisa
ao se deixar envolver pela poderosa onda de mudanças comerciais,
financeiras, políticas e culturais que costumamos chamar de globalização.
VEJA traz nesta semana duas reportagens que mostram com fatos que o Brasil
se inseriu de modo muito positivo no mundo globalizado. Uma delas não
passa de uma história pessoal de sucesso. Mas é uma lição
de arrojo e persistência a que vale a pena prestar atenção.
Trata-se da carreira de Carlos
Ghosn, brasileiro de nascimento com experiência internacional.
Em dois anos, Ghosn tirou a terceira maior fábrica de automóveis
do Japão, a Nissan, do caminho da bancarrota. Nascido em Rondônia,
Carlos Ghosn, 47 anos, é o executivo brasileiro mais bem-sucedido
fora daqui. Há alguns anos, só saíam do Brasil nos
vôos para Tóquio imigrantes nisseis em busca de melhor qualidade
de vida na pátria dos avós.
Outra reportagem
relata os resultados da reunião
da Organização Mundial do Comércio (OMC)
que se encerrou em Doha, no Catar, na quarta-feira passada. Ao contrário
de outros fóruns convocados nos últimos cinqüenta anos
para discutir as relações comerciais entre os países,
o do Catar terminou com decisões surpreendentemente favoráveis
aos países em desenvolvimento. Para o Brasil, foi uma vitória
histórica. Foram acatados pela comunidade internacional pontos
de vista brasileiros em favor da venda, por preços mais baixos,
de remédios para doentes de Aids em países que não
podem pagar por eles. Também resultou em medidas práticas
a pregação brasileira pela diminuição dos
subsídios e por menos protecionismo por parte das nações
ricas. O sucesso internacional de Ghosn e as vitórias brasileiras
na OMC são lições de que se inserir no mundo, além
de inevitável, pode ser muito vantajoso.
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