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Antônio
Vieira: inéditos descobertos aos poucos |
Em 1959, o crítico francês Raymond Cantel, especialista na obra de Antônio Vieira (1608-1697), levantou a questão: "Conhecemos de fato os sermões de Vieira?" Segundo ele, ainda havia mistérios demais para desvendar na obra do genial religioso português, que passou boa parte da vida no Brasil e foi um dos maiores escritores barrocos. O espantoso é que, quarenta anos depois, a situação continua igual. Os avanços são poucos e ocorrem devagar. Um deles será apresentado nesta semana pela carioca Sonia Salomão. Diretora do Centro de Estudos Antônio Vieira, em Viterbo, na Itália, ela está no Brasil para divulgar o livro Sermões Italianos, que organizou. O volume reúne, pela primeira vez, os originais em italiano com comentários em português de sete sermões escritos por Vieira no período que passou em Roma, freqüentando a corte do papa Clemente X e o círculo intelectual da rainha Cristina da Suécia. Esses textos já haviam saído em português, traduzidos na época de Vieira, mas os originais italianos eram desconhecidos. Seu interesse estilístico é grande. Mostram um mestre do barroco aprendendo uma nova língua e novas estratégias para agradar aos ouvintes italianos. E, como observa Sonia Salomão, os Sermões Italianos são apenas a ponta de um iceberg. No centro dirigido por ela e também na Universidade de Roma, grupos de estudiosos continuam escavando os arquivos do padre. Já encontraram grande parte da Claves Profetarum, obra de mais de 1.000 páginas que se julgava perdida. "Vieira passou a vida redigindo essa súmula de seu pensamento teológico", diz Sonia. "Temos agora boas chances de ver esse documento inestimável reconstituído."
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S.A. |