VEJA Recomenda
CINEMA
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CINEMA
O Caçador: no cinema coreano, coisas ruins acontecem a quem não
as merece |
O CAÇADOR (Chugyeogja, Coreia do Sul, 2008. Em cartaz
desde sexta-feira)
Um rapaz atrai prostitutas para uma casa em Seul a fim de matá-las e
esquartejá-las; quando a terceira de suas meninas some, o cafetão
Jung Ho, ex-policial, decide investigar. Lá pela meia hora de filme,
o assassino já foi preso e confessou. E aí é que começa
de fato a jornada desesperadora de Jung Ho. A terceira moça talvez ainda
esteja viva - mas onde? O psicopata despista, a polícia é um vexame
e Jung Ho, com a filha pequena da prostituta sob seu encargo, empreende uma
caçada frenética pela cidade, aterrorizado com as barbaridades
de que é indiretamente cúmplice. O estreante Na Hong-jin soma
seu nome ao rol dos diretores sensacionais que a Coreia do Sul vem produzindo,
e que não se parecem em nada com os americanos: no cinema deles, coisas
muito ruins acontecem com quem não as merece.
DVD
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DVD
Café dos Maestros: abordagem afetiva do tango |
CAFÉ DOS MAESTROS (Argentina/Brasil, 2008; Videofilmes)
Café de los Maestros foi um projeto organizado pelos produtores
argentinos Gustavo Santaolalla e Gustavo Mozzi. Eles queriam recordar o período
áureo do tango e recrutaram artistas das décadas de 40 e 50 para
regravar alguns de seus maiores sucessos. O encontro virou filme nas mãos
do cineasta Miguel Kohan. No lugar de uma simples história do gênero
musical, o documentário parte para uma abordagem mais afetiva: faz com
que os personagens - os cantores Virginia Luque e Juan Carlos Godoy e o bandoneonista
Leopoldo Federico - falem de sua relação apaixonada com o tango.
O DVD traz como bônus quarenta minutos do show que os músicos fizeram
no Teatro Colón, de Buenos Aires.
DISCOS
BACKSPACER, Pearl Jam (Universal)
O Pearl Jam estreou no mercado fonográfico com Ten (1991), disco
que vendeu 12 milhões de cópias e incluía hits como Alive e Jeremy. O grupo ainda se mantém fiel à sonoridade pop-punk
desse primeiro álbum. Backspacer, com pouco mais de meia hora,
apresenta onze canções que vão da crueza de um Ramones
ao folk agridoce de um Neil Young. Todas as qualidades do quinteto estão
no álbum: o bom trabalho dos guitarristas Mike McCready e Stone Gossard,
as pancadas do baterista Matt Cameron e a voz de Eddie Vedder, o intérprete
mais expressivo das bandas de Seattle. As letras de Vedder também apresentam
melhora. Ele parou com as pregações políticas para abordar
temas do dia a dia, como na bela balada Just Breathe.
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DISCO
Fabio Torres: para ouvir duas vezes ao dia |
PRA ESQUECER DAS COISAS ÚTEIS, Fabio Torres (Tratore)
Figura conhecida do meio musical de São Paulo, o pianista Fabio Torres
participa dos grupos da cantora Rosa Passos e do guitarrista Chico Pinheiro. Pra Esquecer das Coisas Úteis é seu primeiro trabalho autoral.
São sete faixas instrumentais e oito canções, que contam
com a participação de excelentes intérpretes, como as cantoras
Luciana Alves e Fabiana Cozza (perfeita na difícil canção Lilyá) e o cantor Renato Braz. Os solos da violoncelista Heloísa
Torres Meirelles já seriam motivo para ouvir Inefável no
mínimo duas vezes ao dia. As composições de Torres não
soam muito diferentes do seu trabalho nos grupos de Rosa e Pinheiro: estão
calcadas na MPB tradicional, com discretas e palatáveis influências
de jazz e música erudita.
LIVROS
NAQUELE DIA, de Dennis Lehane (tradução de
Luciano Vieira Machado; Companhia das Letras; 696 páginas; 59 reais)
Com livros amargos sobre o submundo de Boston - como Sobre Meninos e Lobos -, Dennis Lehane tornou-se um dos autores mais celebrados da literatura
policial contemporânea. Embora os policiais sejam personagens fundamentais
no romance, Naquele Dia escapa das tramas criminais para compor um painel
histórico de maior fôlego. Boston ainda é o centro da ação
- mas Lehane retrata a cidade no fim da I Guerra Mundial, culminando com uma
greve da polícia em 1919. Os protagonistas são um policial de
ascendência irlandesa que se infiltra no movimento sindical e um negro
foragido da polícia. É um belo painel dos dramas sociais americanos
no início do século XX.
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LADY MACBETH DO DISTRITO DE MTZENSK, de Nikolai Leskov
(tradução de Paulo Bezerra; editora 34; 96 páginas; 28
reais)
Esmerado recriador de contos populares e casos cotidianos, o russo Nikolai Leskov
(1831-1895) tomou um fato que ocorreu no vilarejo onde passou a infância
como inspiração para essa novela: uma moça matou o sogro
derramando cera quente em sua orelha. Em Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk, a assassina é a jovem esposa de um velho rico - uma mulher fria e
implacável como a Lady Macbeth criada por Shakespeare. Esse drama doméstico
com tintas trágicas serviu de argumento para uma ópera do músico
russo Dmitri Shostakovich e para o filme Lady Macbeth Siberiana, do diretor
polonês Andrzej Wajda. Breve e intensa, a novela é uma excelente
mostra do talento de Leskov, um grande escritor cuja fama ficou à sombra
de contemporâneos como Tolstoi e Dostoievski.
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