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• Livros: As memórias do "tremendão" Erasmo CarlosBrasilO novo chefe da espionagemO governo troca o comando da
Abin pela quarta vez,
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Dida Sampaio/AE![]() |
| WILSON
TREZZA Assumiu interinamente o cargo depois do escândalo das escutas ilegais que envolveu seu antecessor |
Os manuais de inteligência
ensinam que os mais eficientes serviços de espionagem são aqueles
que agem com discrição, sem ser percebidos. Observada essa regra,
a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) é uma espécie
de marco zero da incompetência. O órgão vive às voltas
com escândalos, denúncias de irregularidades e problemas em geral
que já tragaram quatro de seus comandantes apenas no governo Lula. É
um recorde absoluto de instabilidade no emprego. Na semana passada, o Congresso
sabatinou Wilson Trezza, o quinto diretor-geral nos últimos seis anos,
que assume o cargo no rastro de um dos mais estrondosos casos de espionagem ilegal
da história a conhecida Operação Satiagraha, em que
quase uma centena de agentes se envolveu em grampos e vigilância clandestinos
de ministros do governo, juízes, empresários e jornalistas. Perguntado
a respeito do caso, o novo diretor afirmou: "Na minha gestão, a Abin
não fez e não fará (grampo) sem respaldo legal. Se
algo nesse sentido aconteceu, o que não acredito, todas as providências
cabíveis serão tomadas". Para um homem cuja matéria-prima
são a coleta e a análise de informações para subsidiar
as decisões do presidente da República, Trezza começou mal.
Fotos Marcello Casal Jr/ABR e Lula Marques/Folha Imagem![]() |
| GALERIA Os delegados Paulo Lacerda e Mauro Marcelo: grampos e "bestas-feras" |
Seu antecessor, o delegado Paulo Lacerda, foi afastado do cargo depois
de seus arapongas terem sido denunciados por captar conversas telefônicas
entre um senador e um ministro do Supremo Tribunal Federal. É fato que,
mesmo nas democracias mais avançadas, ainda não se encontrou uma
forma de manter na mais absoluta linha da legalidade um órgão que
tem como função obter informações não disponíveis.
Há quem acredite que isso é uma missão impossível.
O histórico da Abin, porém, beira o bizarro. Em menos de seis anos,
a instituição trocou de mãos quatro vezes. Fora os casos
de flagrante abuso, como o do delegado Lacerda, existem episódios estranhos,
como o do ex-diretor Mauro Marcelo, que foi demitido após chamar a CPI
dos Correios de "picadeiro de bestas-feras", e o do ex-diretor Márcio
Buzanelli, que caiu em desgraça depois que o presidente Lula levou uma
sonora vaia durante a abertura dos Jogos Pan-Americanos, no Maracanã. A
Abin montou uma gigantesca estrutura no Rio de Janeiro, mas não conseguiu
antecipar a constrangedora vaia contra Lula, supostamente organizada por adversários
políticos. O problema é que isso não é atribuição
da Abin, como também não cabe a ela ficar espionando o MST, ministros,
jornalistas e políticos em geral. Diz Joanisval Gonçalves, doutor
em relações internacionais, especialista em inteligência de
estado: "A Abin foi criada para assessorar o Poder Executivo quanto a ameaças
reais ou potenciais à segurança nacional, ao estado democrático
de direito, e não para ficar fazendo trabalho político ou de polícia".