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• Livros: As memórias do "tremendão" Erasmo CarlosIdeiasLá vêm eles de novoEm SuperFreakonomics, que chega às livrarias americanas
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Edwin Levick/Hulton Archive/Getty Images![]() |
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| A MORTE PELA RODA E PELA PATA Em 2007, um em cada 30 000 nova-iorquinos morreram em acidentes de carro. Há um século, as ruas eram bem mais perigosas: cavalos e diligências vitimavam um em cada 17.000 moradores da cidade |
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VEJA TAMBÉM |
| • Quadro: Resfriamento global |
| • Nesta edição: A arte de decifrar estatísticas |
Uma das mais violentas erupções vulcânicas do último século ocorreu em 1991, nas Filipinas, quando a lava e a fumaça ejetadas pelo Monte Pinatubo mataram 250 pessoas. As pavorosas consequências daquele desastre natural ainda são um pesadelo para a população local. Seu efeito global, no entanto, foi muito positivo. A erupção vulcânica lançou na atmosfera mais de 20 milhões de toneladas de dióxido de enxofre, cuja fórmula química é SO2. Um gás leve e opaco, o SO2 do Pinatubo subiu até a estratosfera e, em questão de meses, espalhou-se em uma camada, recobrindo todo o planeta. Essa camada funcionou como um filtro que diminuiu a incidência da radiação solar sobre a superfície da Terra. Como resultado disso, a temperatura média do planeta caiu cerca de 0,5 grau. Essa constatação reabriu entre uma corrente de cientistas a ideia de produzir de modo artificial o mesmo resultado e, com isso, atacar o aquecimento global, evitando ou pelo menos adiando suas potenciais e desastrosas consequências. Quem chegou mais próximo de uma solução viável foram os pesquisadores americanos da Intellectual Ventures, de Seattle. Eles propuseram a montagem de um gigantesco chuveiro capaz de aspergir um volume de SO2 na estratosfera equivalente ao produzido pelas erupções vulcânicas. O custo? A operação consumiria 250 milhões de dólares, dinheiro de troco perto do 1,2 trilhão de dólares que, segundo cifras do famoso Relatório Stern, seriam necessários para evitar a chegada à atmosfera dos gases de efeito estufa, apontados como a principal causa do aquecimento global.
Esse experimento é descrito em detalhes no capítulo que se anuncia como o mais controverso de SuperFreakonomics, o novo livro do economista Steven Levitt e do jornalista Stephen Dubner, que chegará às livrarias americanas na terça-feira. A primeira obra da dupla, Freakonomics, lançada há quatro anos, celebrizou-se pela felicidade com que demonstrou como o uso da lógica e do pensamento econômico pode iluminar os mais diversos fenômenos, dando-lhes contornos definitivos e, muitas vezes, contrários ao senso comum. Agora, os autores dedicam todo um capítulo para, com as mesmas armas, tentar mostrar que o aquecimento global talvez não seja uma ameaça tão grande como se tem alardeado. Seriam duas as razões principais. A primeira é mais explosiva, pois considera, com base em pesquisas de alta qualidade, a possibilidade de o fenômeno nem existir. A segunda leva em conta o "efeito Pinatubo" e demonstra que o aquecimento global é um obstáculo que pode ser vencido pela técnica e pelo engenho humano da mesma forma que outras barreiras foram superadas na caminhada evolutiva da espécie. O livro aponta outros exageros catastrofistas sobre essa questão:
Há trinta anos, os cientistas estavam preocupados com
o resfriamento global provocado pela poluição. Os dejetos lançados
na atmosfera reduziam a incidência dos raios solares, esfriando o planeta.
Com o controle da poluição, esse efeito diminuiu. O aquecimento
atual nada mais seria do que um efeito positivo do melhor controle ambiental.
A atividade humana representa apenas 2% das emissões
de gás carbônico (CO2), apontado com um dos vilões
do efeito estufa. Os outros 98% vêm de atividades naturais, como a decomposição
de plantas.
Nenhum estudo sério aponta o risco de a Flórida
desaparecer do mapa por causa do aumento do nível do mar. Essa ameaça
seria apenas uma das mentiras convenientes de Uma Verdade Inconveniente, filme do ex-vice-presidente americano e Nobel da Paz Al Gore.
Os modelos meteorológicos utilizados para prever a catástrofe
são pouco críveis, porque não conseguem levar em consideração
diversos fenômenos naturais como a erupção do Pinatubo.
Assim como no livro original, a relevância de SuperFreakonomics está em desafiar o senso comum, cruzando estatísticas recentes
e históricas, colocando em sua devida perspectiva e dimensão fenômenos
tão distintos quanto a prostituição nas ruas de Chicago,
o altruísmo, o terrorismo, a crise no sistema de saúde americano
ou a morte de militares. Mas, como disse Levitt em uma entrevista exclusiva
a VEJA (leia a matéria seguinte), ele não se propõe
a explicar todo e qualquer fenômeno econômico e social. "Só
me interesso por estudar assuntos para os quais existam informações
e estatísticas de boa qualidade", diz o economista. "Do contrário,
haveria sempre o risco de chegar a conclusões equivocadas."
Ao ler o livro, descobre-se que os congestionamentos de cavalos e diligências em Nova York representavam um inconveniente superior em muito ao causado hoje pelo automóvel. Pilhas e pilhas de esterco malcheiroso se acumulavam nos becos, e havia mais vítimas do trânsito naquele tempo do que hoje. A propósito, graças ao cinto de segurança, um dispositivo simples e barato, a taxa de mortes nas estradas caiu 70%. Outro dado surpreendente: de 2002 a 2008, com as guerras no Afeganistão e no Iraque, morreram em média 1 643 militares americanos; nos anos 80, quando o país não combatia em nenhum grande conflito, a média de mortes foi de 2 100 em geral, vítimas durante treinamentos. Por que será que temos medo de tubarões, se eles matam em média seis pessoas a cada ano, uma fração das 200 vítimas feitas por elefantes? Os autores são inteligentes o bastante para não se levarem a sério em demasia, e muitas das informações despejadas nas mais de 200 páginas do livro servem apenas para divertir e satisfazer a curiosidade. Mas é difícil ficar indiferente às suas análises e conclusões, em especial as que tratam de saúde. Tudo isso soa temerário? Esse é o mundo de SuperFreakonomics.