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Home  »  Revistas  »  Edição 2135 / 21 de outubro de 2009


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Apertem os cintos

A vingança de Cristina será maligna: nova lei engessa
a imprensa no figurino peronista


Vilma Gryzinski

Pawan Sharma/AP


A presidente argentina Cristina Kirchner matou a imprensa e foi ao Taj Mahal. Em frente ao monumento indiano, fez pose de princesa Diana, numa foto famosa. O figurino, como sempre, era uma coisa assim meio anos 50, meio o seriado Mad Men. Ou, no caso, mad woman, considerando-se a mistura de fúria vingativa e de incompatibilidade orgânica com a democracia que usou para aprovar uma nova legislação que aumenta o controle do estado sobre a imprensa. Como sempre, com os piores objetivos possíveis. Cristina e o marido e antecessor, Néstor Kirchner, unidos pelos sagrados laços do matrimônio e os nada santos preceitos do populismo peronista, esgotaram o repertório de bruxarias para aprovar a lei antes de dezembro, quando não terão mais a maioria no Congresso. A derrota eleitoral atrapalhou os planos do casal de se perpetuar no poder até acabar o estoque de letras K do universo. Como aqueles a quem os deuses querem enlouquecer nascem na Argentina, o país que tem tudo para ser o máximo, mas sempre acaba com o mínimo, os dois Kirchner atribuem seus tropeços ao Grupo Clarín, pelo crime de não adesão incondicional. Dedicaram-se, portanto, a desmantelá-lo. Numa reunião da empresa mista que controla o papel de imprensa, o secretário de Comércio, Guillermo Moreno, ameaçou os participantes nos seguintes termos: "Lá fora estão os meus muchachos, especialistas em quebrar a espinha e arrancar os olhos de quem fale". Comparativamente, Maradona foi um lorde. El Diez comemorou a classificação da Argentina para a Copa com um palavrão episódico dirigido à imprensa. Já os impropérios de Los Dos se perpetuarão até a próxima catarse argentina.

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